
Leyla Nascimento
Presidente da World Federation of People Management e CEO do Grupo Capacitare
Falar sobre os desafios deste ano que se inicia traz algumas dúvidas na nossa assertividade diante de crises económicas, políticas e sociais que o mundo atravessa.
Sem dúvida, estamos perante a necessidade de as relações humanas tomarem novos rumos para um diálogo que una todas as gerações. O que se questiona nos dias de hoje é para onde caminha a qualidade de vida e o trabalho no mundo.
As novas gerações procuram nos seus propósitos um mundo mais sustentável e com possibilidades do ambiente corporativo ter maior oportunidade de rever modelos de gestão que permitam organogramas mais horizontais, com ambientes inovadores e estímulo à diversidade de pensamento.
A tecnologia avança de forma exponencial, trazendo a inteligência artificial com ênfase em dados e informações, gerando um mundo corporativo sem previsibilidade de um modelo único, mas de uma adaptação constante de novos modos de estabelecer processos, operações e desempenho.
Diante estes cenários, o que esperamos da atuação dos profissionais de recursos humanos?
É certo que, mais do que noutros anos, a empresa dará ênfase a importância da EVP – Employee Value Proposition, que nada mais é que a proposta de valor oferecida aos colaboradores, deixando muito claro para o mercado o seu propósito, de modo a possibilitar a melhor atração e comprometimento dos profissionais.
A comunicação integrada deverá ser o primeiro cuidado das áreas de recursos humanos, de modo a alinhar todos os colaboradores relativamente às informações das principais estratégias e investimentos da empresa nas suas políticas de recursos humanos. É preciso entender que os melhores resultados de performance nos negócios estão diretamente relacionados a uma boa estratégia de gestão de pessoas. As pesquisas globais apontam que as melhores empresas no que toca a resultados demonstram possuir uma excelência em estratégias de recursos humanos.
As lideranças deverão ser estimuladas a conhecer os cenários globais e de mercado da área de negócios da empresa, uma vez que o tempo online promovido pela tecnologia traz impactos imediatos na condução das estratégias e nas equipas.
O People Analytics será ampliado à sua adoção pelas áreas de recursos humanos e lideranças, porque interferirão diretamente na tomada de decisão. O processo de coleta e análise de dados por uma metodologia contribuirá para antecipar tendências e aprimorar as estratégias, frente à necessidade de tomada de decisão com rapidez e consistência pelas informações recebidas.
A gestão geracional também deverá continuar a receber uma atenção especial por estarmos com diferentes gerações de profissionais num mesmo ambiente corporativo, com educação, desenvolvimento profissional e experiências adquiridas em épocas e cenários diferentes. Isto parece simples, mas não é. Falamos de desempenho profissional aliado a comportamento (competências individuais) e adaptação a uma nova forma de atuação das empresas diante de cenários voláteis.
Temos presenciado a importância de reavaliar dos processos das áreas de recursos humanos. Empresas centenárias estão a renovar-se para responder aos novos desafios na gestão de pessoas. Destaco a importância da reformulação de uma avaliação de desempenho dos profissionais que tenha espaço para o diálogo, para a valorização do que se fez bem e não somente com o intuito de censurar os erros e a má performance.
A inclusão, a valorização da diversidade passa por entender que os profissionais precisam de um apoio melhorado por parte das estratégias de recursos humanos, de modo a adaptá-los às mudanças que também provocam a necessidade de inovação. Isto porque as perguntas podem ser as mesmas, mas as respostas e soluções diferem devido a todos os impactos que decorrem dos cenários apresentados.
As empresas são um extrato da sociedade, dizem os especialistas. A sociedade pede um mundo mais humano e inclusivo. E humanização tem sido a palavra mais importante em ambientes corporativos alinhados com esses desafios.
Feliz 2020!