Podemos dar as voltas que quisermos, mas se não assumirmos que temos problemas de gestão em muitas das nossas Organizações, dificilmente o nível de desenvolvimento do País será efetivo. Nem sequer estamos a falar de falta de competências de gestão. Falamos essencialmente em fazer as coisas certas no momento certo, partindo de uma análise das condições de realização produtiva e as melhores vias de uma prática objetiva e coerente.
Muitas vezes, até por falta de condições, deixámos que muitas assimetrias se consolidassem. Não é tão só assimetrias regionais, mas também assimetrias de acesso a oportunidades na maioria do tecido empresarial. Sem dúvida que se registam algumas evoluções, mas demasiado lentas para fazer face aos desafios atuais. Há uma aceleração clara proporcionada pela transição digital e pela transição verde, que está a colocar pressão na maioria das Organizações, independentemente da sua dimensão. E se algumas estão mais preparadas para se transformarem, outras nem sequer sabem como fazer. E aqui, sim, há que capacitar as Organizações e as Pessoas.
Daí que o confronto para se acompanhar a evolução aumente despesas, exija uma forte capacidade de planeamento, maior interiorização de um propósito e de desenho estratégico de crescimento, assim como o ultrapassar de uma forte desmotivação pela incapacidade do “e agora, como mudar?”.
Estes são, no fundo, os típicos problemas com que a gestão se confronta: financeiros, planeamento, estratégia e… Pessoas. Financeiramente, até existem alguns apoios e incentivos que, com mais ou menos, dificuldade se podem obter. Quanto ao planeamento e a estratégia, até se pode conseguir algum suporte técnico externo, mas e as Pessoas? O ISQ Academy tem estado no Mercado, envolvido na valorização de toda a Cadeia de Valor Organizacional, quer em termos de consultoria, como de formação.
Ao analisarmos estudos recentes, existe informação para todos os “gostos”. Uns apontam falta de Talento, outros apontam de forma mais genérica falta de mão de obra, não só qualificada, mas muito, também, não qualificada. Outros afirmam que o problema se situa em carências específicas de algumas competências e outros, ainda, que existem lacunas regionais ou em setores de atividade específicos. Há uma verdade inquestionável: Para que serve tanta e tão rica informação, se não se tomarem medidas? E aqui voltamos a uma dicotomia que não desejamos que aconteça: É responsabilidade de quem governa o País, ou é a responsabilidade de cada Organização?
Logicamente que só deveria existir uma resposta – a responsabilidade é comum, cada um na sua área de responsabilidade, para executada de forma articulada. Certamente que no ponto em que estamos, nada se resolve de um dia para o outro. Mas que bom seria começarmos. Há problemas estruturais que são prementes, em particular no seu ponto de partida – a Educação. Mas também na segurança e bem estar – a Saúde.
Confrontamo-nos com notícias e factos reais de que a cabimentação financeira para estes dois setores tem vindo a aumentar nos últimos anos. Ótimo! Mas e os resultados? Porque não um desígnio nacional de quem governa e de quem legisla, mas também dos atores e agentes? E, no fundo, de todos nós.
Historicamente, estamos sempre prontos para enfrentar desafios, mas com um apetite muito grande para darmos grandes e emblemáticas respostas em momentos particularmente difíceis ou sob pressão. Há quase que um propósito de ação com valor pelo risco e pelo stress. O problema maior, curiosamente, é justamente no fim da linha aparecerem resultados positivos. E como é positivo… mantemos!
Mas há sempre um… mas! Estamos num registo global de maior incerteza, altamente condicionados pelos eventos internacionais, sejam de conflitos, sejam até ambientais. Estamos perante uma nova geração que se preocupa com um estilo de vida diferente. Percebemos, por outro tipo de estudos, que os problemas de saúde mental estão galopantes derivados de todos estes impactos.
Considerarmos, pois, que iremos sempre resolver tudo com base na criatividade e que a adrenalina nos traz soluções é de um risco que podemos não conseguir gerir. Estamos nitidamente a atingir um limbo preocupante, avançando com soluções de recurso para que problemas estruturais se resolvam em curto espaço de tempo.
Logicamente, algo tem de ser realizado no imediato, mas há que considerar um esforço acrescido e simultâneo de definição estratégica, de planeamento, com definição de um propósito com perspetivas para o crescimento. Sem isto, continuaremos a “despejar” dinheiro sobre os problemas e a não conseguir obter compromisso das Pessoas.
É muito claro em Gestão de Pessoas: Sem rumo, sem orientações claras, sem condições de atingimento de um bem estar profissional e pessoal, não se fará face às exigências de qualquer transformação e deixar-se-á para as gerações vindouras um ónus demasiado pesado. Exige-se uma forte coesão, entre quem governa, as organizações e as Pessoas.
É fácil? Não, mas é possível. Há que existir a coragem de se perceber que os riscos existem e que o mais importante não é ganhar Poder – o mais importante é um compromisso com o bem estar das Pessoas. A partir daí, a motivação e o contributo para mais e melhor existirá.