“Não existe comunicação interna ou externa, existe comunicação, ponto!”, foi uma das ideias chave deste evento sobre comunicação interna.
No dia 14 de janeiro a “Comunicação Interna: informar, envolver, mobilizar!” foi tema de conversa, no Sana Malhoa Hotel. O evento organizado pela Stanton Chase trouxe às 150 pessoas presentes um vasto painel de oradores, que deram dicas, apresentaram desafios de como deve ser feita a comunicação interna dentro das empresas.
Carlos Sezões, partner da Stanton Chase e moderador do evento, afirma que “a comunicação interna é uma área estratégica e que dela depende essencialmente grandes variáveis como a estratégia e ação e a mobilidade e o engagement do compromisso dos nossos colaboradores.”
José Bancaleiro managing partner da Stanton Chase, deu as boas vindas a todos os presentes, e salientou que “uma empresa com uma boa comunicação tem 70% de hipóteses de bater os seus concorrentes”.
Não deixou em branco, a importância do Employer Branding, onde promover a marca da empresa é muito importante, para passar internamente e externamente que a organização é uma ”great place to work”.
Depois de algumas ideias iniciais, Isabel Borgas, diretora de comunicação da NOS foi a primeira a subir ao palco desta conferência. Segundo a mesma, vive-se num contexto de mudança acelerada, onde está presente um:
- Desafio geracional;
- Desafio de globalização;
- Desafio tecnológico.
Como exemplo, trouxe a fusão entre a Optimus e a Zon, onde mostrou como integrar mais de 3000 pessoas no mesmo espaço e fazê-las funcionar como uma equipa. “É preciso ouvir”, salienta diretora de comunicação. Partindo dessa máxima, fez dos colaboradores peças chave da fusão. Exemplo disso é a escolha do nome da marca, sugerida pelos colaboradores.
Para além disso, realizou ”uma caça ao piolho”, onde os colaboradores colocavam tudo o que tivesse a ver com as marcas antigas, desde canetas até autocolantes dentro de uma caixa. “E tudo isto num fim de semana. Na segunda-feira os trabalhadores chegaram e tinham um kit NOS à sua espera”, afirma Isabel Borgas.
Ao som de Don’t Stop me Now acabou a sua apresentação com um vídeo feito pelos colaboradores da empresa.
Catarina Ramalho communication manager da Novartis foi a próxima a apresentar o seu testemunho. Sendo uma empresa em que o cliente final é o doente torna-se mais fácil os colaboradores sentirem-se motivados, pois as suas ações mudam e salvam vidas. Contudo, não se pode esquecer que nem todos os departamentos tem uma proximidade com o doente, o que torna as coisas mais complexas.
Sendo assim, a Novartis desenvolve várias ações de motivação dos colaboradores. É exemplo disso, o programa Be Health, onde os colaboradores têm acesso a benefícios de saúde, rastreios, sessões de esclarecimento e workshops de alimentação.
Para além disso, com intuito de reconhecer o trabalho entre colegas a Novartis organizou a iniciativa dos 12 Pins. Esta ação consiste em que cada colaborador, detentor de 12 pins, pudesse eleger o colega mais indiciado a cada categoria. Uma ação de sucesso, pois “no dia a dia tinham orgulho em andar com a sua fita com os seus pins”, relembra Catarina Ramalho.
Joana Garoupa, corporate and marketing communications director da Siemens foi o último testemunho do primeiro painel. Revela que “há poucas diferenças entre a comunicação interna e externa”. Sendo assim, a Siemens assume uma forte aposta no mobile, tendo em conta que quase todos os seus colaboradores têm um smartphone. E como usam o mobile? Utilizam as aplicações mobile, como para conferências internas, assim como os webinars live, para dar a oportunidade de os colaboradores fazerem perguntas sobre determinados temas.
Não vê apenas importância no canal de comunicação, mas como se comunica. Por isso, a Siemens prima por uma comunicação transparente. ” E isso significa noticiar coisas boas e coisas más, como despedimentos”, exemplifica Joana Garoupa. “Assim é mais fácil ter as pessoas envolvidas”, acrescenta.
Terminado o primeiro painel, de seguida falou-se sobre o impacto dos novos media, especialmente as redes sociais, nas empresas. Carla Pereira, directora de marketing e comunicação da Chronopost afirma que o “desafio é explicar às pessoas que elas são a montra da empresa. E que não existe diferença entre a comunicação interna e externa.”
Contudo, tem de haver um equilíbrio nos conteúdos publicados. Neste tópico Nuno Leite, account director da Hill+Knowlton, salienta que “as pessoas esquecem-se do eu profissional [em função] do eu pessoal”. Acrescenta que o senso comum é fundamental para distinguir o que se deve publicar ou não. Sendo assim, estabelecer um código de conduta nas redes sociais é apresentada por este como uma solução.
O evento apresentou também alguns exemplos de más práticas empresariais nas redes sociais, como foi o caso da Sumol e EDP.