Por detrás deste reconhecimento esteve um trabalho aprofundado sobre a cultura interna, acompanhado do reforço de competências e da estruturação de práticas já existentes. O percurso exigiu “um exercício de autorreflexão e maturidade organizacional, obrigando-nos a analisar criticamente as nossas práticas e objetivos”, refere a equipa BE&FO, constituída por Graça Cunha Coelho, CEO da Cachapuz, Cristiane Janeiro, responsável pelo departamento da Qualidade, Natália Ferreira, responsável pelo departamento de recursos humanos, e Alina Candebat, Chief Wellness Officer.
“Para garantir uma base sólida de conhecimento, foi essencial capacitar a equipa BE&FO: realizámos duas pós-graduações em gestão do bem-estar e felicidade organizacional e obtivemos uma certificação internacional na área. Esta formação permitiu desenvolver competências técnicas e metodológicas que sustentam o sistema e asseguram a sua credibilidade”, detalham as responsáveis.
A certificação passou pela consolidação de políticas já enraizadas – como programas de desenvolvimento humano e mecanismos de escuta ativa –, validadas externamente. “Durante a auditoria, registámos zero não conformidades, validando a consistência e maturidade do sistema.”
De “extra” a estratégia
Apesar da crescente visibilidade do tema bem-estar, a empresa nota um desalinhamento entre discurso e prática. “Muitas empresas ainda tratam o bem-estar como um benefício, um ‘extra’. Lançam iniciativas pontuais, comunicam-nas para o exterior, mas sem continuidade, profundidade ou consideração pelas necessidades e expetativas de cada colaborador.”
A resposta, sublinha a equipa BE&FO, passa por uma abordagem integrada: “Na Cachapuz, acreditamos que o bem-estar no trabalho não é um slogan nem uma moda. É um sistema, cultura e coragem para escolher o certo antes do fácil. O bem-estar e a felicidade organizacional exigem seriedade, conhecimento técnico, metodologia e competências específicas, assentes num sistema vivo, com processos, indicadores e rotinas que garantem consistência e evolução contínua”.
“Este compromisso implica integrar o bem-estar na decisão e na forma como cuidamos das pessoas todos os dias. Exige propósito e responsabilidade. O nosso foco é garantir que o que comunicamos é o que vivemos – e que cada ação tem impacto real na experiência das nossas pessoas.”
As responsáveis sublinham também que, “no ambiente industrial, a liderança de proximidade é essencial. A NP 4590 reforça isso: os líderes têm um papel determinante na implementação do SG BE&FO”. “Trabalhamos com equipas operacionais, técnicas e administrativas, com realidades distintas, o que nos obriga a pensar o bem-estar de forma diferenciada, garantindo equidade. Cada ação pode ser mais adequada para uns do que para outros, exigindo iniciativas que cheguem, de forma justa e relevante, a todos.”
A empresa mede o bem-estar através de um conjunto estruturado de indicadores, que abrange níveis de satisfação, bem-estar e felicidade no trabalho; absentismo e rotatividade; engagement e motivação; clima organizacional e cultura; e feedback qualitativo recolhido por via de entrevistas, focus groups e surveys. Os efeitos são visíveis no desempenho organizacional: “Os resultados incluem melhoria do envolvimento das equipas, fortalecimento da cultura colaborativa, maior coerência entre valores e práticas e reconhecimento externo da maturidade organizacional”.
O impacto nas equipas
No People Engagement Survey 2025, a empresa ficou 12,3% acima do benchmark e liderou o seu macro setor. “O engagement é uma consequência direta do bem-estar. Quando as pessoas se sentem valorizadas, escutadas e apoiadas, tendem a demonstrar maior compromisso, cooperação e energia no dia a dia.”
A formação contínua surge como um dos pilares da estratégia: “A nossa cultura de inovação e aprendizagem traduz-se na experiência dos colaboradores. Investimos em formação contínua, espaços de partilha e melhoria de processos, oportunidades de evolução interna e projetos colaborativos que estimulam criatividade, autonomia e sentido de pertença”. Em 2025, a empresa realizou 107 ações de formação, num total de 3.580 horas (55 horas por colaborador).
“Aprender faz parte da identidade da Cachapuz”, destaca a equipa BE&FO. “A inovação não vive apenas nos produtos; vive nas pessoas, na forma como trabalham, colaboram e se desenvolvem. Quando as pessoas crescem, a organização cresce com elas. A NP 4590 reforça a importância de programas de desenvolvimento humano integrados numa cultura sustentável”, enfatizam as responsáveis.
“O bem-estar sempre fez parte da cultura da Cachapuz e da nossa estratégia”, frisam, acrescentando que, “hoje, é tratado como um sistema de gestão, e não como resposta a tendências ou certificações”.
“Uma empresa só é sustentável quando cria condições para que cresçam, se sintam valorizadas e encontrem sentido no trabalho. É esta visão que orienta o nosso Sistema de Gestão de Bem-Estar e Felicidade Organizacional.”
O processo de certificação
Antes:
- Iniciativas dispersas
- Estruturação informal
- Monitorização limitada
Depois:
- Sistema integrado (KPIs, métricas e auditorias)
- + envolvimento das lideranças
- Cultura reforçada e validada externamente
- Conformidade total na auditoria
Artigo publicado na edição 164 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2026
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