Os custos dos seguros de saúde para as empresas em Portugal deverão subir 10,3% em 2025, valor ligeiramente acima dos 9,9% registados no ano passados. A conclusão é do estudo “Custos dos Seguros de Saúde para as Empresas em Portugal”, realizado pela Coverflex.
“Com este estudo, pretendemos dar às empresas uma maior compreensão do panorama atual dos seguros de saúde, mas também evidenciar que, além dos desafios, existem oportunidades”, afirma Paulo Fradinho, Head of Insurance da Coverflex, em comunicado. “É certo que os custos continuam a aumentar e tudo indica que essa tendência se manterá nos próximos anos. No entanto, é fundamental que as empresas deixem de encarar os seguros de saúde apenas como um encargo financeiro. Este benefício é uma ferramenta de atração, retenção e valorização do talento, bem como de reforço da produtividade.”
O relatório destaca a inflação médica, que tem levado a subidas nos preços de consultas, exames, tratamentos especializados e dispositivos médicos. A concentração do setor privado em grandes grupos hospitalares, como CUF, Luz e Lusíadas, também influencia os valores contratados pelas seguradoras.
O recurso crescente ao setor privado é outro fator em destaque. Em 2025, mais de quatro milhões de pessoas já têm seguro de saúde, número que poderá ultrapassar os cinco milhões nos próximos dois a três anos.
O envelhecimento da população ativa e o aumento da prevalência de doenças crónicas estão igualmente a pressionar a procura de cuidados prolongados. A evolução tecnológica, embora essencial para diagnósticos e tratamentos mais eficazes, também implica custos acrescidos.
Por último, a procura crescente de cuidados de saúde mental, nomeadamente em psicologia, psiquiatria e programas de bem-estar emocional, está a levar as seguradoras a integrar coberturas mais amplas nestas áreas.
O principal desafio das seguradoras passa, segundo a Coverflex, por assegurar a sustentabilidade técnica, mantendo rácios de sinistralidade viáveis. Para isso, têm vindo a rever copagamentos e franquias, renegociar tabelas de preços e redesenhar modelos de rede de prestadores.
O estudo aponta ainda três tendências com potencial para equilibrar custos e valor: digitalização e análise de dados, com telemedicina, triagem clínica online e inteligência artificial para monitorizar sinistralidade quase em tempo real; prevenção da saúde, através de rastreios, programas de nutrição, incentivo à atividade física e apoio psicológico; e, por fim, modelos híbridos, em que as empresas oferecem coberturas base, permitindo upgrades voluntários financiados pelos colaboradores.
O aumento dos custos exige uma gestão estratégica do benefício. O relatório recomenda às empresas a renegociação de apólices, a partilha de custos com colaboradores e a promoção de programas de literacia em saúde para reduzir a utilização desnecessária dos serviços.
Os dados apresentados resultam das respostas ponderadas de seguradoras que, juntas, representam 87% do mercado de seguros de saúde para empresas em Portugal. O relatório completo pode ser consultado aqui.
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