Face ao contexto exigente e altamente dinâmico do mercado de trabalho atual, o desenvolvimento de power skills assume um papel central na estratégia das empresas. Foi este o foco do Webinar “Powerskills em Ação: Casos Reais e Ferramentas que Fazem a Diferença”, promovido esta quinta-feira, 10 de julho, pela RHmagazine, com o apoio do ISQe.
Moderada por Ana Pinto, Diretora de Conteúdos do IIRH, a sessão reuniu Filipe Seixas, Business Developer Director do ISQe, Ana Vitoria, Gestora de Formação da Leroy Merlin, e Márcio Silva, Operations Director da ISQe. Através da partilha de casos reais e da apresentação de soluções tecnológicas, os oradores exploraram formas de desenvolver power skills, implementar estratégias, superar desafios e gerar impacto real nas organizações.
O Business Developer Director do ISQe começou por sublinhar que power skills não são apenas soft skills com outro nome. São competências aplicados com impacto direto na performance. Filipe Seixas referiu que as soft skills são frequentemente desalinhadas com as dinâmicas do negócio. “São mais genéricas.” Acrescentou que “a realidade das power skills acaba por ser um aglomerar de competências”. Por esse motivo, não basta formar pessoas. É necessário desenvolver capacidades críticas, relevantes e “medir aquilo que vamos progredindo ao longo do tempo”.
Filipe Seixas antevê o aparecimento de novos perfis impulsionados pelas transformações tecnológicas. Um desses exemplos é o de Digital Experience. Isto é, alguém que compreende o ecossistema de plataformas da empresa e tem uma visão orientada para o uso da inteligência artificial com propósito.
Do lado da Leroy Merlin, Ana Vitória destacou a urgência em gerir skills, sobretudo em ambiente de crescimento ou transformação. “É fundamental”, afirmou, lembrando que, durante algum tempo, esta prática foi deixada de lado. Contudo, o cenário mudou: “O ritmo alucinante que temos atualmente, o desenvolvimento constante, a aceleração das aplicações e do próprio consumo faz com que as empresas tenham de ter velocidade, flexibilidade e uma agilidade na gestão do talento muito maiores”.
Para a Gestora de Formação da Leroy Merlin, a gestão de competências não deve ser encarada como uma responsabilidade exclusiva dos RH. “O manager deve saber gerir o seu talento e perceber efetivamente o que é preciso hoje, mas também o que é preciso para amanhã e como é que se prepara o talento na equipa.” E o colaborador, por sua vez, precisa de clareza sobre o seu percurso: “Onde quer chegar, onde está hoje e como irá fazer esse caminho”. “É uma preocupação muito nossa que isto não seja uma linguagem RH e que não seja vista como uma ferramenta de RH, mas sim da organização”, reforçou.
Quando questionada sobre uma eventual resistência na adoção deste modelo por competências, foi perentória: “É real, mas é um percurso”. Na Leroy Merlin, o processo começou pelas competências comportamentais, alinhadas com os valores da empresa. O passo seguinte foi ligar essas competências ao desenvolvimento individual. “Atualmente, temos todo o catálogo de formação mapeado nas nossas competências e o próximo passo que queremos dar é adicionar as competências profissionais e ligar à evolução de carreira.”
“O segredo”, disse, “está em avançar por etapas que sejam realistas”. “Estes passos progressivos ajudam o colaborador a assimilar, por ‘degraus’, como é que isto entra no seu dia a dia e no seu desenvolvimento profissional. Creio que esse é o grande segredo. Não ir com modelos robustos, que depois o colaborador não consegue perceber para que servem.”
Tecnologia que facilita (e não atrapalha)
Reconhecendo os diferentes níveis de maturidade das empresas, Ana Vitória resumiu o caminho percorrido pela Leroy Merlin: “É importante definir, enquanto empresa, onde é que nós queremos chegar. As nossas competências retratam muito quem somos e sem isso não se consegue identificar quais são as competências críticas que vão ditar como é que nós trabalhamos.” “É importante não deixar ‘escrito na pedra’. A empresa evolui, as funções evoluem e cada vez mais há reestruturações que implicam olharmos para o trabalho de forma diferente”, acrescentou. “Há que perceber quais são as principais dores da organização no momento e não seguir um percurso estandardizado porque as empresas são diferentes.”
Por sua vez, Márcio Silva, Operations Director da ISQe, entende que “o maior cuidado que as organizações devem ter é não acrescentar tecnologia como mais uma camada de complexidade”. Ou seja, “a tecnologia tem de ser vista como algo que seja facilitador”.
Destacou que o sucesso da tecnologia depende da integração prática das ferramentas na rotina de trabalho. O envolvimento das pessoas é essencial, uma vez que “a participação leva à adesão”. Depois, é necessário garantir que “a tecnologia resolve problemas reais – de produtividade e de colaboração”. “O digital não substitui o humano. Só o amplia”, realça.
Assista ao Webinar em: https://www.youtube.com/watch?v=4WR1qcuBi_0
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