O novo estudo da McKinsey & Company “The Great Attrition is making hiring harder. Are you searching the right talent pools?” identifica grupos distintos de trabalhadores com prioridades variadas, bem como as abordagens multifacetadas que as empresas devem adotar para atrair e reter talento.
Desde 2021, e apesar das mudanças significativas na economia, a percentagem de trabalhadores que planeia deixar os seus empregos mantém-se inalterada em 40%. Segundo a amostra do inquérito realizado pela McKinsey, que incluiu mais de 13 mil trabalhadores em seis países, dois em cada cinco inquiridos afirmaram estar a ponderar deixar os seus empregos nos próximos três a seis meses.
“Os trabalhadores estão a mudar de empregos e setores, a passar de funções tradicionais para não tradicionais – trabalho temporário, como freelancer ou a tempo parcial a reformar-se cedo ou a iniciar os seus próprios negócios. Estão a fazer uma pausa para cuidar da sua vida pessoal ou tirar licenças sabáticas. Com o impacto da pandemia de COVID-19, cada vez mais pessoas têm reavaliado o que querem de um emprego – e da vida –, o que está a levar a que um grande número de trabalhadores ativos e potenciais estejam a fugir ao caminho tradicional”, refere André Osório, manager do Client Capabilities Hub da McKinsey em Lisboa.
Os dados referentes a este último ano mostram que:
- 48% dos trabalhadores estão a demitir-se e a mudar para outras empresas em setores diferentes;
- Dos trabalhadores que se demitiram sem perspetivas de um novo emprego, 47% optaram por regressar à força de trabalho. Contudo, apenas 29% regressaram ao emprego tradicional a tempo integral;
- Muitas pessoas estão a demitir-se não por terem em vista outro emprego, mas devido às exigências da vida – precisam de cuidar de crianças, de idosos ou de si próprios.
Segundo o estudo, líderes pouco preocupados e pouco inspiradores são das maiores razões pelas quais as pessoas deixaram os seus empregos, juntamente com a falta de desenvolvimento de carreira. A flexibilidade, por outro lado, é um dos principais motivos para permanecer.
Com este cenário, as empresas já não podem assumir que conseguem preencher as vagas com trabalhadores semelhantes aos que saem. Globalmente, apenas 35% dos profissionais que se demitiram nos últimos dois anos aceitaram um novo emprego no mesmo setor. Nas finanças e seguros, por exemplo, 65% dos trabalhadores mudaram de setor ou não regressaram ao mercado de trabalho. No setor público e social, o êxodo foi ainda maior, com 72%. Nas viagens, na saúde e no retalho – setores fortemente atingidos durante a pandemia –, pelo menos 18% dos inquiridos que abandonaram os seus trabalhos estão a optar por renunciar totalmente ao emprego.
Para ajudar a resolver o problema da demissão e da atração de talento a longo prazo, o estudo da McKinsey identifica cinco perfis de trabalhadores a que as empresas devem estar atentas
- Os tradicionalistas: são pessoas orientadas para a carreira, motivadas a trabalhar a tempo inteiro para grandes empresas em troca de um pacote competitivo de compensação e benefícios, um bom cargo, estatuto na empresa, e progressão na carreira. São pessoas mais fáceis de encontrar através de estratégias de recrutamento comuns, no entanto não existem em número suficiente.
- Os “faça-você-mesmo”: estes indivíduos, com idades compreendidas entre os 25 e os 45 anos, correspondem à maior percentagem de inquiridos e valorizam a flexibilidade acima de tudo. Ao longo da pandemia, com o stress relacionado com a carga de trabalho, gestores tóxicos, um desejo de autonomia e um sentimento de não ser apreciado, muitos sentiram a necessidade de procurar algo diferente. Atrair estas pessoas pode ser difícil, pelo que as empresas devem proporcionar-lhes a liberdade por que anseiam e um sentido de propósito, bem como um apelativo pacote de compensação.
- Os cuidadores e outros: os membros deste grupo também são motivados pela flexibilidade no local de trabalho, ao mesmo tempo que valorizam o apoio à saúde e bem-estar dos empregados, sem esquecer o desenvolvimento da carreira. A faixa etária predominante situa-se entre os 18 e os 44 anos, com mais mulheres do que homens, e muitos são pais ou outros cuidadores. As empresas podem cativar este grupo com opções de tempo parcial, semanas de trabalho de quatro dias, horários flexíveis, ou pacotes de benefícios alargados.
- Os idealistas: entre os 18 e os 24 anos, muitos são estudantes ou trabalhadores a tempo parcial. Estando a maior parte das vezes livres de dependentes, hipotecas e outras responsabilidades, este grupo enfatiza a flexibilidade, desenvolvimento da carreira e uma comunidade de pessoas de confiança e que ofereçam apoio. Para os atrair, as empresas têm de oferecer flexibilidade, mas também investir no seu desenvolvimento e criar uma forte cultura organizacional, que valorize a diversidade e o propósito.
- Os descontraídos: Em contraste com os anteriores, este grupo integra, na sua maioria, pessoas com reformas antecipadas e reformados em idade normal, que ainda podem ter muitos anos produtivos, representando o maior segmento da força de trabalho latente. Estes indivíduos vão querer mais do que a tradicional proposta de valor para serem atraídos de volta à força de trabalho, valorizando o propósito da
sua função. As organizações não têm procurado estes trabalhadores experientes como poderiam, mas devem considerar a possibilidade de chegar a um acordo para os reconquistar.
“As empresas devem continuar a valorizar os seus ‘tradicionalistas’, mas precisam de olhar mais além e construir propostas de valor que girem em torno da flexibilidade, benefícios de saúde física, mental, social e espiritual, uma forte cultura empresarial e diferentes formas de progressão na carreira. Estes profissionais estão disponíveis, em maior número do que antes, e podem ser aliciados com propostas de valor mais criativas e personalizadas”, refere André Osório, acrescentando que “as organizações com melhor performance estão a transformar a ‘Grande Demissão’ em ‘Grande Atração’ através da inclusão”.
Siga-nos no LinkedIn, Facebook, Instagram e Twitter e assine aqui a nossa newsletter para receber as mais recentes notícias do setor a cada semana!