Quando falamos em liderança, ou mais concretamente em líderes, recuperamos, através de um processo construtivo, alguns rostos que nos marcaram porque estarem, talvez, relacionados com factos que envolveram emoções fortes.
Tenho vindo a pedir a algumas pessoas (amigos, alunos, colegas, familiares) que elejam um líder de sua referência. As escolhas recaem maioritariamente sobre lideranças no contexto político como Napoleão Bonaparte, Barack Obama, JFK, Margarete Thatcher, Abram Lincoln, Martin Luther King ou Nelson Mandela, ou lideranças no contexto religioso como o Papa João Paulo II, Papa Francisco, Madre Teresa de Calcutá ou Mahatma Gandhi.
Mas, afinal, por que ficam estas pessoas na “memória”? Porquê estas e não outras? Será a forma como passam a sua mensagem? Será porque inspiram as pessoas ou inspiram o futuro? Será porque as pessoas se reveem no seu exemplo? Será o que acrescentam ao mundo que as torna diferentes? Será que foi pelos seus testemunhos ou pela sua força de lutarem pelos ideais em que acreditam e pelos quais muitas estiveram, inclusive, dispostas a dar a sua vida? Quando procuro saber junto dessas pessoas se existirá, afinal, uma “habilidade maior” que distingue os líderes que escolheram, ninguém sabe explicar. Fico, apenas, com a sensação de que a escolha é pessoal e do domínio afetivo, pela forma emocionada e entusiasta como defendem essa sua opção, possivelmente ancorada nas tais experiências emocionais fortes.
Nas minhas memórias de liderança está um episódio relacionado com o anúncio da eleição do cardeal Karol Wojtyla (Papa João Paulo II) como o novo Papa, em 1978.
Como sabem, o anúncio é feito da varanda central da Basílica de São Pedro no Vaticano, em Roma. Após esse anúncio, o novo papa é apresentado ao povo para dar a sua primeira bênção. Essa sua apresentação ao povo foi considerada, por muitos, especial, e essa forte experiência emocional que muitos sentiram (inclusive eu) relacionou-se, possivelmente, com a forma como humildemente olhou, sorriu, falou, emocionado, e acenou aos que o olhavam. Lembro-me de ter acreditado no futuro. Será que Napoleão Bonaparte tinha razão: “Um líder é um vendedor de esperança”?
A primeira vez que li a frase de Abraham Lincoln “ A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns”, também acreditei no futuro. Recordo-me de pensar como poderíamos todos ser mais e querer mais se ao longo da vida nos cruzássemos com líderes.
Voltando às memórias de liderança, recupero um outro rosto: William Wallace, guerreiro escocês que liderou os seus compatriotas na resistência à dominação inglesa imposta pelo reinado de Eduardo I. Derrotou de forma heróica o exército inglês na Batalha de Stirling Bridge, sendo considerado, até hoje, um dos maiores patriotas e heróis da história da Escócia. Homem de honra, que acreditando na liberdade como valor supremo, conseguiu mobilizar o poder necessário para mudar atitudes e crenças no seu pequeno grupo de guerreiros que o seguiram com lealdade e respeito, admirando-o e dispondo-se, por isso, a lutar com ele por essa liberdade na qual, também, passaram a acreditar. Pessoas comuns que desenvolveram habilidades extraordinárias e que, por isso, alcançaram algo extraordinário.
Finalmente, nesta minha viagem às memórias de liderança, vejo Abraham Lincoln, 16º presidente dos Estados Unidos da América, que liderou o país de forma bem-sucedida durante a sua maior crise interna, a Guerra Civil, preservando a união do país e abolindo a escravatura. Foi considerado pelos norte-americanos o melhor presidente da história dos Estados Unidos. O que fez de extraordinário? Porque o admiraram os norte-americanos? Talvez o tenham percecionado como justo, próximo, fiel aos seus ideais e de caráter forte. Falamos de memórias de liderança.
Há pessoas que simplesmente aparecem e marcam as nossas vidas para sempre.
Por: Anabela Rodrigues, Docente do IPAM – The Marketing School Aveiro