Será que continuaremos numa dicotomia entre o trabalho híbrido e o remoto? Será prioritário falar sobre o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores? Como é que a Inteligência Artificial e a automação vão mudar o nosso trabalho este ano?
Estas foram algumas questões que estiveram no âmago do primeiro webinar de 2024, em que o IIRH convidou representantes de quatro empresas para falar sobre o tema “Tendências RH para 2024”. O webinar, que teve o apoio da Urban Sports Club — empresa com soluções à medida nas áreas de saúde e bem-estar — foi moderado por Cristina Martins de Barros, Founder do IIRH.
O webinar contou com a presença de Afonso Rodrigues, Team Lead International Growth da Urban Sports Club, Isabel Carvalho, Head of HR da Linklaters, Marco Serrão, Chief People & Spaces Officer da Galp, e Maria do Rosário Vilhena, Head of HR para a EUR e SBU da Nestlé Waters.
Antes do início da discussão, houve um momento breve de interação com o público, através da ferramenta Menti. A plateia do webinar teve a oportunidade de colocar algumas palavras-chave à pergunta “Quais os seus maiores desafios para 2024 na função RH?”.

De todas as palavras que apareceram, o tema do trabalho híbrido foi trazido à discussão por Marco Serrão, numa altura em que a Galp inaugurou um novo escritório. “A inauguração de um novo escritório trouxe uma experiência diferente às pessoas, sendo um espaço que pode ser desfrutado por todos e que dá a possibilidade de fazer coisas diferentes”, acrescenta.
No caso da Galp, que tem tido como importante a liberdade de escolha no que toca aos modelos de trabalho, o novo espaço trouxe sinais positivos para a empresa ao estimular as equipas a terem as pessoas mais presentes.
Maria do Rosário Vilhena considera que um dos temas que vai marcar os recursos humanos em 2024 será a palavra cultura. A falta de uma “cola” com a transição para um modelo híbrido foi apontada como um fator que as organizações devem ter como preocupação no novo ano, mas a Head of HR para a EUR e SBU da Nestlé Waters entende que o problema deve ser analisado ainda mais profundamente. “Passa, principalmente, pelo ambiente de topo. De como a cultura interna da empresa é comunicada e como é definido o seu propósito. Na Nestlé Waters tentamos ter, de três em três meses, um workshop presencial feito por um sénior leader sobre a temática do propósito – o que somos, o que fazemos e porque o fazemos”, sublinhou.
“Passa por cada um de nós, colaboradores, ser um embaixador da marca. É algo que se constrói e se reforça todos os dias. E, nos últimos tempos, esse reforço do propósito tem vindo dos nossos colaboradores do ‘chão de fábrica'”, acrescenta Maria do Rosário Vilhena.
A “cultura do erro” também foi um dos focos do debate, em que muitas vezes as organizações que lidam com grandes clientes têm dificuldades em aceitar os erros cometidos pelos colaboradores. Como sociedade de advogados internacional, a Linklaters tem lidado com uma série de mudanças – desde o regresso ao escritório, através da criação de um ambiente de trabalho mais agradável, até à criação de uma cultura de trabalho que seja consistente e que integre as diferenças culturais.
Isabel Carvalho considerou que a “cultura do erro” é fundamental nas empresas, mesmo que, por vezes, a Linklaters tenha dificuldades em lidar com a mesma. “É difícil aceitar estes momentos, especialmente quando temos grandes clientes. No entanto, o trabalho em rede que efetuamos permite mitigar esses erros. E nós temos noção que, no caso dos estagiários, é importante que eles saibam que errar é natural e faz parte do processo de desenvolvimento”, sublinha.
“Não nos focamos sempre em apontar a responsabilidade a uma pessoa ou a um grupo. Num survey que realizamos, compreendemos que apontar permanentemente o erro reduz a produtividade e leva a sentimentos de frustração por parte dos colaboradores”, aponta Isabel Carvalho.
Além destes temas, os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) nos Recursos Humanos e a questão da diversidade e inclusão estiveram entre os temas que os convidados do webinar escolheram abordar. Afonso Rodrigues, Team Lead International Growth do Urban Sports Club, observa que a discussão do tema tem crescido nas organizações. “Apesar de não termos a dimensão mundial de outras empresas, o Urban Sports Club não deixa de ser uma empresa muito europeia e com uma grande diversidade cultural. Temos apostado na diversidade e inclusão das pessoas junto das equipas de liderança”, refere.
“Recentemente, temos criado workshops para as equipas de liderança, focados no recrutamento e no onboarding. Os tópicos dos ODS e da diversidade e inclusão são muito importantes para nós”, indica Afonso Rodrigues.
A Inteligência Artificial à mesa das empresas
O tema da Inteligência Artificial (IA) não escapou à discussão do webinar. Marco Serrão, Chief People & Spaces Officer da Galp, revela que se sente otimista em relação aos potenciais da ferramenta e, ao mesmo tempo, desvaloriza a ideia que muitos empregos vão desaparecer devido à Inteligência Artificial.
“Eu considero que é um grande statement afirmar que muitos empregos vão desaparecer em virtude da Inteligência Artificial e das respetivas ferramentas. É algo que ainda temos de ver. De qualquer forma, a discussão do tema é algo muito importante. Adianto que, em breve, a Galp vai adquirir 100 licenças de Copilot da Microsoft (ferramenta de Inteligência Artificial integrada no Office), uma suite que vai ajudar a aumentar a velocidade que as pessoas realizam o seu trabalho”, sublinha.
Serrão acrescenta também que a oportunidade de melhorar os trabalhos mais difíceis também vai trazer consigo a eliminação de algumas tarefas mais repetitivas que eram feitas por humanos, sendo substituídas por máquinas. O Chief People & Spaces Officer da Galp indica que, no entanto, esta é uma oportunidade de criar novas funções para estas pessoas através de programas de reskilling e upskilling.
“No fim de contas, trata-se de garantir que as pessoas conseguem utilizar melhor a tecnologia”, conclui Marco Serrão.
Foi na reflexão da eliminação de certas tarefas e funções que Cristina Martins de Barros também questionou Isabel Carvalho acerca da relevância do papel do advogado na era da IA. Como Head of HR da empresa, Carvalho afirmou que não se sente receosa por causa das ferramentas de IA, uma vez que a Linklaters tem vindo a desenvolver ferramentas de IA ao longo dos anos. Um dos exemplo que apresentou foi a Lyla, uma assistente de IA que desenvolve minutas através de inputs submetidos pelo advogado.
“Nos escritórios também temos vindo a otimizar os processos internos de recrutamento de talento (como o onboarding ou a leitura de currículos), procurando reduzir as horas de trabalho. Claro que, com ferramentas como estas, enfrentamos muitos desafios, como o custo delas, o problema da segurança da informação e também o desafio de treinarmos as pessoas para a utilização destas ferramentas”, enumera.
Em jeito de conclusão do webinar, Afonso Rodrigues, Team Lead International Growth do Urban Sports Club, destacou outras preocupações que podem estar na mente dos Diretores de Recursos Humanos ao longo do ano de 2024.
“A cultura e o propósito das empresas vão ser fundamentais e devem ser incentivadas por parte das lideranças. Tal como referido pela Isabel Carvalho, eu concordo que é importante lidar com o erro de forma positiva. E, por fim, acho essencial que as organizações criem estilos de vida mais ativos dentro das organizações, através do alinhamento das necessidades e uma política de ‘pray what you preach'”, concluiu.
(Re)veja o webinar que contou com o apoio do Urban Sports Club. Descarregue aqui o ebook “Como utilizar o Urban Sports Club para melhorar o bem-estar dos colaboradores”.