Nove em cada 10 CEOs antecipam um 2026 positivo. Mas, perante um cenário económico que continua exigente, há duas prioridades que se destacam: inteligência artificial (IA) e trabalho flexível. O retrato é traçado pelo State of the C-Suite 2026, relatório divulgado esta quinta-feira, 4 de dezembro, pela International Workplace Group (IWG).
A esmagadora maioria (95%) dos CEOs prevê melhores resultados no próximo ano e que 84% acreditam numa melhoria da economia mundial. Ainda assim, os CFOs já colocaram em marcha cortes orçamentais na ordem dos 10%, em média. E, para cumprir esse objetivo, a IA surge como uma das principais ferramentas de eficiência. Segundo o relatório, a adoção de IA poderá permitir reduções de 20% a 40% nos custos operacionais.
A produtividade é outro eixo de investimento: 82% dos executivos planeiam aumentar o gasto em IA/automação, e reforçar iniciativas diretamente ligadas à produtividade. Em comunicado, a IWG recorda estudos anteriores que mostram que 78% dos trabalhadores poupam tempo graças à IA – cerca de 55 minutos por dia, o equivalente a quase um dia adicional de produtividade por semana.
Mas é no imobiliário que os impactos poderão ser mais disruptivos. O trabalho flexível pode cortar até 55% dos custos imobiliários, um valor particularmente significativo num contexto de arrendamentos corporativos mais curtos e modelos híbridos em consolidação.
“Já não existe uma escolha binária entre trabalhar a partir de casa ou a partir do escritório”, sublinha Mark Dixon, fundador e CEO da IWG, em comunicado. Ao permitir que os colaboradores trabalhem mais perto de onde vivem e querem estar, os líderes podem simultaneamente cortar custos, melhorar produtividade, reforçar retenção e aumentar retorno de investimento.
O relatório indica que 83% dos CEOs já permitem trabalho em múltiplas localizações: escritório central, espaços locais e casa. As motivações mais apontadas incluem:
- redução do tempo de deslocação (43%);
- acesso a talento mais diversificado (37%);
- preferências e bem-estar dos colaboradores (37%);
- ganhos de produtividade (37%);
- menor custo imobiliário (37%).
Esta transformação está também a redistribuir a forma como e onde o valor económico é gerado. A presença diária em sedes centrais perde peso, à medida que a tecnologia permite autonomia e dispersão geográfica do trabalho. Em 2026, 56% dos CEOs planeiam contratos de arrendamento mais curtos e 54% ponderam aderir a redes de coworking e espaços flexíveis.
“Produtividade e desempenho resultam de uma boa gestão de pessoas”, refere Mark Dixon. Num contexto em que a perda de talento é cara e a pressão para cortar custos é elevada, o trabalho flexível, “reforça os negócios e prepara-os para o crescimento”.
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