Opinião de:
Marta Cardoso – Jornalista, repórter e apresentadora de televisão
Vivemos, cada vez mais, no mundo da imagem.
A aparência tem um valor incalculável e tornou-se no cartão de visita de cada pessoa. Através da maneira como cada um se veste, como se comporta, a postura que tem (e o peso na balança) a sociedade tira elações sobre a personalidade, caráter e valores de cada ser humano.
Na mesma medida o cargo que ocupa, a taxa de sucesso na escola, o tipo de amigos ou pessoas com quem se cruza e lida acrescentam uns pós a esta estrutura (que já se aprende na escola).
O resultado acaba por ser aquele desastroso que (quase) todos, em consciência, acabam por criticar: as pessoas são marcas, um número, vendem uma ideia e não a realidade. Quem são, de facto? Muitas vezes ninguém sabe. Nem as próprias, que acabam por representar o papel de quem gostariam de ser por tanto tempo, que perdem a própria identidade.
As redes sociais ajudam a isto e têm o seu papel: os adolescentes medem o seu grau de sucesso pelo número de “likes” dos seus
posts e tornam-se exímios a tirar aquela foto que os favorece ou a utilizar aquela linguagem específica que está na moda e arranca “gostos”.
Cada vez mais ninguém respeita os seus próprios ideais. Porque cada vez menos os têm! Andam ao sabor do vento, do que os outros dizem e acham, não sabem quem são nem para onde querem ir. Vivem no mundo virtual como se ele fosse real e escondem-se atrás da tecnologia. Usam o corpo como um instrumento e através dele fazem a gestão da sua imagem pessoal.
A gestão da imagem pessoal é – cada vez mais – uma doutrina. Se está adequada ao mundo em que vivemos? Sim. Se a aplaudo? Não. É artificial, é criada, e não responde à minha questão de sempre: Quem são as pessoas?
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