Portugal recuou três posições no Ranking Mundial de Competitividade do IMD 2026, ocupando agora o 40.º lugar entre 70 economias. Apesar da melhoria no desempenho económico, o país perde terreno em dimensões estruturais como a eficiência governativa, a eficiência empresarial e as infraestruturas.
Portugal caiu três posições no Ranking Mundial de Competitividade do IMD 2026, ocupando agora a 40.ª posição entre 70 economias. Os dados foram divulgados pela Porto Business School, parceira exclusiva do IMD em Portugal para a recolha, análise e divulgação dos resultados nacionais.
A descida surge apesar de uma melhoria expressiva no pilar do Desempenho Económico, no qual Portugal subiu sete posições, alcançando o 35.º lugar. O contraste evidencia um dos principais desafios do país: embora a economia apresente sinais positivos, Portugal continua a perder terreno nas dimensões onde a competitividade se decide a médio e longo prazo, como a execução, a capacidade institucional e a eficiência empresarial.
De acordo com a análise, Portugal dispõe de ativos relevantes, nomeadamente talento qualificado, abertura ao exterior, capacidade de atração de investimento, qualidade de vida e infraestruturas de base. No entanto, o principal desafio está na capacidade de transformar esse potencial em produtividade, inovação e execução consistentes.
Os indicadores económicos revelam alguns sinais positivos. Portugal surge em quarto lugar mundial nas receitas do turismo, em 11.º nos fluxos de investimento direto estrangeiro em percentagem do PIB, em 12.º nos baixos níveis de exclusão jovem e em terceiro na menor concentração das exportações por produto.
Ainda assim, este desempenho não foi suficiente para compensar a descida nos pilares estruturais da competitividade. Portugal ocupa a 41.ª posição em Eficiência Governativa, a 45.ª em Eficiência Empresarial e a 31.ª em Infraestruturas.
Na dimensão da eficiência governativa, a previsibilidade do enquadramento institucional, fiscal e regulatório continua a ser apontada como um fator condicionador da capacidade de investir e crescer. A política fiscal, as finanças públicas e a legislação empresarial surgem entre os principais desafios, exigindo políticas públicas mais simples, estáveis e orientadas para a execução.
É, no entanto, na Eficiência Empresarial que Portugal regista o seu resultado mais baixo, ocupando a 45.ª posição, depois de também ter perdido terreno face a 2025. Esta queda resulta de fragilidades nas práticas de gestão, no mercado de trabalho e na produtividade, a que se somam desafios persistentes no empreendedorismo, na dimensão das PME, na formação dos colaboradores e nas competências financeiras das empresas.
O sinal deixado pelo ranking é claro: sem instituições mais ágeis e empresas mais capazes, os ganhos económicos dificilmente se convertem em competitividade duradoura.
No topo da classificação, Singapura recupera a liderança mundial, seguida de Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos. O top 10 integra ainda Dinamarca, Irlanda, Países Baixos, Suécia e Estados Unidos, que regressam ao grupo das dez economias mais competitivas depois de terem ocupado o 13.º lugar em 2025.
“As condições geopolíticas estão a deteriorar-se e a fragmentação global está a aumentar. As nações com instituições credíveis e testadas ganham vantagem neste contexto porque, à medida que o sistema internacional deixa de responder a muitas necessidades nacionais, as empresas conseguem continuar a operar com previsibilidade”, afirma Arturo Bris, diretor do World Competitiveness Center do IMD.
Apesar da descida no ranking, o talento continua a destacar-se como um dos principais fatores de atratividade de Portugal. No Executive Opinion Survey do IMD, a mão de obra qualificada é apontada como o principal fator de atratividade do país, referido por 72% dos inquiridos. Seguem-se a competitividade de custos, com 68%, as infraestruturas fiáveis, com 62%, as atitudes abertas e positivas, com 60%, e a estabilidade das políticas públicas, com 40%.
Os próximos anos exigirão, contudo, decisões estruturais. Entre os principais desafios estão a diversificação da base produtiva e dos mercados de exportação, o reforço das competências de gestão e formação, o alinhamento das qualificações com as transições digital e verde, a aceleração da transição energética, a resposta às pressões demográficas e a execução de reformas.
Para José Esteves, dean da Porto Business School, o desafio passa por transformar os ativos do país em valor económico e competitivo.
“Portugal tem profissionais de excelência, atrai investimento e é uma economia aberta ao mundo. Mas a competitividade do futuro não se mede pelos ativos que temos — mede-se pela forma como os transformamos em produtividade, inovação, escala e impacto. Precisamos de empresas mais ágeis, instituições mais eficazes e líderes preparados para executar melhor, adaptar-se mais depressa e criar valor de forma sustentável”, afirma.
É neste contexto que a Porto Business School reforça a sua atuação através do Center for Entrepreneurship, Growth & Competitiveness, integrado no Innovation X Hub. O centro assume-se como um ponto de encontro entre empreendedores, investidores, empresas e instituições, com o objetivo de reforçar a capacidade de gestão, apoiar o crescimento empresarial e impulsionar a competitividade nos setores estratégicos da próxima década.
Num cenário em que a competitividade depende cada vez mais da capacidade de adaptação, da inovação aplicada e da execução, a Porto Business School aposta na formação de líderes capazes de transformar conhecimento em impacto económico, acelerar a criação de valor nas organizações e fortalecer a capacidade competitiva do tecido empresarial português.
Sobre o Ranking Mundial de Competitividade do IMD
O Ranking Mundial de Competitividade do IMD avalia anualmente a capacidade das economias para criarem um ambiente favorável à competitividade das empresas. A edição de 2026 analisa 70 economias e combina dados estatísticos com o Executive Opinion Survey em quatro dimensões: Desempenho Económico, Eficiência Governativa, Eficiência Empresarial e Infraestruturas.
A Porto Business School é a parceira exclusiva do IMD em Portugal para a recolha, análise e divulgação dos resultados nacionais.
O perfil de competitividade de Portugal e o report internacional completo podem ser descarregados AQUI
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI