Catherine Tanneau
MCC Coach & Presidente Activision International. Com 25 anos de experiência em consultoras como McKinsey, OC&C, M&A Manager e Strategy Marketing Director (Hachette – Grupo Lagardère). Exerce a profissão de Executive Coach há mais de 20 anos, tendo desenvolvido sistemas individuais e coletivos de aprendizagem combinando coaching e formação. Criou um programa de coaching acreditado pela ICF, neste momento presente em 3 Continentes (América, Àsia e Europa). Foi Presidente da ICF França de 2014 a 2015. Atualmente é Global Board Director na ICF Global.
Como é que o Coaching está a ajudar a gerir os novos desafios que se colocaram às empresas, desde o início da pandemia?
Desde o início da pandemia que observamos que o coaching se tem revelado um apoio eficaz para indivíduos, equipas e organizações. Por um lado, o coaching tem vindo a proporcionar às pessoas um espaço seguro para onde podem recuar, gerir o seu próprio stress e tomar decisões sob pressão e em situações de incerteza. Por outro lado, o coaching está a desempenhar um papel fundamental no suporte às transformações necessárias no mundo empresarial. Por último, mas não menos importante, os coaches têm também mostrado grande envolvimento junto das comunidades civis, com a oferta de muitas horas de coaching pro bono (gratuito).
De que forma é que o Teletrabalho veio afetar o desempenho das equipas e dos Líderes e como é que o Coaching pode ajudá-los a desenvolver o trabalho coletivo trabalhando à distância?
As atividades relacionadas com o coaching são consideradas[1] as de maior utilidade para a realização de iniciativas de gestão da mudança. O teletrabalho trouxe, de facto, grandes mudanças e desafios. Como manter a eficácia e a coesão das equipas num mundo digital? O coaching de equipas remotas ou híbridas (online e offline) melhora os relacionamentos entre os membros de uma equipa, o funcionamento da equipa e a cooperação. Alguns dos impactos observados incluem um aumento da inteligência emocional e dos laços sociais, bem como maior envolvimento e produtividade por parte dos funcionários.
As organizações com uma forte cultura de coaching apresentam mais do dobro das probabilidades de serem organizações de alto desempenho. O coaching desempenha um papel fundamental na hora de fazer face a estes desafios.
Qual tem sido o papel do Coaching junto da sociedade civil, durante a crise pandémica?
Como foi dito anteriormente, observámos um enorme envolvimento dos coaches no apoio à sociedade civil durante a pandemia. Foram oferecidas vários milhares de horas de coaching pro bono aos profissionais de saúde e trabalhadores da linha da frente do combate à crise sanitária… Os coaches tiveram também grande impacto com a oferta de horas pro bono através de ONG: as iniciativas da Fundação ICF tocaram mais de 10 milhões de vidas nos últimos 2 anos.
De que forma é que a indústria do Coaching se alterou com o surgimento da Pandemia?
De acordo com os maiores estudos de sempre sobre o setor do coaching (ICF e PWC), a profissão de coach cresceu significativamente nas últimas décadas (+15% por ano, em média). No entanto, durante a crise pandémica, as receitas associadas ao coaching diminuíram, ao passo que a procura permaneceu estável ou registou um ligeiro aumento. O coaching prestado através de plataformas de áudio/vídeo cresceu substancialmente, chegando a 90% do total de horas de coaching. Antecipamos que, no final da pandemia, se verifique uma procura crescente de coaching coletivo, associada a uma procura generalizada de propósito e bem-estar no local de trabalho.
O GCS2020 foi concluído 4 semanas antes da OMS declarar a Pandemia. Os Coaches estavam preparados para esta mudança?
Sejamos humildes, nenhum de nós estava preparado para tamanha crise... Apesar de os coaches terem estado sujeitos a ansiedade e stress, como qualquer outra pessoa, possuem determinadas competências e ferramentas para acompanhar a transformação. Conseguem facilitar qualquer processo de mudança através das etapas habituais: choque, negação, raiva, negociação e depois aceitação e adaptação. Os coaches adotaram medidas de autocuidado e proporcionaram espaços seguros para dar voz aos seus clientes e às comunidades. Existem coaches internacionais que já estavam habituados a prestar coaching à distância e transitaram facilmente para as plataformas online. No entanto, o setor do coaching ainda não está, em geral, muito digitalizado, encontrando-se presentemente a investir em tecnologia, com algumas plataformas de coaching a emergir como atores globais. Os coaches terão de investir em si próprios, a fim de criarem um negócio que seja sustentável no futuro.
Afirmou, num artigo recente que “o Coaching pode atuar como um amortecedor diante das novas formas de trabalho híbrido que se estão a desenvolver”, quer explicar-nos de que forma isso pode ser feito?
Antecipa-se que as formas de trabalho híbridas venham a constituir o novo normal (on e offline), com novas expectativas em termos de responsabilidade e DEJI[2] (Diversidade, Equidade, Justiça e Inclusão). O coaching trata do desenvolvimento de pessoas e grupos no sentido de encontrarem as suas próprias respostas. As competências de coaching são uma resposta adequada às novas formas de gestão atualmente necessárias: proporcionam capacidade de escuta, um ambiente de cooperação e inteligência emocional, aumentam a criatividade e o sentido de responsabilidade.
De que forma é que o Coaching pode trabalhar ao lado das pessoas, empresas e organizações e ao mesmo tempo contribuir para dar resposta aos enormes desafios humanitários e ambientais?
Esta pandemia mostrou que ninguém é capaz de enfrentar sozinho os atuais desafios do nosso planeta (digitais, ambientais, sociais e económicos). A necessidade de mudanças sistemáticas é urgente e figurou na agenda do Fórum de Davos[3]. “73% dos consumidores de todo o mundo estão dispostos a mudar os seus hábitos de consumo a fim de reduzirem o seu impacto sobre o ambiente” (Nielsen). Isto irá acelerar a mudança. Um em cada 2 líderes já experimentou ou irá experimentar o coaching num futuro próximo. Muitas empresas estão a desenvolver uma cultura de coaching para promover o bem-estar laboral e proporcionar um ambiente inclusivo. São cada vez mais os líderes a utilizar o coaching como competência para o desenvolvimento de uma liderança sustentável: compassiva, dotada de propósito e responsável. A vasta maioria dos coaches acredita que o coaching é capaz de influenciar a transformação social, com um efeito cascata sobre os desafios da humanidade na próxima década ou mais além.
Apêndice #1 : 10 áreas em que os coaches precisarão de investir no futuro próximo
- Colocar em ação o que afirmam, com um forte sentido de ética (novo código de ética da ICF)
- Expor as suas competências de coaching e formação recebida
- Reforçar a competência-chave #2: mentalidade de coaching
- Criar os seus próprios casos de negócio, com atenção ao ROE (retorno sobre o capital próprio)
- Comunicar o impacto e a credibilidade do coaching
- Desenvolver competências em coaching e facilitação de equipas
- Investir em tecnologia
- Desenvolver atividades de coaching pro bono para geração de impacto social
- Desenvolver hábitos de autocuidado e bem-estar
- Manter contacto com a sua comunidade profissional: importar-se e cuidar!
Apêndice #2: Benefícios do coaching
Para a organização
- 70% dos envolvidos relatam um aumento do desempenho profissional
- 61% de melhora na gestão operacional
- 57% de melhora na gestão do tempo
- 51% de melhora na eficácia das equipas
Para os funcionários
- 80% de melhora na confiança
- 73% de melhora nos relacionamentos
- 72% de melhora nas competências comunicacionais
- 67% de melhora no bem-estar no trabalho
Apêndice #3: Impacto 360° do coaching coletivo
- Alterações comportamentais sustentáveis
- Maior autoconhecimento e da lucidez
- Liderança mais eficaz, com maior impacto no ecossistema
- Maior mobilização coletiva e desempenho das equipas
- Criação de equipas inclusivas e diversificadas
- Melhora da cooperação interdisciplinar
- Promoção da justiça e da igualdade
- Criação de ambientes profissionais dotados de propósito
- Contribuição para a transformação social e impacto positivo na sociedade (ONG, iniciativas de fundações)
- Reforço do autocuidado e do bem-estar no trabalho
Apêndice #4: Tendências holísticas no setor do coaching:
- Chegada do Big Data ao coaching,
- Aumento da procura de serviços de coaching nas organizações e coaching coletivo com KPIs, p. ex. processos de mudança LEAN/AGILE,
- Coaching para o bem-estar – autocuidado e humanização do local de trabalho,
- Coaching para a transformação social e de objetivos; Diversidade, Equidade, Justiça e Inclusão (DEJI)
Apêndice #5: seis elementos para uma cultura de coaching.
- Funcionários que valorizam o coaching
- Executivos de topo que valorizam o coaching
- Gestores e líderes que usufruem de serviços específicos de um coach credenciado.
- O coaching como rubrica orçamental dedicada e
- Acesso dos funcionários ao coaching
- Utilização ativa das três modalidades do coaching (próximo slide)
[1] Com base em estudos conduzidos pela ICF, nos últimos anos, com a PWC e HCI
[2] DEJI significa Diversity, Equity, Justice and Inclusion — em português, Diversidade, Equidade, Justiça e Inclusão.
[3] “A Agenda de Davos é uma mobilização pioneira de líderes globais com o objetivo de moldar os princípios, políticas e parcerias necessárias neste novo e desafiante contexto. É essencial que os líderes trabalhem em conjunto para um futuro mais inclusivo, coeso e sustentável, o mais cedo possível em 2021. Foram assinalados 4 desafios:
Ansiedade sobre a segurança do emprego | Mudança nas rotinas | Isolamento e solidão no trabalho | Desafios ao equilíbrio trabalho/vida