Os líderes empresariais do G20 estão a redefinir as suas listas de prioridades. Se a recessão económica continua a marcar o topo das preocupações, pelo terceiro ano consecutivo, são agora os riscos sociais e tecnológicos que ganham terreno e começam a moldar de forma decisiva as agendas de risco das maiores economias do mundo. A conclusão é do Executive Opinion Survey 2025, realizado pelo Fórum Económico Mundial e divulgado pela Marsh McLennan e Zurich Insurance Group.
Entre os sinais mais marcantes desta edição está a escalada das ameaças associadas à insuficiência dos serviços públicos, à fragilidade dos mecanismos de proteção social, à falta de oportunidades económicas e, pela primeira vez, ao impacto da desinformação alimentada por tecnologia avançada. Estes fatores surgem, coletivamente, como alguns dos principais pontos de pressão sobre a estabilidade económica e social do G20 (China e Rússia não foram incluídas no inquérito).
IA, desinformação e ciberameaças
O papel crescente da inteligência artificial (IA) e a proliferação de conteúdos manipulados estão a alterar profundamente o cenário de risco global. Para Andrew George, Presidente da Marsh Specialty, “o crescimento da IA, a proliferação de informações falsas e a desinformação está a permitir que agentes mal-intencionados operem de forma mais ampla. Assim, os desafios impostos pela rápida adoção da IA, bem como as ameaças cibernéticas associadas, estão agora no topo das agendas empresariais”.
Acrescenta ainda que, apesar de fatores económicos e geopolíticos terem desviado atenções, as empresas não podem perder de vista os compromissos ambientais: “As empresas devem manter-se focadas nos seus objetivos ambientais para mitigar os riscos associados às alterações climáticas a longo prazo”.
Pela primeira vez, os riscos tecnológicos ligados à desinformação entram no top 5 dos líderes empresariais do G20, ocupando o quinto lugar. O relatório sublinha que a escalada da guerra de informação, alimentada por avanços na IA e por tensões geopolíticas crescentes, pode influenciar eleições, mercados e ameaçar infraestruturas críticas.
Pressão social cresce
O inquérito mostra também uma crescente ansiedade em torno da deterioração dos serviços públicos essenciais e das redes de proteção social. Estes riscos, associados a pensões, saúde pública e apoios sociais, surgem como o segundo e terceiro maiores receios dos líderes empresariais.
Alison Martin, CEO de EMEA & Bank Distribution da Zurich, alerta para a gravidade da situação: “Áreas críticas como as pensões e a saúde pública já não são apenas questões governamentais – são prioridades das empresas”. A executiva acrescenta que, “na Europa, existem menos de três adultos em idade ativa por cada pensionista e mais de um terço dos cidadãos da União Europeia não está a poupar o suficiente para a reforma”. “É hora de agir. Ao unirmos forças entre setores, podemos ajudar a capacitar as pessoas para construírem resiliência financeira e garantirem um futuro melhor para todos.”
A recessão económica mantém-se como o risco mais citado pelos mais de 11 mil líderes empresariais de 116 países, liderando a lista geral do G20 e ocupando o primeiro lugar nos Estados Unidos e no Reino Unido. A inflação – que no ano passado surgia como terceiro maior risco – desce agora para quarto. Já os eventos climáticos extremos, que figuravam em quinto lugar em 2024, já não aparecem entre os cinco principais riscos este ano.
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