Decorreu no Fórum Tecnológico de Lisboa a 1ª edição da Conferência “Saúde Mental: Cuidar da Mente é investir nas empresas”, um evento de formação, conhecimento e networking dedicado a temas relacionados com a saúde mental dos colaboradores das empresas.
A conferência reuniu mais de 230 profissionais de diferentes áreas de atividade e diversas funções, no auditório da Lispolis, em Lisboa. Nesta manhã discutiram-se, entre outros temas, como os problemas de saúde mental afetam a produtividade das empresas em Portugal e como se podem implementar soluções práticas para apoiar os colaboradores.
A 1ª edição da Conferência “Saúde Mental: Cuidar da mente é investir nas empresas” contou com o apoio da TEAM 24.
“A prevenção é o melhor remédio”
A sessão de abertura do evento foi presida por Maria Fernanda Campos, Inspetora-Geral da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). A ACT é uma instituição que conta com mais de 500 inspectores.
Maria Fernanda Campos, apontando a diversidade da linguagem e a importância de salientar as diferenças de cada um, afirmou que a saúde mental é importante para todos, com impacto no dia a dia, quer para trabalhadores, quer para os responsáveis.
“A missão da ACT foca-se na melhoria das condições de trabalhos”, explica Maria Fernanda Campos. A Inspectora Geral do Trabalho indicou os instrumentos que a ACT utiliza no seu funcionamento, de acordo com o que é garantido na lei.
“É nossa obrigação promover informação sobre a melhor forma de dar cumprimento à legislação laboral, o patamar mínimo para que tudo funcione em consideração a uns pelos outros. As pessoas podem procurar informação junto de nós sobre quaisquer dúvidas do ponto de vista laboral (o dever de informar) e sobre a parte inspectiva. Caso as empresas tenham um nível de irregularidade elevado, fazemos um aviso de notícia e fiscalizamos”, elenca Maria Fernanda Campos.
Durante a intervenção, também sublinhou que recai sobre o empregador a responsabilidade das condições de trabalho e os riscos que o colaborador está a correr no seu trabalho. No caso do trabalhador, o mesmo tem o dever de colaborar e participar com as chefias e tem o dever de sinalizar o que se pode fazer melhor.
“A ACT faz tudo o que seja possível para garantir que exista abertura e a garantia das condições do trabalho. Avaliação de risco ou a consulta aos trabalhadores (ambiente sem medo ou repressão) são alguns dos nossos objetivos”.
O papel de averiguar e garantir na progressão e consciencialização das relações de trabalho também são responsabilidades da ACT. “Vários fatores podem afetar a saúde mental, tornando-se importante identificar esses fatores”, diz Maria Fernanda Campos.
O risco de isolamento, falta de identidade, discriminação negativa são alguns dos riscos associados a um ambiente de trabalho negativo ou tóxico. “Têm que se tornar visível estes estigmas e mitos, especialmente na saúde mental”, diz Maria Fernanda Campos.
“A prevenção é o melhor remédio”, sublinha Maria Fernanda Campos.
Terminou com um pedido de colaboração, e apelou a que as empresas estabeleçam melhores relações com os representantes dos colaboradores, de forma a fomentar o diálogo. “Fazer com que a gestão integre todos estes processos na rotina diária. O que é bom para o trabalhador, é bom para o negócio”.
“Trabalho. Com ou sem Saúde Mental, eis a Questão?”
Seguimos com a intervenção de Sónia Pinote Bernardes, Psicóloga Especialista Responsável pela área da Saúde Mental na Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, que apresentou o tema “Trabalho: com ou sem Saúde Mental”.
Sónia Pinote Bernardes começou por apontar a heterogeneidade da sala, que revelou a importância da saúde mental em diferentes contextos de trabalho.
“Desde o início da nossa existência que o trabalho apareceu como uma divisão natural cooperativa, recolector das necessidades e adaptado ao sexo e à idade”, afirmou. De seguida, a psicóloga também apresentou a definição de trabalho para o Chat GPT, complementando com o conceito de um mundo frágil, ansioso, não linear e incompreensível.
“No entanto, existem muitas perspetivas sobre estas circunstâncias. Eu vou apontar uma. De um lado positivo, temos mais abertura. De um lado negativo, temos práticas opressivas, discriminação, assédio, falta de colaboração entre chefias e colaboradores. Tudo isto, tem impacto na saúde mental”, elenca Sónia Pinote Bernardes.
Indica que são sintomas que geram comportamentos que podem causar ambientes tóxicos e que afetam a produtividade e a eficiência individual, nas equipas com consequências devastadoras nas empresas.
Estabelecendo um paralelo com a função de um profissional de saúde, Sónia Pinote Bernardes diz ser fulcral assegurar as necessidades fisiológicas como forma de assegurar o bem-estar mental e físico (ex. dormir bem, tomar o pequeno almoço, entre outras).
A exaustão emocional e os conflitos laborais são as consequências diretas para os trabalhadores, na empresa o impacto é a quebra da sustentabilidade económica.
“A Organização Mundial da Saúde estima que a nível mundial perdem-se 12 mil milhões de dias de trabalho por ano devido à depressão e à ansiedade, com um custo de mais de 905 milhões de euros por ano em perda de produtividade“, sublinha. Refere as formas como lidamos com as nossas emoções como fatores que afetam as comunidades em que nos inserimos. “Reforço o contributo do trabalho remoto, fenómeno que ainda está a ser estudado por especialistas e legisladores”.
Após contar a história do seu processo profissional, Sónia Pinote Bernardes falou de alguns fatores associados à saúde mental que prejudicam os trabalhadores e os seus ambientes. “Doenças musco esqueléticas, discriminação são as mais referenciadas”. Para controlar o risco, apontou inquéritos internos como a melhor forma de prever o declínio da saúde mental.
“As consequências também as sabemos. Vale a pena estar a por tanta pressão para termos um ataque cardíaco e, consequentemente, perdermos tudo?”
Para terminar, referiu: “É tempo de uma gestão conjunta, setor privado e público, da saúde mental no trabalho. Pensar global e agir global, com pensamento crítico. Trabalho com saúde, sim, mas comprometendo-nos com objetivos”, concluiu Sónia Pinote Bernardes.
Como gerir a saúde mental no trabalho e garantir que os colaboradores estão saudáveis e felizes e assim mais produtivos?
Às 10 horas, começou a mesa redonda “Como gerir a saúde mental no trabalho e garantir que os colaboradores estão saudáveis e felizes e assim mais produtivos?”
Os temas das mudanças nas rotinas de trabalho dos colaboradores, o absentismo e a prevenção do burnout são alguns dos temas discutidos por Alexandra Pinote, Head of Health & Wellbeing da GALP e moderadora da mesa, Sofia Miranda, Diretora Corporativa de Recursos Humanos da CASAIS, Mariana Ribeiro Ferreira, Diretora de Sustentabilidade da CUF e Vania Borges, Diretora de Recursos Humanos da ADECCO.
Alexandra Pinote lançou a discussão do tema da saúde mental, questionando se é algo pertinente ou uma moda.
“É um tema fulcral. Os desafios, manter uma ligação de comunidade, entre outros justificam que a saúde mental é pertinente nas organizações, nas pessoas e nas famílias das pessoas. Foi uma tomada de consciência, por parte das chefias, que fez mudar o paradigma. A grande mudança que fez com que as empresas trabalhem de forma mais responsável este tema foi o reconhecimento. Tem que ser assumido um compromisso do topo da empresa”, indica Maria Ribeiro Ferreira.
Vania Borges concordou e acrescentou a grande mudança que foi a passagem do tema da saúde mental de um problema a ser encarado de uma forma reativa para uma forma ativa.
Sofia Miranda indica o facto de o tecido empresarial português, na sua maioria PMEs, o tema da saúde mental é visto como uma tendência. “Até os RH têm uma estrutura muito administrativa, que não percebem o alcance deste tema. É importante discutir este tema, mas existe muito mais a fazer”, acrescenta.
Relativamente à realidade dentro das empresas, Vania Borges salientou que foi a partir de 2020 que a Adecco considerou ser necessário fazer um estudo interno para averiguar soluções para o problema. “Tratou-se de dar uma solução a fatores de risco presentes em alguns colaboradores e a colaboradores que evidenciassem sinais disso. A parceria com a TEAM 24 permitiu dar acesso permanente a psicólogos, quer estejam bem ou não. O feedback que recebemos dos colaboradores foi fantástico. Outro ponto foi a conciliação da vida pessoal-trabalho, criando medidas que permitam aos nossos colaboradores passarem mais tempo com as suas famílias”.
No caso da Casais, preocupados com o caso dos colaboradores expatriados, Sofia Miranda indica que a melhor solução para resolver o problema foi, além da parceria com a TEAM 24, garantir a flexibilidade e promover internamente a necessidade do acompanhamento psicológico diretamente com os colaboradores e famílias.
“As pequenas atuações, que muitas vezes não notamos, fazem todo o efeito diretamente ou indiretamente em melhorar a saúde mental nas organizações. Cuidar das pessoas quando elas mais precisam”, reforça Sofia Miranda.
A diversidade e características diferentes dos colaboradores foram um ponto fulcral da CUF ainda antes da pandemia, apontou Mariana Ribeiro Ferreira. “O primeiro passo, após a pandemia, foi uma reunião presencial das chefias da CUF no Manicómio, um espaço de artistas e que era um espaço focado em saúde mental. Após esta reunião, as chefias criaram formações mais orientadas para as equipas e que estejam em risco de desequilíbrio mental”, sublinha Mariana Ribeiro.
Alexandra Pinote colocou também um a pergunta sobre a partilha de temas ou oscultação dos colaboradores.
Sofia Miranda lista exemplos como o Planeamento de Riscos Psicossociais, que a Casais implementou e que permitiu entrar em contacto com os colaboradores e de percepcionar as necessidades dos colaboradores.
No caso da Adecco, Vania Borges afirmou que o ponto mais importante foi “ouvir”. “Além dos questionários desenvolvidos, fizemos um relacionado com a métrica de stress e envolvimento. O coração da empresa é o recrutamento e, neste momento, está a manifestar sinais de doença, por isso, temos que ir à fonte e perceber o que é que está a causar ansiedade ou stress nos nossos técnicos de recrutamento”, aponta.
Mariana Ribeiro Ferreira concluiu a apresentação apontando a necessidade de avaliação e consciência dos sintomas. “Dar oportunidade a desenvolver uma literacia organizacional sobre o tema”.
Encerrada a mesa, ocorreu um momento para uma pausa para café.
Como Investir na prevenção da Saúde Mental dos colaboradores
Após o regresso, subiu ao palco Irene Vieira Rua, Chief People Officer da Doutor Finanças, para falar sobre o caso prático da Doutor Finanças na prevenção da saúde mental.
“A saúde mental é um tema que tem estado presente, de forma heterogénea, em todas as organizações”, referiu Irene Vieira Rua.
Gerir a saúde mental, criar práticas de assegurar a mesma são, na opinião de Irene Vieira Rua, fatores independentes da organização em que nos colocamos.
“O Doutor Finanças é uma Fintech na área do bem-estar financeiro, que ajuda 100.000 pessoas todos os anos a tomar melhores decisões financeiras, principalmente nas áreas de crédito habitação, crédito consolidado e seguros. O nosso ingrediente secreto, são as pessoas.”
De forma a garantir estas possibilidades, Irene Vieira Rua aponta que as pessoas não podem ser descuradas. “Uma cultura promotora do bem-estar mental, de forma a reduzir o absentismo, o presentismo, o turnover, stress, problemas psicológicos e emocionais”.
Citando dados da Fundação José Neves, Irene Vieira Rua refere que empresas que investem na saúde mental dos colaboradores podem ter um retorno económico de 9 vezes.
“O que é mandatório que esteja nas nossas organizações? Reconhecer a importância da saúde mental, avaliar os riscos psicossociais e clima organizacional, liderar pelo exemplo e estar atento aos sinais de alerta”, justificou.
Outros pontos relevantes são o ambiente físico, o ambiente de trabalho psicossocial, recursos de saúde e a identidade da empresa. “Na Doutor Finanças, procuramos dar bem-estar físico, bem-estar mental, bem-estar profissional e o bem-estar financeiro, o nosso grande foco.”
“O individuo pode saber o preço, mas não sabe o valor”
Para falar dos desafios e disfunções das equipas, Vitor Cotovio, médico psiquiatra e psicoterapeuta fez uma apresentação sobre equipas, liderança e saúde mental.
“A vida e as organizações, são prosa e poesia”, referiu, tendo citado uma passagem d’Os Lusíadas.
Vitor Cotovio afirma que o contexto, a vida, a interação, são todos pontos fundamentais para as organizações, sendo necessário uma inteligência verbal e social para estar atento às necessidades dos outros. “A saúde mental pode estar na moda, mas tem que ser mais do que isso. As organizações não podem usar a moda do tema e não ir mais profundamente às verdadeiras necessidades das pessoas”.
“A empatia tem que ser mais sub, tem que ser supra. Única, profunda e real. Perguntar a alguém sobre o filho é muito mais do que isso. Temos de ser realmente preocupados. Senão, é falso!”
Apresentou uma pirâmide sobre os desafios da saúde mental nas organizações. A base é a falta de identidade/significado: o que é, para que serve, visão, valores ou não identificação. “O individuo pode saber o preço, mas não sabe o valor”, referiu Vitor Cotovio, com grande aplauso da audiência.
O segundo é a falta de competência/capacidade: Hard/Soft Skills; Power Skills; Saber; Fazer/Estar/Ser. “O ser humano é consciente não só da sua mortalidade, mas também da sua exemplaridade. Para o bem e para o mal”.
O terceiro é a falta de confiança ou segurança e a necessidade de promover uma “liderança ressonante”. “Todos aqui temos todas as mesmas necessidades lógicas e básicas nas organizações. Não ser irrelevante, não ser humilhado ou não ser vulnerável. Pertencer a uma organização é sentir que as pessoas contam uma para outra”, sublinha Vitor Cotovio.
“O temperamento é distinto. Mas o carácter, advém das nossas experiências”
Os pontos seguintes foram a falta de comunicação e reconhecimento, como esconder/deturpar em oposição a transparência, controlo e valorização/reforço.
O medo do conflito/diferença, como a harmonia artificial, ou a falta de compromisso e colaboração são alguns dos pontos referidos no topo da pirâmide.
Na questão da liderança, Vitor Cotovio aponta que tudo advém de uma necessidade causa/propósito e sentido. Neste sentido, Vitor Cotovio afirma que estes temas “tocam-nos a todos”.
Como construir lideranças fortes para promover a saúde mental saudável nos locais de trabalho
Após esta palestra, seguiu-se a mesa redonda “Como construir lideranças fortes para promover a saúde mental saudável”. Pedro Martins, diretor de Recursos Humanos da MDS foi o moderador, e teve como convidados, Maria Antónia Torres – Partner e Diversity & Inclusion Leader – PwC, Paula Arriscado – Diretora da Divisão de Pessoas, Marca & Comunicação – Salvador Caetano, e Cláudia Silveira – Head of Engagement & Wellbeing – Jerónimo Martins.
“Que fatores contribuem significativamente para melhorar a saúde mental no trabalho?; Como podem as empresas apoiar os seus colaboradores “remotos”?; Como criar uma cultura de empresa harmoniosa?; Que tecnologias, ferramentas, técnicas e processos podem ser implementadas?”, foram as perguntas colocadas na mesa redonda.
“As equipas e as lideranças são as ferramentas essenciais das empresas. As pessoas ficam porque se reveem na liderança. Uma boa equipa e uma boa liderança mantém as pessoas”, afirmou Maria Antónia Torres.
Paula Arriscado entende que a resposta à questão das lideranças fortes não pode ser respondida parcialmente. “É um conjunto de fatores”, afirma, acrescentado que a liderança é a pedra base das organizações.
“Enquanto as pessoas não se sentirem bem realizadas, vão sair da organização e o sentimento, entre chefia e colaborador, é mútuo. Se queremos reter as pessoas, temos de fazer o tempo em que elas estão nas nossas organizações o mais agradável possível”, afirma Paula Arriscado.
Cláudia Silveira, citou um provérbio: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Para Silveira, a liderança é fulcral e tem três papeis: põe os valores da empresa em ação; transmite o propósito às pessoas; e é um ‘role model’, que pode fazer com que as pessoas, e especialmente os mais jovens, fiquem.
“Temos de lhes dar o melhor e que eles pensem de nós o melhor. Porque, no futuro, eles podem ser embaixadores das nossas marcas.
Pedro Martins, de seguida, introduziu o tema do desafio das gerações ou flexibilidade laboral na saúde mental.
“Todos nós, se fizermos uma retrospetiva, já nos sentimos fulos algum dia com o nosso chefe. Hoje em dia, falamos de uma nova geração laboral, com gerações que partilham experiencia entre si. A diferença é que o mundo hoje corre mais depressa e, por isso, as mudanças ocorrem mais depressa”, explicou Paula Arriscado.
Paula Arriscado sublinha que o grande desafio é a autenticidade, de forma a quebrar a ilusão de que as organizações não são perfeitas e tem que existir mais abertura entre os colaboradores. “Precisamos de ter uma liderança com menos sal, sem excesso de expectativas, evitando o risco de encaixotar”.
Cláudia Silveira, acompanhando o mesmo pensamento, acrescenta o desafio da inclusão, da empatia nesta temática.
“É um exercício permanente e diário. Mas para criar ambientes inclusivos, temos de ouvir tudo e todos. O trabalho deve ser um fator de bem-estar“
Na perspetiva de Maria Antónia Torres, o grande esforço é atingir o objetivo de não haver mais “caixas”. Citou o exemplo de um programa de “inclusive mindset”, que promova a individualidade de cada um numa organização.
“Portanto, nas gerações é o mesmo. O que eu noto é o seguinte. Apesar das pessoas, de diferentes gerações, querem mutuamente, por exemplo, o trabalho à distância, eles querem-no por diferentes razões. Por isso, nós devemos dar, independente das dificuldades, a capacidade de escolha às pessoas”, sintetiza.
Maria Antónia Torres conclui referindo que, no caso da saúde mental, deve existir um sentimento de segurança nas pessoas. “E isto, passa por formação”.
Na questão de como se pode ajudar a liderança, Cláudia Silveira indica que a Jerónimo Martins criou o programa “Cuidar do Cuidador”, um programa que ajude o líder a conhecer as suas vulnerabilidades. “O líder tem que se auto conhecer e garantir um bem estar físico e emocional, transmitindo estas vertentes para os seus colaboradores”.
Maria Antónia Torres indica que os programas que a PwC têm desenvolvido são, na sua base, ajustados às necessidades de perceção da empresa, dando aos lideres a capacidade de perceber o que os colaboradores efetivamente querem. “Uns podem querer carro, enquanto outros não”, sublinha.
Já Paula Arriscado menciona o programa “One to One”, um programa que a Salvador Caetano desenvolveu para impedir que a chefia “morra por dentro”. “Em vez de criar mais programas, fazer junto das chefias o mesmo que fazemos aos colaboradores. Saber o que eles precisam, quais os objetivos, quais as ferramentas que eles precisam”.
“O contexto, avaliação de risco, saúde mental, benefícios contribuem para a saúde mental”
Antes do encerramento da conferência, Cristina Barros, Fundadora do IIRH, entrevistou Ana Ruivo, Co-founder & COO da Team 24, e Mário Vinhas, Executive Director da MDS.
Em jeito de conclusão de toda a conferência, Cristina Barros perguntou a Ana Ruivo e Mário Vinhas quais as principais conclusões.
“Eu destacaria a consciência de risco. Em Portugal, a iliteracia de risco é real, sendo que a saúde mental terá que ser uma que teremos de ter em consideração no futuro. Temos de perceber o que devemos fazer e lutar por isso. A segurança psicológica, o contexto também importante. Porque a segurança psicológica impede o rótulo”, começou Mário Vinhas.
“Acho fundamental que as pessoas desenvolvam processos que envolvam as pessoas. Ajudar as pessoas a pensar numa perspetiva de médio a longo prazo. E, para se gerar uma mudança cultural, devem existir melhor práticas de estar. Depois, no fim, aparecem os resultados derivados destes comportamentos”, elenca Mário Vinhas.
Já Ana Ruivo entende que a mitigação de riscos é muito importante, quer na área da saúde mental como para organizações eficazes. “O contexto, avaliação de risco, saúde mental, benefícios contribuem para a saúde mental. É obvio que cada empresa tem a sua estratégia, mas o problema de saúde mental era e é transversal, só se tornou mais relevante com a pandemia”.
“As organizações têm responsabilidades com as pessoas, mas também com o mundo. Portanto, as empresas vão ter que se começar a posicionar ao nível da sustentabilidade, de forma a serem bem vistas pelas pessoas, stakeholders e outros”, afirma.
Ana Ruivo também inclui a literacia como fulcral para o problema e a intervenção, de forma terciária, quando é necessário intervir junto dos problemas. “Mais importante que isto, estar perto das pessoas e acompanhar todos estes fenómenos individuais e coletivos”, concluiu.
Cristina Barros encerrou aquela que foi a primeira conferência: Saúde Mental: Cuidar da Mente é investir nas empresas e terminámos com um almoço oferecido pela empresa MDS Portugal.



