O Turismo é um setor de atividade que tem contribuído nestes últimos anos para o desenvolvimento económico de várias regiões de Portugal. Tem contribuído também para a promoção do património local e tem revigorado a nossa cultura e os nossos costumes. Para além do aumento das receitas provenientes desta atividade, o aumento da taxa do turismo tem se refletido na criação de empregos. Segundo vários estudos sobre o setor, o turismo destaca-se mais na economia, no emprego e no investimento em Portugal, do que no resto da Europa.
Em 2013, o setor do turismo dava emprego a 322 000 pessoas em Portugal (7.2% do emprego total do país)
Se somarmos os empregos indiretos o total sobe para 818 500 pessoas (18.2% do emprego total)
Fonte: World Travel and Tourism Council (WTTC)
A tendência deste setor é de crescimento pelo que será uma oportunidade única para as empresas e para os gestores poderem fazer a diferença na prestação de serviços de qualidade e impulsionar o turismo como gerador de empregos.
Fomos falar sobre este tema com:
Manuel Proença – Presidente do Grupo Hoti Hotéis
Foi distinguido com o prémio Personalidade do Ano atribuído pelos Prémios Publituris Portugal Trade Awards, somando assim mais um momento de reconhecimento do setor. Que significado tem esta atribuição para a sua carreira?
Os Prémios Publituris Portugal Awards são uma espécie de Óscares do Turismo, assim como os Amadeus Brighter Awards. Somados, representam um alto reconhecimento dos premiados que o setor valoriza. São hoje uma referência e motivo de prestígio de Quem é Quem no Turismo. A atribuição de ambos no último ano, é uma honra para mim, e tem um grande significado, quando completo 50 anos de trabalho inteiramente ao serviço do setor – de empregado a empresário – razão porque considero estas distinções como Prémios Carreira. Mas são também prémios para a excelente equipa do Grupo Hoti Hotéis, com destaque para os cinco Administradores que tenho a sorte de liderar.
Este momento é de expansão para o Grupo Hoti Hotéis. De que forma a conjuntura económica atual está a afetar esse objetivo?
A expansão do Grupo Hoti Hotéis tem 2 fases: uma primeira de 20 anos em que fizemos basicamente gestão hoteleira e algumas explorações, onde aprendemos muito, e uma segunda fase, a partir de 1998, com o início da construção de unidades hoteleiras próprias. Nós consideramos que acompanhámos a mudança de conjuntura económica mais importante, que começou com a Expo 98, seguindo-se o Euro 2004. Estamos agora, desde 2014, com uma nova conjuntura de crescimento que julgamos sustentado. Acreditamos que este ano 2015 vai ser mais um ano record. A nossa decisão estratégica vai no mesmo sentido que é: crescer.
O Hotel Tryp Lisboa Aeroporto tem o mais elevado nível de satisfação por parte dos clientes, segundo um estudo da Market Metrix. Na sua opinião o que marca a diferença nesse espaço?
O Tryp Lisboa Aeroporto é um produto com inovação, bem sucedido, acima do nível dos hotéis desta marca em todo o mundo. O Aeroporto de Lisboa é a grande porta de entrada dos viajantes no nosso país, pelo que era importante pôr ali uma bandeira de qualidade dos 8 hotéis desta marca em Portugal. Julgo que conseguimos e até julgamos que aquele edifício veio qualificar a mancha urbanística do Aeroporto. A satisfação dos clientes amplamente demonstrada no Market Metrix, assim como nas Ota’s, confirma que conseguimos um bom conceito e um bom produto de hotelaria que vamos replicar noutros nossos hotéis.
O Grupo prepara-se para reforçar a presença no mercado com a abertura de mais duas unidades em Lisboa, num investimento que irá atingir 37 milhões de euros. A estratégia é crescer nos próximos anos?
Estamos a fazer aberturas a um ritmo de uma ou duas novas unidades por ano. Depois do Hotel da Música e do Tryp Aeroporto, vamos abrir um novo hotel no final de março em Leiria, seguindo-se o Moza Star, um inovador hotel de 4 estrelas e 173 quartos, em Maputo. No “pipe line” seguem-se 2 novas unidades em Lisboa e pensamos acrescentar mais uma no Porto. O nosso posicionamento é como disse, crescer. Mas com moderação, preferencialmente com o nosso parceiro Meliá Hotels, sempre que a conjuntura nos favoreça. Prezamos muito o nosso alto grau de credibilidade conseguido junto dos nossos financiadores, e por isso, está fora de questão cometermos loucuras de investimento.
Falando agora um pouco da estratégia de gestão das pessoas do Grupo Hoti Hotéis. Como é composta a estrutura organizacional do departamento de RH do Grupo?
A nossa estratégia de gestão de pessoas está muito ligada à nossa cultura organizacional e aos nossos valores. Damos muita importância ao poder da reputação e da confiança. É um ativo nosso que queremos preservar a todo o custo. As boas práticas de cada Diretor, em cada unidade, na gestão dos recursos humanos são muito apreciadas. Paralelamente, a prática da meritocracia e um alto grau de exigência ao nosso pessoal na prestação da qualidade dos serviços, são requisitos que não dispensamos nos nossos Diretores.
Quais as principais dificuldades com que se deparam na qualificação dos vossos colaboradores?
As principais dificuldades são a falta de formação e a rotatividade das pessoas. A formação básica ao nível de empregadas/os de andares, restaurante e cozinha é feita nas próprias unidades hoteleiras. O rápido aumento do parque hoteleiro português, origina uma grande mobilidade do pessoal, muita precaridade, o que nos obriga a um training permanente e dificuldades para construirmos equipas funcionais. Por outro lado, as empresas de pessoal temporário, a que ocasionalmente temos que recorrer, despejam nas nossas unidades pessoal indiferenciado, sem cuidarem de um mínimo de formação ou de perfil para desempenhar a função. A alta taxa de desemprego em Portugal é uma situação preocupante que o Governo procura resolver com apoios que nos têm ajudado a resolver uma parte do problema. Mas nem toda a gente serve para trabalhar em Hotelaria: – A formação e preparação do pessoal na hotelaria tem uma importância crucial na sustentação e fidelização das clientelas – e este é um tema que merece a especial atenção do setor e a nossa em particular. A hotelaria é uma atividade para pessoas que gostem de pessoas.
Qual a estratégia atual e futura do Grupo a nível da gestão dos RH?
Estamos conscientes de que precisamos de melhorar muito e investir mais na gestão dos recursos humanos. No Grupo Hoti Hotéis, a dispersão territorial das unidades originou, até agora, uma certa descentralização da área administrativa e da gestão dos nossos recursos humanos, como ainda na gestão de talentos e na avaliação de desempenhos. Queremos melhorar isto. Estamos certos que a área RH/Formação é também aquela onde não só nós, mas também Portugal precisamos muito de investir. Neste sentido, vamos reorganizar e reformular o nosso departamento de pessoal e admitir, muito brevemente, um Diretor central RH, para coordenar a nível nacional esta área das pessoas. Estamos a aceitar candidaturas.
Entrevista publicada na edição nº 97 da RHmagazine (março/abril de 2015).
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