De escritório administrativo a centro de competências com unidades globais de negócio, a Solvay Lisboa tem uma trajetória de 16 anos de crescimento. O seu vice-presidente e diretor-geral, John O’Shea, aborda os fatores que levaram a capital portuguesa a ter sido a cidade escolhida pela multinacional belga, os atuais perfis profissionais do centro, o posicionamento da empresa perante os seus recursos humanos e, claro, a digitalização organizacional que, no caso da Solvay, a pandemia apenas veio acelerar.
A Solvay Lisboa é um centro de competência onde estão representadas várias funções corporativas e entidades empresariais do Grupo Solvay. Porquê a escolha de Lisboa?
O Centro de Lisboa foi criado há mais de 16 anos, em setembro de 2005, tendo começado com 25 pessoas. Houve muitos fatores a considerar durante o processo de seleção do local, sendo que alguns dos fatores críticos incluíram: competências e habilitações académicas, conhecimento de línguas estrangeiras, boas infraestruturas, segurança e custos de mão-de-obra. Após cuidadosa consideração das (então) necessidades e da capacidade de apoiar o crescimento futuro, Lisboa ficou muito à frente de outros locais considerados nessa altura. Desde então, o Centro de Lisboa passou das 25 pessoas para quase 600, e vamos continuar a crescer.
Que perfis tem a Solvay em Lisboa?
Há uma vasta secção transversal de perfis, abrangendo o nível executivo, nível executivo-médio e funções operacionais. Dispomos de diversas competências, como a gestão transversal de projetos, robótica, tecnologia da informação e outras equipas especializadas dedicadas às suas entidades empresariais. Baseadas em Lisboa, temos equipas para a mobilidade global, atração global de talentos, consolidação financeira, gestão de crédito, melhoria contínua, plataforma de relatórios e salários.
Lisboa ficou muito à frente de outros locais considerados (para instalar o Grupo Solvay)
Portugal – e em particular Lisboa – tem vários Centros de Serviços Partilhados e Centros de Serviços de Competências. Como pode a Solvay diferenciar-se dos outros Centros?
Diferenciamo-nos através dos nossos compromissos de sustentabilidade, dignidade, equidade e inclusão. Estes valores estão nos nossos corações e colocamo-los em prática no nosso dia a dia de atividades. Orgulhamo-nos da transparência e comunicação inclusiva e também da mobilidade interna na carreira associada a uma cultura de aprendizagem contínua. A Solvay foi nomeada “Best Employer Brand Award” do Linkedin, distinção pela qual nos orgulhamos muito.
Pode partilhar alguns exemplos das políticas de RH desenvolvidas e implementadas na Solvay Portugal?
Como multinacional global, a Solvay segue um conjunto de políticas de RH alinhadas com as leis laborais locais, mas que também fazem da Solvay um empregador competitivo no mercado. Para tal, existem muitas políticas locais que proporcionam benefícios financeiros às nossas equipas: subsídio de refeição; licença familiar paga; seguro de saúde e de vida pago. No entanto, como empresa global, tornámos mais abrangentes os programas de RH. Exemplo disto, foi recentemente anunciado que o “Programa de Apoio ao Bem-Estar dos Empregados” seria globalmente alargado, proporcionando apoio psicológico; aconselhamento sobre bem-estar, bem como coaching pessoal; formação em gestão e também cuidados e aulas virtuais de ergonomia doméstica a qualquer empregado que necessite.
Outro exemplo é o facto de a Solvay ter decidido alargar a política “Solvay Care” no que respeita à licença parental, tendo entrado em vigor a 01 de janeiro de 2021. Este é um passo fundamental para reforçar a igualdade de género na empresa e na sociedade. Estamos igualmente a adaptar a nossa política global de licença de maternidade para 16 semanas, alargando-a a todos os coparentes.
Reconhecendo a necessidade de ajudar os membros da equipa e respetivas famílias afetadas pela pandemia, a Solvay decidiu criar o Fundo de Solidariedade Solvay, que, em tempos de necessidade e dificuldade, está à disposição dos funcionários e das suas famílias.
A pandemia impulsionou a digitalização em muitos processos. Aconteceu o mesmo na Solvay?
Eu não diria que a pandemia mudou muito a digitalização para a Solvay, simplesmente porque já éramos muito digitais (sem papel) antes da pandemia. Tivemos de fazer rapidamente a transição de algumas das nossas equipas (150) que estavam a trabalhar em terminais “virtual desktop” para Chromebooks, o que constituiu um esforço coletivo que concentrou todas as nossas energias para que tal fosse possível num período de tempo relativamente curto. Direi que a Solvay esteve à frente no que respeita à proteção das nossas pessoas; ou seja, não esperámos que o Governo dissesse que tínhamos de fechar o escritório e trabalhar remotamente. Isto deu-nos a vantagem, embora rápida, de nos instalarmos para funcionar eficazmente.
A pandemia trouxe alguma alteração ao seu trabalho? Já tem um modelo de trabalho flexível implementado?
A Solvay estava em processo de configuração de trabalho remoto ainda antes da pandemia ter ocorrido. A nossa liderança de RH já previa uma forma de laborar inteiramente nova, que estava literalmente a começar a ser implementada quando a pandemia se instalou. Para além de uma nova configuração do espaço de trabalho do escritório, este modelo é estabelecido de tal forma que as pessoas podem exercer as suas funções num máximo
de quatro dias por semana a partir de casa, o que inversamente significa que devem estar no escritório pelo menos um dia por semana. Consideramos importante manter a espontaneidade da interação humana, que só o facto de estarmos juntos pode proporcionar…algumas coisas que simplesmente não se obtêm numa reunião em vídeo, no virtual.
Entrevista publicada na edição n.º 137 da RHmagazine, referente aos meses de novembro/dezembro de 2021.
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