A saúde mental tem sido um tópico discutido com maior relevância nos últimos tempos, especialmente no caso do bem-estar emocional. O que investigadores têm apurado é que, ao contrário das gerações anteriores, a Geração Z enfrenta numerosas pressões sociais e o stress acrescido da recente pandemia.
Um estudo recente desenvolvido pela Oliver Wyman, intitulado “Geração Z: Moldar as tendências de consumo futuras”, a consultora destaca no capítulo dedicado à saúde que a Geração Z é muito preocupada com o autocuidado e com a procura de experiências holísticas destinadas a melhorar o bem-estar.
Sendo a primeira geração que adotou de forma nativa o mundo digital, a Geração Z é descrita como pró-ativa em relação à sua saúde física e mental e identifica-se, nestes dois aspectos, como a que se sente pior em comparação com as gerações anteriores.
“O bem-estar da Geração Z foi significativamente afetado pela pandemia, uma vez que enfrentaram acontecimentos e ambientes desmoralizantes na vida familiar, na escola e nas relações”, explica a Oliver Wyman.
Muitos Zs passaram os primeiros dois anos da sua vida profissional isolados, a olhar para um ecrã de computador a partir de casa. Estas experiências afetaram o seu bem-estar geral e emocional, com quase 50% dos inquiridos da Geração Z a declararem ter recebido tratamento para a ansiedade, depressão, perturbação de stress pós-traumático, perturbação obsessivo-compulsiva ou outros problemas de saúde mental. Este número é quase o dobro do registado nas outras gerações.
Os Z têm 1,9 vezes mais probabilidades de sofrer de problemas de saúde mental do que as outras gerações. Uma das razões para estes números elevados pode ser a pressão que exercem sobre si próprios. Sendo uma geração conhecida por valorizar e defender o ativismo e a inclusão, também têm expectativas cada vez mais elevadas em muitos aspetos da vida, o que facilita a desilusão.

No entanto, a Geração Z também está mais disposta do que outras gerações a falar abertamente sobre saúde mental. Estão a quebrar barreiras e a envolver-se em conversas que anteriormente eram consideradas privadas ou embaraçosas. Não se trata apenas de saúde mental, a Geração Z está a falar abertamente sobre outros temas que anteriormente eram tabu, como a saúde das mulheres ou a toxicodependência.
Por exemplo, de acordo com o estudo, a Geração Z tem 63% mais probabilidades do que outras gerações de falar abertamente sobre ciclos menstruais no local de trabalho. Também 41% destes jovens, no mesmo ambiente, têm mais probabilidades do que outras gerações de falar abertamente sobre a dependência e os desafios que lhe estão associados, refletindo o empenho da Geração Z em eliminar o estigma e em promover uma sociedade mais inclusiva e solidária.
Um novo perfil de doente: digital, remoto e informado
O envolvimento da Geração Z com o seu historial de saúde vai para além das conversas, estendendo-se à procura ativa de orientação para navegar no sistema de saúde. É duas vezes mais provável que as outras gerações partilhem informações pessoais de saúde em troca de conselhos sobre a melhor forma de navegar no sistema, o que demonstra o seu desejo de obter informações valiosas e ajuda personalizada para gerir eficazmente a sua saúde.
Para se ligarem à Geração Z, os prestadores de serviços de saúde e bem-estar têm de conceber experiências que sejam relaxantes, estimulantes, restauradoras e positivas. A Geração Z está à procura de uma sensação semelhante ao de um spa: querem uma pausa dos problemas do mundo e experiências que os acalmem. No entanto, também esperam ter acesso às mais recentes técnicas e investigações médicas, garantindo que os tratamentos que escolhem são baseados em provas científicas. A este respeito, os prestadores de serviços devem encontrar um equilíbrio entre proporcionar um ambiente relaxante e oferecer soluções eficazes apoiadas por uma investigação rigorosa.

A afinidade da Geração Z com os dados e a tecnologia também desempenha um papel importante nas suas preferências de saúde. Preferem dispositivos portáteis e outras tecnologias que lhes permitam medir e monitorizar a sua saúde. Mais de metade dos membros da Geração Z afirmam que partilhariam os dados dos seus dispositivos portáteis com a sua seguradora, uma aplicação de terceiros ou um centro de saúde, muito mais do que as outras gerações. Esta vontade de partilhar dados de saúde demonstra o seu desejo de experiências de saúde personalizadas e baseadas em dados. A Geração Z também está disposta a incorporar a tecnologia no seu apoio à saúde mental, com 24% a utilizarem já (ou a terem utilizado nos últimos 2 anos) serviços de terapia em linha.
Por conseguinte, os prestadores de cuidados de saúde devem adaptar-se às expectativas digitais da Geração Z e adotar tecnologias que facilitem experiências de cuidados de saúde convenientes e acessíveis. A Geração Z espera que os seus prestadores de cuidados de saúde estejam prontamente disponíveis online e que participem em conversas contínuas através de uma variedade de canais digitais. Quer se trate de enviar mensagens de texto através de um portal específico do consultório, de receber respostas rápidas após enviar uma mensagem de texto para o número de telefone pessoal de um médico ou de fazer uma videochamada para discutir os resultados dos exames, esta geração valoriza um nível mais elevado de envolvimento e acessibilidade por parte dos seus prestadores de cuidados de saúde.
A Oliver Wyman sublinha a importância de os prestadores de cuidados de saúde adaptarem as suas ofertas às expectativas da Geração Z, a fim de beneficiarem de um maior envolvimento e de uma relação mais forte entre doentes e prestadores de cuidados de saúde. É crucial, reiteram no estudo, que os prestadores de cuidados de saúde criem experiências que não só satisfaçam as expectativas da Geração Z, mas também promovam a confiança, a inclusão e os cuidados personalizados.