Quantos são os colaboradores do Grupo Sonae, falando do vasto conjunto das empresas que o compõem?
Atualmente na Sonae contamos com um universo rico e heterogéneo de colaboradores. Somos cerca de 45 000, o nosso perfil etário situa-se fundamentalmente entre os 18 e os 34 anos, 60% dos nossos colaboradores são mulheres, com 17% noutras geografias que não Portugal.
As políticas e os procedimentos da gestão do capital humano são decididos de forma corporativa?
Naquilo que são as políticas e processos core de gestão de pessoas, designadamente planeamento estratégico de recursos humanos, gestão da performance, política retributiva, bem como formação e desenvolvimento, procuramos a transversalidade, deixando obviamente margem para as necessárias adaptações em função da realidade particular de cada um dos nossos negócios.
Neste âmbito, temos uma área do Grupo Sonae responsável pelo desenho destas políticas e processos. Paralelamente, temos ainda um fórum consultivo de recursos humanos, presidido por mim e patrocinado pelo nosso CEO, Paulo Azevedo, onde todos os diretores de recursos humanos do grupo têm um papel ativo na validação dessas mesmas políticas e processos, sendo responsáveis pela sua implementação ao nível dos diferentes negócios. Acreditamos que a cooperação interna entre as várias empresas e áreas de negócio é crucial para maximizar a função de recursos humanos.
Quais são os principais desafios que sentem ter hoje na gestão das vossas pessoas?
Uma empresa como a Sonae, onde a internacionalização surge como principal vetor estratégico, onde a inovação e a capacidade de gerar novos negócios estão no centro da nossa atenção, precisa de ter na sua equipa os melhores profissionais. É esta capacidade de atrair, identificar e desenvolver o melhor talento em cada um dos nossos negócios que se assume para nós como o maior desafio.
Temos hoje uma política integrada de gestão de talento, implementada de forma consistente e continuada, que nos assegura a manutenção do pipeline de competências core e críticas para a consecução da estratégia da empresa, não só curto como no médio prazo.
O grupo desenvolve negócios em vários países que apresentam contextos culturais muito diferenciados. Este é seguramente um desafio que tem enfrentado…
Somos hoje uma organização que conta com uma grande diversidade de negócios e de culturas, marcando presença em mais de 60 países. Tal facto impõe um grande desafio à gestão de pessoas.
No que respeita a políticas e processos core nesta matéria, e ainda que respeitando as idiossincrasias de cada cultura, desenvolvemo-los alicerçados em três valores cruciais: meritocracia, participação e pluralidade.
Paralelamente, procuramos contar nas nossas operações locais com colaboradores também locais, que conhecem por dentro a cultura social e económica desses países. Essa é uma prática que se traduz numa mais-valia para a organização, pois facilita os processos de desenvolvimento dos negócios e permite-nos fortalecer a nossa cultura de empresa multinacional.
O Programa Contacto desenvolvido pelo Grupo Sonae é uma iniciativa pioneira em Portugal no recrutamento de jovens de elevado potencial. Esta iniciativa insere-se na estratégia de atração e desenvolvimento de talento que atrás referiu?
Sim. A Sonae foi uma das primeiras empresas em Portugal a conceder estágios a jovens finalistas para desenvolvimento das suas competências. O Programa Contacto foi lançado em 1986. Tratou-se de um projeto pioneiro em Portugal no recrutamento de jovens finalistas de elevado potencial e tem vindo a destacar-se, nacional e internacionalmente, pela forma inovadora de atração e captação de jovens recém-licenciados. Ao longo destes 27 anos, e com este programa, temos sabido acompanhar a evolução dos tempos − de entre as inovações que temos trazido para este processo, destacamos a sua implantação como rede social.
O programa tem como momento marcante o Dia Contacto, um evento anual que tem como principal objetivo a identificação de jovens talentos para integrar o programa de trainees das empresas Sonae, permitindo a interação presencial entre a gestão de topo das empresas Sonae e participantes.
Quais têm sido os resultados dessa aposta?
Os resultados do Programa Contacto têm sido muito positivos ao longo dos anos, permitindo a muitos jovens desenvolverem o seu percurso profissional na Sonae e contribuindo ativamente para o desenvolvimento da empresa. Hoje, muitos dos que integraram a empresa através do Programa Contacto e se destacaram nas suas áreas de atuação são líderes na Sonae ou noutras empresas.
O Grupo Sonae é reconhecidamente uma grande escola de líderes. É um traço cultural que faz parte do ADN…
Sermos uma escola de líderes significa que o desenvolvimento do atual e futuro pipeline de líderes é uma questão de primeira ordem na agenda de todos os gestores Sonae. A capacidade de gerar internamente líderes inovadores e empreendedores tem-se revelado chave para o acelerado desenvolvimento e diversificação dos nossos negócios.
Acreditamos que o exercício da liderança é uma atitude, um exercício constante e de elevado privilégio para quem o exerce. Encaramos o desenvolvimento como uma responsabilidade prioritária, genuinamente incorporada nas atribuições do dia a dia. Somente assim podemos criar líderes focados na partilha e na comunicação de uma visão de futuro à sua equipa, trabalhando com esta numa base de cooperação, envolvimento, escuta, equidade e transparência.
Que práticas e políticas destacaria neste âmbito?
De entre as várias práticas e políticas que presentemente temos no âmbito da gestão e desenvolvimento dos nossos líderes, destacaria o investimento na Sonae Management & Leadership Academy. Esta academia, especificamente dedicada ao desenvolvimento sustentado de competências de gestão e liderança, é composta por uma estrutura segmentada de conteúdos e programas dedicados ao desenvolvimento dos diversos níveis organizacionais neste âmbito – desde os níveis mais operacionais a níveis já estratégicos. Para o efeito, estabelecemos parcerias com as melhores escolas nacionais e internacionais de gestão e, paralelamente, fomos internamente buscar os nossos melhores «professores», líderes com inegáveis competências nas áreas de liderança e coaching.
Para o target executivo temos apostado numa visão integrada no que diz respeito à sua formação e desenvolvimento. Vamos além da executive education, procurando oferecer programas sustentados em metodologias alternativas como action learning, on-the-job experiences, coaching ou mentoring. Desenhamos programas customizados, desafiantes e inovadores, tendo em conta as necessidades de atualização identificadas por e para cada executivo.
Entrevista publicada na RHmagazine – Edição nº 91