Antes de mais, vamos aos conceitos. Muito se fala sobre a necessidade dos líderes serem transformacionais. A liderança transformacional é usualmente caracterizada pelo facto do líder ser capaz de transformar o ambiente organizacional e mudar a realidade de qualquer lugar por onde passa.
Trata-se de um líder capacitado para resolver problemas dos mais simples aos mais complexos, além de ser visionário, estratégico e comprometido com o desenvolvimento de seus liderados. Independentemente da área de atuação, a liderança transformacional é capaz de modificar comportamentos e formar profissionais e transformar as pessoas em “seres melhores”, tudo isso através do seu exemplo e atitude positiva, bem como uma fonte viva de inspiração e resolução de problemas.
A liderança transformacional tem estado muito associada aos contextos de alta velocidade das mudanças e à alta competitividade dos mercados, nas quais as organizações precisam de estar preparadas para lidar com os momentos de mudança e transformação, e à necessidade de se adaptarem rapidamente a estas.
Mas, na verdade, o que se exige habitualmente dos líderes, neste mundo VUCA (mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo) é que sejam verdadeiramente líderes transformadores.
E podemos aqui fazer, desde logo, a analogia com o sentido de um transformador elétrico. O transformador é um aparelho ou dispositivo destinado a transmitir energia elétrica ou potência elétrica de um circuito a outro, induzindo tensões, correntes e/ou modificar os valores das impedâncias elétricas de um circuito elétrico.
Neste sentido, cada vez mais, valoriza-se uma nova versão, mais abrangente do papel da liderança e do líder que é capaz de ser um “verdadeiro transformador”! O líder transformador é capaz de promover mudanças reais e efetivas, não apenas numa equipa mas em toda a organização.
Em breves palavras, o líder transformacional é um líder com o perfil diferenciado e que faz as coisas acontecerem. Alguém que, além de cumprir com as atribuições do seu cargo, apresenta competências e atributos que o distinguem dos demais, esteja onde estiver. No caso de uma empresa, o líder transformador conta com uma extraordinária capacidade de inspirar pessoas, impulsionar resultados e proporcionar reais mudanças na operação.
São, desta forma, diversas as características que tornam esta liderança especial! Entre estas, podemos citar: capacidade de adaptação, autoconhecimento, sensibilidade de saber quando agir e recuar, capacidade de ouvir, de estimular a cooperação, inspirar e potenciar o envolvimento da equipa, bem como criar laços de confiança.
Por último, nesta “galeria de notáveis”, surge o líder transformista. Mas o que é uma líder transformista?
Antes de mais, um transformista é alguém que consegue, face a um determinado objetivo ou desafio, transformar-se efetivamente numa outra personagem. Vestir e agir de acordo com uma outra pessoa em função de um objetivo ou de um desafio que lhe fora colocado.
Ora, um líder transformista pode bem ser, neste contexto um líder ou gestor que vive e atua num contexto organizacional que exige, em todos os momentos, diferentes tipos de liderança para atingir os objetivos e resultados esperados junto com a suas equipas. Há, portanto, uma necessidade de adaptação e de “vestir” diferentes personagens, ajustadas aos diversos e permanentes desafios que são colocados pelos contextos de mudança e transformação das empresas.
Desta forma, a eficácia da “liderança transformista” resulta em melhores resultados dos seus colaboradores e também da sua empresa. Da mesma forma, estes estilos de liderança potenciam a formação e desenvolvimento dos seus colaboradores tendo em vista a obtenção de melhores resultados. Pelo meio, processos eficazes de adaptação e resiliência fazem parte do dia-a-dia das equipas e das organizações.
Afinal, em que ficamos? Transformacional? Transformador? Ou transformista?
A discussão sobre líderes e os tipos de liderança da atualidade surgiu da necessidade de se compreender estes modelos e a sua importância nas organizações. A liderança está presente em todos os momentos das empresas e situações, tanto no âmbito pessoal, quanto no contexto organizacional.
Todas as organizações e equipas precisam de uma liderança que tenha a habilidade de acompanhar, motivar e gerir equipas de maneira eficaz. Os líderes dentro do ambiente corporativo gerem as suas pessoas, estimulando-as e inspirando-as para o atingimento de resultados de nível cada vez mais elevado. Desta forma, para além dos líderes se focarem nos processos de mudança e transformação, com e através das suas pessoas, eles têm de ser capazes de assumirem diferentes “papéis” que os contextos organizacionais em permanente e acelerada mudança impõem face às necessidades dos mercados e dos clientes.
Os líderes têm de ser, portanto, transformacionais em relação aos processos e às equipas, têm de ser transformadores em relação aos impactos e aos momentos que exigem reais e efetivas respostas aos desafios no momento, mas, sobretudo, terão de ser transformistas, dado que numa lógica de resiliência e adaptabilidade, terão de estar muito disponíveis para assumir diversos papéis, personagens e personificações em função dos graus de exigência que os contextos de mudança impõem às lideranças e às organizações.