Mais de dois terços dos empregadores globais (67%) estão já a investir em cuidados de saúde preventivos para mitigar o aumento dos custos médicos, revela o relatório “Changing face of Employee Health”, da Howden Employee Benefits.
O estudo, considerado o primeiro a oferecer uma análise integrada entre seguradoras, empregadores e trabalhadores de várias regiões, confirma que a saúde passou a ser um dos benefícios mais valorizados na relação laboral. Três em cada cinco colaboradores (61%) afirmam ter maior probabilidade de permanecer numa empresa que ofereça um bom pacote de saúde, enquanto 47% dizem considerar esse fator determinante quando procuram um novo emprego. Apenas 7% dos trabalhadores inquiridos afirmam não considerar o benefício relevante.
As empresas têm vindo a reavaliar os seus planos e a procurar novas formas de controlar a despesa. Entre as medidas já implementadas, a aposta em prevenção e bem-estar destaca-se como a estratégia considerada mais eficaz pela maioria dos empregadores: 55% referem que foi a abordagem que produziu melhores resultados.
Inflação médica poderá ultrapassar os 10%
Com base nos dados das seguradoras analisadas, a Howden prevê que a inflação médica global atinja os 7% em 2026, já descontada a inflação do IPC, o que significa que a inflação total deverá superar os 10%. Este cenário está a levar muitas organizações a reestruturar os seus planos de saúde, sendo que 23% dos empregadores já optaram por mudar de plano para obter melhores condições e 39% admitem que poderão seguir o mesmo caminho. Outros 26% não têm ainda planos concretos, mas estariam dispostos a fazê-lo caso surgissem propostas mais competitivas.
Apesar de 93% das empresas acreditarem que os seus atuais planos de saúde respondem às necessidades das equipas, um quarto dos trabalhadores discorda, o que evidencia uma discrepância entre o que as organizações consideram oferecer e o que os colaboradores percecionam. Em paralelo, 86% dos empregadores dizem obter um bom retorno do investimento em planos privados, embora muitos trabalhadores ainda não sintam plenamente os benefícios.
Aumento dos custos não é igual em todo o mundo
A expetativa de aumento de custos é quase consensual: 93% das empresas globais admitem que as despesas com saúde irão subir em 2026 e 41% consideram provável que essa subida seja “significativa”. As projeções variam consoante a região – com particular destaque para o IMEA (Índia, Médio Oriente e África), onde se antecipa um aumento de 58%. Na Europa, excluindo o Reino Unido, a previsão é de 27%, enquanto no Reino Unido ela se situa nos 28%. A Ásia deverá registar um aumento de 52%, a América Latina de 46% e a região do Pacífico de 36%.
Para Ana Jaime, Head of Business Employee Benefits da Howden Portugal, “as conclusões deste relatório – que alinham muito com a realidade que também registamos em Portugal – demonstram que o mundo está em transformação profunda, e que os empregadores estão a antecipar o aumento dos custos associados à saúde e ao bem-estar dos colaboradores”. “As discrepâncias entre o que os empregadores acreditam estar a oferecer e aquilo que os colaboradores dizem estar a receber são um indicador dessa mudança que vai além do essencial. Nutrir uma visão holística do maior ativo das empresas – as suas pessoas – é essencial para que as organizações sejam capazes de enfrentar os desafios que têm pela frente, mantendo boas práticas de crescimento e de produtividade”, afirma.
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