A flexibilidade mantém-se como uma das principais prioridades dos profissionais em Portugal. Segundo dados da Hays, 87% dos profissionais consideram que o modelo de trabalho — presencial, remoto ou híbrido — é uma prioridade máxima ou um fator muito importante na avaliação de uma nova oportunidade profissional.
Num contexto em que muitas organizações reforçam a presença no escritório e o debate em torno do regresso ao trabalho presencial continua a marcar a agenda empresarial, a flexibilidade permanece um fator determinante para os profissionais.
De acordo com uma consulta promovida pela Hays Portugal junto da sua comunidade profissional, 87% dos inquiridos consideram que o modelo de trabalho é decisivo na avaliação de uma nova oportunidade de emprego. Destes, 25% classificam-no como uma prioridade máxima e 62% como um fator muito importante. Apenas 6% afirmam que o modelo de trabalho não é relevante neste processo de decisão.
Os dados mostram ainda que, para 72% dos profissionais, o modelo híbrido contribuiu para melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, reforçando a importância crescente da flexibilidade enquanto elemento de bem-estar e qualidade de vida. Apenas 2% consideram que este modelo teve um impacto negativo.
A tendência é também corroborada pelos resultados do Guia Hays 2026, que analisou as opiniões de mais de 1.300 profissionais qualificados e quase 500 empregadores em Portugal. Segundo o estudo, 22% dos profissionais recusaram propostas de emprego por não incluírem a possibilidade de teletrabalho, enquanto 33% identificam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal como um dos principais fatores para permanecer na organização onde trabalham atualmente.
“Nos últimos anos, assistimos a uma mudança estrutural nas expectativas dos profissionais. A flexibilidade deixou de ser encarada como um benefício complementar para passar a fazer parte da proposta de valor das empresas. Hoje, os profissionais procuram modelos de trabalho que lhes permitam conciliar as exigências da carreira com a sua vida pessoal, sem comprometer o seu desenvolvimento profissional”, afirma Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal.
Mais do que uma discussão sobre o número de dias passados no escritório, os dados sugerem que a valorização dos modelos híbridos está diretamente relacionada com a gestão do tempo, a redução das deslocações e a capacidade de equilibrar responsabilidades profissionais e pessoais.
Esta realidade assume especial relevância num mercado em que os profissionais são cada vez mais seletivos relativamente às oportunidades que consideram. O próprio Guia Hays 2026 demonstra que a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional continua a ser uma das razões apontadas pelos profissionais para mudarem de emprego, refletindo a crescente importância do bem-estar nas decisões de carreira.
Apesar das notícias sobre o regresso ao escritório em algumas organizações, os dados mostram que a flexibilidade continua a ser um elemento diferenciador na atração e retenção de talento. Para muitas empresas, o desafio passa agora por encontrar um equilíbrio entre as necessidades do negócio, a colaboração presencial e as expectativas dos profissionais.
“Hoje, o debate já não se centra apenas no local onde o trabalho é realizado. O verdadeiro desafio está em criar modelos que promovam simultaneamente produtividade, colaboração, desenvolvimento e bem-estar. As organizações que conseguirem responder a estas expectativas estarão mais bem preparadas para atrair e fidelizar talento num mercado cada vez mais competitivo”, conclui Paula Baptista.
Nota metodológica
A consulta Hays Portugal foi realizada junto da comunidade profissional da marca através de duas questões colocadas online, tendo recolhido, entre os dias 25 a 28 de maio e 1 a 4 de junho, 539 respostas.
Os dados do Guia Hays 2026 resultam de inquéritos realizados entre novembro e dezembro de 2025 junto de 1.359 profissionais qualificados e 491 empregadores a atuar no mercado português.
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