Não há dúvida de que os colaboradores se assumem, hoje, como um recurso de elevada importância para as empresas. São eles que dão a cara pela empresa, que funcionam como ponto de contacto com os clientes, que dão vida à identidade da marca, que gerem os mais diversos dossiers e que, no final da cadeia, são responsáveis pela venda de produtos ou serviços.
Com efeito, esta perceção tem levado a que, de uma forma sistemática, se procure identificar as melhores práticas e tendências que permitam atrair e reter talento, aquele que realmente faz a diferença em mercados profissionais cada vez mais competitivos.
Mas será que, em Portugal, as equipas de recursos humanos e de marketing estão preparadas para responder a estas novas tendências?
A verdade é que o processo de seleção e recrutamento se tem tornado cada vez mais complexo. Hoje em dia, já não são apenas os empregadores que procuram os colaboradores perfeitos. Na hora de escolher o local onde querem trabalhar, também os candidatos valorizam um conjunto de aspetos – além do salário e da possibilidade de progressão na carreira – que tragam valor adicional à experiência de emprego.
Assim, o employer branding – uma tendência em crescimento no que aos recursos humanos diz respeito e que consiste na proposta de valor que o empregador consegue oferecer aos colaboradores – tem-se tornado numa das prioridades e conceitos-chave para as equipas de recursos humanos e de marketing das empresas.
Quanto melhores e mais diferenciadores forem os benefícios oferecidos – como, por exemplo, a possibilidade de trabalhar a partir de casa, a oferta de ginásio dentro da empresa, de folga no dia de aniversário ou de transporte público, entre outros –, maior será a capacidade da empresa para se destacar das demais.
Além da atração de talento, outro ponto importante para as empresas é, sem dúvida, a capacidade de implementar estratégias para motivar e premiar os colaboradores de forma contínua. Já para a organização, é crucial contar com trabalhadores que se sintam envolvidos, motivados e comprometidos com os projetos e ideais da empresa, colaboradores a quem deverão ser dadas perspetivas de futuro, desafios e possibilidade de crescimento pessoal e profissional. Só assim as empresas conseguirão reter o seu maior e mais importante recurso: as pessoas.
É, por isso, importante que se aposte numa segmentação eficaz das empresas, das ofertas de emprego disponíveis, na análise dos benefícios que as organizações oferecem ou nas feiras das feiras de emprego existentes de norte a sul do país. Em qualquer área ou setor, o segredo passa pela comunicação – interna e externa – e pela criação de critérios que permitam segmentar e facilitar a partilha de informação. No mundo das empresas e do talento, estas questões tornam-se ainda mais importantes, exatamente porque falamos de pessoas. Sigamos, por isso, um itinerário seguro e certeiro. Façamos do employer branding um GPS de sucesso.
O caminho poderá não ser apenas este. Mas o sucesso terá que passar por aqui!
Luís Sottomayor – Community director da Talent Portugal (comunidade de atração de talento e ponto de encontro entre candidatos, empresas e instituições)