A seis anos da concretização da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), os embaixadores e organizações portuguesas pertencentes à Aliança ODS reuniram-se esta terça-feira para fazer um balanço do que foi atingido em Portugal e apontaram perspectivas futuras relativamente aos compromissos a cumprir.
“Este momento é crucial e cada um de nós desempenha um papel essencial”, referiu Karim Merali, CEO da Fundação Aga Khan, na abertura da 8ª Conferência Comemorativa da Aliança ODS, que decorreu no Centro Ismailli.
Merali sublinhou junto dos presentes na plateia que é o momento de reforçar os “compromissos perante as gerações presente e futuras” e que a conferência de 2024 seja “um encontro catalisador de ações futuras” no cumprimento dos ODS até 2030.

A edição de 2024 da Conferência Comemorativa da Aliança ODS, que celebrou o oitavo aniversário da fundação em 2017, contou com a presença de Mário Parra da Silva, que referiu a importância de “andar devagar para se chegar longe”.
“Neste oitavo aniversário, é preferível estender os objetivos do que abrir ‘Caixas de Pandora'”, mencionou o presidente da Aliança ODS Portugal, acrescentando que perante os vários avanços e recuos que se fizeram ao nível público e privado relativamente aos ODS, como um passo significativo na vida das próximas gerações. “Será uma utopia? Claro que sim. Só o sonho comanda a vida, como dizia o poeta, e porque a alternativa é impensável”, concluiu.
Ana Paula Fernandes, presidente do Instituto Camões, acrescentou que o desenvolvimento humano deve ser considerado de forma global, mas referiu que Portugal se encontra muito aquém do cumprimento dos ODS. “O contributo de Portugal situa-se no fundo da tabela. Há até países europeus que gastam mais dinheiro em sobremesas do que nós gastamos no cumprimentos dos objetivos”, satiriza.
Apesar desta provocação, Ana Paula Fernandes destaca o bom contributo de Portugal ao nível da paz e da saúde, sublinhando a contribuição portuguesa na erradicação da pobreza e na igualdade de género. “Sobre o futuro, considero que o objetivo de desenvolvimento sustentável fundamental para Portugal vai ser o 17, relativo às parcerias”, conclui.
Portugal regista progressos demasiado amplos nos ODS
O evento também contou com uma mesa redonda dedicada em falar sobre o estado da arte relativamente ao cumprimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável, através da perspectiva de instituições públicas.
De acordo com Conceição Veiga, diretora do Serviço de Relações Externas e Cooperação do INE, têm sido registados progressos favoráveis no cumprimento dos objetivos à escala nacional.
“Verificamos que 57% dos indicadores disponíveis estão devidamente validados, através de fontes externas, e foram registados progressos favoráveis no cumprimento dos ODS”, refere Conceição Veiga.
O INE, alinhado com o exposto pela ONU, tem articulado com entidades nacionais para fazer o reporte da aplicação das metodologias relacionadas com a implementação da agenda 2030. O dossier com a informação encontra-se disponível no site do INE para consulta pública.
Outros progressos favoráveis referidos foi o cumprimento do ODS 9 (infraestrutura e inovação), apesar de serem amplos. “Temos ações que contribuem para o cumprimento de vários dos ODS, mas são muito transversais: 1º: Reforçar a proteção da natureza nas zonas urbanas; e 2º: Favorecer a participação ativa dos grupos desfavorecidos. No entanto, sublinho que temos registado um retrocesso ao nível da biodiversidade. É, por isso, preciso um maior esforço para aliar a tecnologia à concretização dos ODS”, refere Carlos Teixeira, técnico da Divisão de Planeamento Avaliação e Educação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT).