Para muitas empresas, a oportunidade de crescer para novos mercados e levar a sua proposta de valor a diferentes geografias, é um passo natural. Contudo, a internacionalização traz consigo, também, um conjunto de desafios.
Ao escolher expandir o negócio, as empresas devem ter em consideração diversos fatores, entre eles o desafio das normas e legislação laboral aplicáveis no país de destino. Neste campo, António Prego da Silva, Enterprise Sales Executive Iberia da ADP, identificou como fundamental as empresas terem “um plano de desenvolvimento”, apoiarem-se nos seus parceiros e prepararem a sua entrada no mercado com o máximo de antecedência.
Assim, no momento de avançar com uma internacionalização, os objetivos do projeto devem estar definidos, de forma clara, desde o início. O passo seguinte cabe aos Recursos Humanos, que deverão alinhar as melhores práticas com os objetivos estratégicos já definidos anteriormente, considerando desde logo os desafios operacionais e as especificidades locais de cada país.
Recrutar em novos países: que desafios?
Em relação ao recrutamento, uma das principais dificuldades para algumas empresas é a de manter a cultura da empresa, ao mesmo tempo que se adapta à cultura do país onde está a formar a sua nova equipa.
Marco Serrão, Chief People Officer da Galp, partilhou o exemplo da empresa, que apesar da sua grande dimensão aposta num modelo em que a gestão é realizada localmente, mas em linha com as práticas globais, de forma a encontrar um equilíbrio entre ambas. Aliada a este método é depois importante, para o CPO, também estabelecer uma estratégia forte de employer branding, para se conseguir ultrapassar os desafios de recrutar num país onde a empresa ainda não tem uma reputação firmada.
Susana Costa Silva, Diretora Corporativa de Recursos Humanos na CIN, reforçou esta ideia. Para a responsável, é importante “ter em consideração a cultura da empresa, mas também a do País”.
A diretora corporativa de Recursos Humanos chamou a atenção de que os conflitos entre os colaboradores terão sempre lugar, independentemente se os profissionais partilham ou não a mesma cultura, e que a comunicação deve sempre estar na base de qualquer estratégia de gestão de pessoas aquando um processo de internacionalização.
Gerir expetativas é imperativo
A nomeação de um responsável por levar a proposta de valor de uma empresa para fora do país é comummente encarada como uma importante alavanca na carreira do colaborador.
No entanto, a pessoa escolhida deve cumprir certos requisitos, como resiliência e capacidade de adaptação, enumerou Susana Costa Silva.
A adaptação a um novo país e uma nova pode trazer um desafio adicional ao profissional, pelo que, segundo Marco Serrão, que já esteve a trabalhar em países como Itália e a China, é fundamental “gerir expetativas”.
No campo da gestão de expetativas, é importante, mais uma vez, que as empresas tenham uma comunicação aberta e que o colaborador tenha à sua disposição um conjunto de benefícios que permitam uma transição entre culturas mais suave.
Aqui, revelou Marco Serrão, “o processo de onboarding é bastante importante”, para se conseguir atingir esta consciencialização por parte dos colaboradores.
Como manter a coesão entre equipas?
A coesão entre as equipas foi também outro dos temas abordados no webinar. Para António Prego da Silva, a tecnologia desempenha aqui um papel de destaque, ao permitir que mesmo em diferentes fusos horários, as equipas conseguem estar juntas para discutir temas importantes para o negócio.
Ao mesmo tempo, indicou que o facto de “os problemas que os Recursos Humanos enfrentam em Portugal” serem transversais “a outras geografias”, permite que as equipas estejam mais alinhadas e pensem como um todo.
Também Marco Serrão, da Galp, reforçou o papel das plataformas e softwares de colaboração, que permitem que as equipas consigam estar mais próximas, apesar da distância geográfica, e complementem o trabalho que realizam no escritório. “[Na Galp] vamos continuar a apostar na colaboração”, disse, comentando que a digitalização é o caminho que a empresa pretende continuar a percorrer.
Para ficar a par destas e outras conclusões do webinar promovido pelo IIRH, em em parceria com a ADP, pode aceder ao webinar completo no canal de Youtube do IIRH.
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