A declaração é de André Ribeiro Pires, chief digital and information officer do Grupo Multipessoal, e foi proferida no Omnichannel Retail Show, esta segunda-feira.
O Omnichannel Retail Show levou à Feira Internacional de Lisboa, nos dias 25 e 26 de março, o debate sobre a omnicanalidade no setor do retalho, as mais recentes tendências do mercado e as novas formas de comércio e de atração de consumidores e organizações como a Google, LG, Sonae, Mercadona, Fujitsu, Lidl, Jerónimo Martins, CTT, Chronopost, Vodafone, Milleniun BCP, Grupo Multipessoal, Altice Arena, SIBS, Câmara Municipal de Lisboa, IAPMEI para o discutirem.
André Ribeiro Pires, chief digital and information officer (CDIO) do Grupo Multipessoal esteve presente no evento durante a manhã de terça-feira e integrou o painel acerca do papel das pessoas no retalho do futuro e do impacto das soft skills no retalho, ao lado de Ana Teresa Penim e João Alberto Catalão, num debate moderado por João Ferreira.
É do acordo de todos os oradores que, não obstante a evolução tecnológica, as pessoas continuam a ser necessárias no setor do retalho. No entanto, é preciso que se reinventem para o novo paradigma que surge após um ponto de rutura.
André Ribeiro Pires contextualizou a audiência sobre o papel das pessoas no setor do retalho atualmente, dando mote para debater o futuro. O CDIO do Grupo Multipessoal acredita que “existe um mismatch entre a procura e a oferta de emprego, uma vez que neste momento existem muitas vagas por preencher e poucos candidatos”. Adicionalmente, diz também faltar uma proposta de valor para o potencial candidato, uma vez que nas ofertas de emprego se mostra o que se pretende do colaborador, mas não o benefício para o candidato.
Ana Teresa Penim acredita que só os negócios capazes de se focarem no cliente terão futuro, dando enfâse à necessidade de valorização da gestão de pessoas e das emoções, até mesmo nos canais online. João Alberto Catalão defende que não existirá uma nova revolução industrial, motivada pelos avanços tecnológicos, mas sim uma revolução social.
Foi salientada a importância das soft skills, em especial a necessidade da interação humana que aumenta proporcionalmente com o avanço tecnológico. André Ribeiro Pires destaca características como a criatividade, pensamento crítico e flexibilidade cognitiva, que nunca serão substituídas pela máquina.
Quando questionados sobre a necessidade de conciliar uma boa experiência em contextos diferentes, os três oradores salientaram a importância de recrutar com uma atitude de valorização de líderes e colaboradores. André Ribeiro Pires aponta ainda a ajuda da tecnologia como ferramenta e não ameaça e João Alberto Catalão completa com a ideia de que quem melhor conhecer o contexto do consumidor, melhor lhe responderá.
A rotatividade no setor foi também abordada e João Alberto Catalão falou da valorização dos profissionais e da necessidade de fazer o colaborador ver o emprego como uma parte integrante da sua qualidade de vida e não apenas fonte de sobrevivência. “Se oferecemos a melhor experiência de emprego temos de garantir que isto é assegurado, mesmo que temporariamente. Para isso, colaboramos com clientes que sabemos que vão, connosco, proporcionar isso mesmo ao colaborador”, afirmou André Ribeiro Pires.
Deste debate ficou a ideia de que apesar do desenvolvimento tecnológico, as pessoas não perderão a importância no setor do retalho e é, por isso, necessário apostar no desenvolvimento e valorização do seu fator diferenciador – as soft skills –, de modo a corresponder às necessidades de consumidores, clientes e colaboradores.