O Guy Kawasaky foi um dos oradores do WOBI que aconteceu virtualmente este ano. A RHmagazine, como parceira do evento, ouviu a palestra e reuniu os 11 princípios para a Arte de Inovar.
1- Crie significado. Molde o universo para melhorar a vida das pessoas
Qualquer inovação deve ser pensada sob o ponto de vista de como vai mudar a vida das pessoas.
2 – Chegue à “próxima curva”
A inovação deve avançar rápido para “chegar à próxima curva”. O Guy Kawasaky dá o exemplo do gelo. Explica que antigamente para obter gelo as pessoas tinham de cortar blocos de gelo grandes e trazer partes desses blocos para casa. Depois veio o “gelo 2.0”. Chegaram as fábricas de gelo e acabou o condicionamento geográfico. Por fim o “gelo 3.0 “, com o aparecimento dos frigoríficos. Agora já não dependemos de ninguém para ter gelo.
Outro exemplo: os mapas. O mapa 1.0 era em papel, o que já era muito melhor do que o papiro ou orientar-se pelo sol. O mapa 2.0 era o mapa do telemóvel no bolso. Já o mapa 3.0 informa-nos das condições do tráfico e de quanto vamos demorar a chegar ao nosso destino.
Inovar é ir até à próxima curva.
3 – Não pergunte aos clientes
Os clientes só podem falar do que já tem. Algo melhor do que o que já tem mas não algo totalmente novo. O futuro do produto não está no espaço mental dos clientes. Exemplo: um cliente de carros, há 20 anos, não teria descrito nunca um carro elétrico. Teria descrito um carro com mais cavalos, com melhor ar condicionado, etc. Por isso, não perguntem aos clientes. Agarrem a vossa paixão e perguntem-se qual o produto que devem criar.
4 – Lance os dados
Devemos criar produtos e serviços que sejam DICEE:
- Deep: produtos profundos. Produtos que respondam a necessidades que as pessoas ainda não tem.
- Inteligentes: por exemplo, uma aplicação que conhece a sua forma de conduzir e uma seguradora que cria um seguro adaptado à sua forma de conduzir. Uma empresa de aplicações pode tornar-se uma seguradora.
- Completos: o Google tem muitos produtos “à volta”. Um excelente produto deve ter ramificações.
- Empowering: Os produtos inovadores dão mais poder às pessoas. Mais possibilidades.
- Elegante: o produto deve ser bonito.
5 – Não se preocupe se o produto não for perfeito
O produto inicial não tem de ser perfeito. O importante é que funcione e que seja 10 vezes melhor do que o que está a substituir. Trata-se de “lançar o barro à parede” para ver o que agarra. É o que se faz na inovação. Tem de se avançar. O MVP (Minimal Value Product) tem de ser viável e valioso e passível de validação do conceito. O MVP do Instagram, por exemplo, era que tinha de permitir partilhar fotografias.
6 – Divida as pessoas
A boa inovação divide pessoas. Uns vão gostar, outros vão detestar. É normal. A inovação polariza sempre as pessoas. Não tenha medo da polarização.
7- Mude de ponto de vista e de opinião sempre que necessário
Mudar de opinião é mostrar que se é inteligente e corajoso. Altere o produto sempre que é necessário.
8- Posicione bem a sua marca
Deve pensar no posicionamento da marca. O produto inovador tem de ter um caracter único e diferenciado. Exemplo: um relógio com uma antena que permite mandar um sinal de emergência. O produto é raro e com um valor grande porque pode salvar vidas. Outro exemplo: o Smart da Mercedes, que estaciona de forma perpendicular à estrada. Isso é único e valioso. Ou ainda o primeiro Ipod que tinha uma interface de fácil utilização com muita música, e era barato.
Como inovador, tem de convencer os investidores que o produto é único e valioso. Como é que isso se faz?
Regra 10, 20, 30 para apresentações de produtos inovadores.
10 slides é o que deve ter uma apresentação
20 minutos de apresentação. Não mais.
30 de tamanho de letra.
Não deve ter frase completas nem parágrafos. O tamanho 30 obriga-o a ter pontos principais.
9 – Deixe florir as 100 flores (Mao)
De todos os produtos, o Pagemaker da Apple foi o que salvou o Macintosh. Era um publicador muito importante. Não sabíamos que era este o produto que nos fez ganhar dinheiro. Afinal o que é único pode ser outra coisa diferente do que se pensava. Aceitem isso e deixem florir os produtos.
10- Agitem-se
Tornem-se revolucionários. A revolução é um processo. Os produtos evoluem e tem de ter paciência e avançar.
11 – Ignorem os maledicentes
Não dê ouvidos às pessoas negativas que não dizem nem sim nem não e que colocam demasiados problemas. Por exemplo, a Easter Union recusou o telefone porque achava que tinha demasiados problemas.
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