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mercado de escritórios flexíveis em Portugal está a acelerar. Impulsionado pelo trabalho híbrido, pela dinâmica do tecido empresarial e por uma crescente descentralização geográfica, o segmento entra numa nova fase de expansão, com Lisboa e Porto a concentrarem a maior parte da procura, segundo o relatório Beyond the Office: Portugal’s Flexible Work Revolution, da Savills.
De acordo com a consultora imobiliária, as duas cidades concentram atualmente cerca de 150 mil metros quadrados de espaços flexíveis e aproximadamente 20 mil postos de trabalho. Desde 2018, o crescimento médio anual tem sido superior a 20%, com Lisboa a destacar-se com uma taxa de 26% e o Porto a registar 20%.
“As estimativas apuradas confirmam que Portugal – e, em particular, Lisboa e Porto, enquanto principais centros urbanos e polos de atividade empresarial – tem assistido a um crescimento expressivo do ecossistema de espaços flexíveis”, afirma Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal, em comunicado.
Portugal continua a destacar-se no contexto europeu pela segurança, qualidade de vida, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e custos competitivos. Lisboa, em particular, mantém-se como uma das capitais mais acessíveis da Europa, reforçando a sua atratividade junto de empresas que procuram reduzir custos sem perder centralidade.
Do ponto de vista económico, o país consolida-se como um mercado inovador, com um ambiente favorável ao empreendedorismo e um ecossistema tecnológico em crescimento. Lisboa afirma-se como um hub europeu de startups, beneficiando da conjugação entre talento qualificado, desenvolvimento tecnológico e competitividade de custos.
Entre 2024 e o primeiro semestre de 2025, cerca de 40% das operações registadas em Lisboa corresponderam a relocalizações, enquanto 27% foram expansões e 20% entradas de novas empresas. Muitas destas recorrem ao coworking como solução de entrada rápida no mercado, permitindo testar operações com menor exposição ao risco.
PME lideram procura, mas grandes empresas surpreendem
A procura é liderada por pequenas e médias empresas, sobretudo dos setores de tecnologia, media e telecomunicações, que privilegiam soluções plug-and-play em zonas centrais. Esta tendência reflete-se na dimensão das operações: 82% das transações envolveram até 50 postos de trabalho, confirmando a predominância de estruturas mais leves e modelos organizacionais ágeis.
Inicialmente associados a freelancers e startups, os flex offices passaram a integrar a estratégia imobiliária de grandes empresas que procuram maior flexibilidade, eficiência e capacidade de adaptação. A crescente atenção a critérios ESG, ao bem-estar dos colaboradores e à descentralização tem vindo a acelerar esta transição, abrindo espaço a novos conceitos não apenas em Lisboa e no Porto, mas também em cidades como Braga e Aveiro.
De espaço físico a ativo estratégico
“O escritório deixa de ser apenas um espaço físico para se afirmar como um ativo estratégico”, sublinha o relatório, apontando para ambientes orientados para a colaboração, a produtividade e o bem-estar, suportados por tecnologia e práticas sustentáveis. Além disso, os modelos flexíveis permitem às empresas evitar investimentos iniciais elevados em obras e equipamento, preservar liquidez e reduzir a exposição a contratos de longa duração, num contexto económico marcado pela incerteza.
Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills Portugal, destaca que “os espaços flexíveis e de coworking em Portugal, sobretudo em Lisboa e no Porto, apresentam taxas de ocupação muito elevadas, impulsionadas pela procura de grandes empresas que querem testar mercados e modelos de trabalho sem assumir compromissos de longo prazo”. O responsável acrescenta que os fatores financeiros assumem um peso crescente, uma vez que muitos destes contratos são registados como serviços e não como passivos de arrendamento, retirando dívida do balanço e beneficiando a avaliação das empresas, em particular nos setores de maior crescimento, como tecnologia ou gaming.
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