O
s mercados de trabalho da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) continuam a demonstrar resiliência, mas o envelhecimento da população trará inúmeros desafios, incluindo escassez significativa de mão-de-obra e pressões fiscais, alertou esta quinta-feira, 10 de julho, a entidade.
“Os mercados de trabalho da OCDE continuam resilientes: as taxas de emprego aumentaram ainda mais no ano passado para 72,1% na média dos países da OCDE, o nível mais elevado desde pelo menos 2005”, afirma o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, em comunicado, relativamente ao relatório das perspetivas de emprego na OCDE.
Segundo o relatório, o número total de pessoas empregadas nos países da OCDE atingiu os 668 milhões em maio deste ano, um crescimento de cerca de 26% desde 2001. As projeções apontam para um aumento de 1,1% em 2025 e de 0,7% em 2026.
Já a taxa de desemprego situava-se, em maio, nos 4,9%, prevendo-se que se mantenha próxima deste valor até 2026. A taxa de desemprego foi 0,5 pontos percentuais superior entre as mulheres em comparação com os homens. Ainda assim, entre o primeiro trimestre de 2024 e o de 2025, a taxa de emprego das mulheres aumentou, em média, mais 0,2 pontos percentuais face à dos homens.
Na edição deste ano, a OCDE alerta também que o declínio das taxas de natalidade e o aumento da esperança de vida estão a alterar profundamente a composição da força de trabalho. “O envelhecimento populacional deverá conduzir a uma escassez significativa de mão-de-obra e a pressões fiscais. Estimamos que, até 2060, a população em idade ativa diminua 8% na OCDE e as despesas públicas anuais com pensões e cuidados de saúde aumentem 3% do PIB”, alerta.
O relatório prevê que em cerca de um quarto dos países da OCDE, a população em idade ativa possa cair mais de 30% até 2060. Mais: a taxa de dependência dos idosos – que era de 19% em 1980 – subiu para 31% em 2023 e poderá atingir os 52% até 2060.
Salários reais recuperam, mas…
Face a este cenário, a OCDE sinaliza a necessidade de medidas políticas ambiciosas que melhorem o aproveitamento do potencial de trabalho entre os mais velhos, promovam a participação de mulheres e jovens no mercado laboral, e reativem o crescimento da produtividade, com destaque para a capacitação dos trabalhadores face aos avanços na inteligência artificial. “Sem uma ação política decisiva, o crescimento do PIB per capita diminuirá cerca de 40% na área da OCDE – de 1% ao ano em 2006-19 para 0,6% ao ano em 2024-60, em média.”
Para já, a OCDE ressalva que os mercados de trabalho continuam resilientes. Contudo, nota sinais de abrandamento, atribuídos às incertezas geopolíticas e comerciais que prejudicam a atividade económica. Os salários reais estão a crescer na maioria dos países da organização, mas continuam abaixo dos níveis observados no início de 2021 (um pouco antes do aumento da inflação pós-pandemia), em cerca de metade deles.