Mais de um terço dos trabalhadores dizem sentir-se frequentemente exaustos no trabalho e um em cada quatro afirma estar sob pressão excessiva de forma regular. Os dados constam de um relatório do Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD). O estudo baseia-se nas respostas de 5.017 trabalhadores no Reino Unido, recolhidas em 2025, e analisa a relação entre condições de trabalho, saúde e taxa de retenção nas organizações.
A divulgação dos dados coincide com a chamada Blue Monday, expressão associada à terceira segunda-feira de janeiro e frequentemente evocada como o “dia mais triste do ano”. O conceito foi criado em 2005 pelo psicólogo Cliff Arnall, a pedido da agência de viagens britânica Sky Travel, no âmbito de uma campanha publicitária, recorrendo a uma fórmula pseudocientífica que combinava fatores como condições meteorológicas, dívidas pós-Natal e falhas nas resoluções de Ano Novo. Apesar de não ter base científica, a designação popularizou-se.
Segundo o relatório “Health and Wellbeing at Work 2025: Views of Employees”, 68% dos trabalhadores dizem ter experienciado pelo menos um problema de saúde nos últimos 12 meses, 16% classificam a sua saúde mental como “má”, enquanto 14% fazem a mesma avaliação relativamente à saúde física.
A ligação entre carga de trabalho e saúde mental surge de forma consistente nos resultados. Entre os trabalhadores que consideram ter uma carga de trabalho excessiva, 69% afirmam que o trabalho afeta negativamente a sua saúde mental. Entre os que se sentem frequentemente exaustos, a percentagem sobe para 75%.
Os problemas de saúde mental são os mais frequentemente mencionados. 43% dos trabalhadores indicam ter sofrido de ansiedade ou problemas de sono no último ano, enquanto 24% referem episódios de depressão.
Menor satisfação associada a intenção de saída
A perceção do impacto do trabalho na saúde mental reflete-se nos níveis de satisfação profissional. Só 37% dos trabalhadores que dizem que o trabalho prejudica a sua saúde mental afirmam estar satisfeitos, contra 93% entre os restantes.
A intenção de saída acompanha esta diferença: 54% dos trabalhadores que reportam um impacto negativo na saúde mental dizem ser provável que deixem a organização, comparando com 29% entre os restantes.
Regime de trabalho faz a diferença
O relatório identifica ainda diferenças relevantes consoante o modelo de trabalho. Os trabalhadores em regime híbrido apresentam indicadores mais favoráveis de saúde mental e física do que aqueles que trabalham exclusivamente de forma presencial ou totalmente remota.
Entre os trabalhadores em modelo híbrido, 66% classificam a sua saúde mental como positiva, face a 59% entre os que não têm acesso ao trabalho remoto.
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