“Being Human Whilst Successfully Delivering Accelerated Results” é o subtítulo do seu quarto livro. Como surgiu a ideia para o mesmo?
Mesmo antes do início da pandemia eu estava a trabalhar com uma equipa de liderança executiva de uma empresa de software em Silicon Valley. A Chief People Officer já tinha trabalhado comigo anteriormente e assistido à transformação dos colegas e do próprio CEO, então quis proporcionar esta mesma transformação aos gestores de primeira linha.
O objetivo seria criar um manual de gestão compreensivo que servisse de alicerce para a cultura da organização. Conversámos, então, acerca da possibilidade de criar um manual e um conjunto de formações online que integrassem os valores da empresa. Aceitei o desafio, com a ressalva de manter a propriedade intelectual do projeto para escrever o meu próprio livro. O COVID apareceu, entretanto, e tive a oportunidade de testemunhar os desafios que os líderes e os gestores estavam a enfrentar para terem o seu trabalho feito enquanto as suas equipas lutavam para conseguir entregar o seu trabalho remotamente, e foi aí que me apercebi da necessidade de uma nova abordagem, um novo manual de liderança.
O livro chama-se “The New Leadership Playbook”. Porquê um “playbook” e o que o distingue dos demais?
No futebol americano, o treinador ensina aos jogadores uma série de táticas e jogadas que estão descritas num “playbook”, para que eles as aprendam. Nunca joguei futebol americano e, aos 60 anos de idade, estou mais confortável a jogar xadrez. Mas, curiosamente, o xadrez também tem táticas e jogadas, denominadas de linhas, e estas podem ser aprendidas para melhorar as competências dos jogadores.
Cada uma das 12 táticas que eu partilho no meu livro representa, essencialmente, uma conversa que os gestores geralmente têm entre si, tal como a conversa acerca do estabelecimento de objetivos, ou a conversa para partilhar feedback. No entanto, o livro tem também a conversa que os gestores têm vezes insuficientes: aquela relativa à carreira. Uma das táticas descritas no livro é a da confiança. Julgo que todos concordamos que a confiança é importante para o sucesso e os bons líderes sabem como dar confiança às suas equipas, seja presencial ou remotamente.
A novidade trazida pelo livro é o facto de as táticas estarem inseridas numa estrutura de liderança alicerçada em sete princípios de liderança. Parece bastante teórico, mas é apoiado pela ciência da motivação humana. É prático e muito humano.
O que é que os líderes e os gestores estão a fazer menos bem e como pode este livro ajudar a resolver?
Desde o momento em que nascemos que estamos moldados, seja pelo nome, nacionalidade, etnicidade e género. Somos moldados pelas experiências da nossa infância e pela nossa educação. Isto pode conduzir a um pensamento “preto no branco” ou mais holístico.
Os desafios que estamos a enfrentar atualmente, com a guerra na Europa e a rápida transformação digital, necessitam de líderes e gestores que deem respostas mais abrangentes se sejam capazes de abraçar opiniões e soluções mais diversificadas.
Um sintoma que este tipo de molde ao qual estamos sujeitos dá muitas vezes lugar é aquele que eu chamo de apagar fogos. Os gestores correm de crise em crise a “apagarem fogos”. Não deram poder às suas equipas pois querem ter o absoluto controlo e têm receio que ninguém consiga estar à altura da responsabilidade.
Acredito na máxima de que não é possível liderar uma equipa com sucesso sem primeiro nos liderarmos a nós mesmos. Em 2012 eu escrevi o livro “Autoliderança- Como ser um líder mais eficiente e bem-sucedido de dentro para fora”, com a Dra. Ana Kazan e, no livro, definimos a autoliderança como a prática de influenciar intencionalmente os pensamentos, sentimentos e ações, em direção a um objetivo. Assim, acredito que para alcançarem resultados rápidos, os gestores têm de trabalhar em si mesmos em primeiro lugar e tornarem-se mais humanos para inspirar e empoderar as suas equipas. A autoliderança é o primeiro dos 7 princípios de liderança abordados no “The New Leadership Playbook”.
O que é esta estrutura de liderança que está alicerçada nestes sete princípios?
Gosto de modelos e fórmulas, pois acredito que estas apuram a forma como encaramos as coisas e encontramos soluções para os nossos desafios. A estrutura de liderança deste livro é uma fórmula que afirma: expetativas claras multiplicadas pelo mindset certo e motivação, e multiplicadas depois pelos comportamentos corretos equivalem a resultados acelerados.
Tudo começa com expetativas claras. Se um líder não tiver uma ideia clara do que precisa de ser feito e porque é que tem de ser efetuado, as suas hipóteses de inspirar quem o segue serão muito diminutas. No entanto, quando existem expetativas claras, há uma mentalidade aberta que significa que os trabalhadores poderão muitas vezes trabalhar em como conseguir concretizá-las, bem como em efetivamente concretizá-las, no caso de terem responsabilidade sobre as mesmas.
Cada uma das 12 táticas do livro é um comportamento adequado e cada um destes comportamentos influencia os trabalhadores a investirem nos comportamentos certos para resultados rápidos.
Que exemplos nos consegue dar destes resultados rápidos?
O exemplo da empresa de Silicon Valley que me inspirou a escrever o livro. No início de 2020 a empresa tinha uma nova identidade e estava pronta para “atacar” o mercado. No entanto, a pandemia colocou um travão nos planos comerciais, visto que toda a gente estava a trabalhar a partir de casa. Ao terem-se focado em utilizar estes 7 princípios de liderança e as táticas, os líderes e gestores conseguiram construir uma cultura organizacional segura do ponto de vista psicológico, diversificada e inclusiva. A empresa acabou de registar dois trimestres recorde consecutivos e, portanto, a prova está no desempenho.
O Andrew tem clientes nos EUA, já esteve em Singapura e vive agora em Portugal. O que é que cada experiência lhe trouxe de valor para a área onde atua?
Deixei a minha terra natal, Inglaterra, aos 25 anos, para ir viver para a Austrália. Depois de viver e trabalhar em ambos os lados do país queimado pelo sol, fui para a Ásia, para Singapura. Em 2020, no auge da pandemia, comprei uma casa em Portugal, país que nunca tinha visitado.
Acredito que viajar expande a mente, abre horizontes e permite-nos ver as coisas com novos olhos e aceitar novas perspetivas. Se adicionarmos a isto uma dose de curiosidade pela história e cultura, teremos em mãos um potente antídoto para o pensamento “preto no branco”. O meu trabalho como autor, palestrante, coach e consultor C-Suite traduz-se em despertar as pessoas para novas formas de pensar, sentir e agir, de forma que estas sejam capazes de ver novas opções e procurar novas oportunidades. Para ser autêntico, pratico aquilo que prego.