Autora: Catarina Correia, Head of Marketing & Communications da CEGOC
Vivemos numa era de personalização extrema — das playlists de música aos feeds de notícias, tudo é moldado às nossas preferências únicas.
Não é surpresa, portanto, que a aquisição de conhecimento e competências navegue nesta lógica. Tem vindo, aliás, a ser cada vez mais influenciada por ela. Como tal, a aprendizagem personalizada é uma das suas grandes tendências emergentes. Na verdade, esta é mesmo uma revolução!
Desde logo, pois rompe com o modelo tradicional “tamanho único” e adapta-se meticulosamente às necessidades do colaborador. Imagine um mundo onde cada módulo de formação é uma peça de roupa feita sob medida, ajustando-se perfeitamente às necessidades de conhecimento de cada indivíduo. É, portanto, o oposto do esquema clássico de conteúdos preparados para todos, entregues num mesmo momento e espaço, a uma plateia, pensados para “a média” ou uma maioria de destinatários.
Podem atribuir-se três caraterísticas-padrão à experiência de aprendizagem personalizada (que começam por ser sequenciais e podem depois interpolar-se). Desde logo, a identificação individualizada de necessidades, para posteriormente prosseguir nos caminhos autónomos de aprendizagem que, passo a passo, o próprio formando programará (tarefa na qual pode ser ajudado pelas sugestões de diversas plataformas, conhecidas como mecanismos de recomendação). Por fim, salienta-se a entrega adaptável de conteúdo (em tempo real e decorrente das escolhas dos próprios e das que são geradas de forma automática, de acordo com a evolução mostrada pelo formando).
A Inteligência Artificial (em especial a IA Generativa) desempenha um papel fundamental de suporte a estas três caraterísticas. Ao ajudar a constituir o percurso individual de aprendizagem do formando, orienta-o (ou à empresa) nesse caminho, em função da informação que dele recebe e que soube interpretar. A análise de dados em tempo real permite, por exemplo, sugerir um novo tema a ser explorado ou exercícios e atividades de consolidação. Já através da elevada capacidade de gerar tudo o que dispõe, a IA é também crucial para assegurar dois requisitos da aprendizagem personalizada: a iteração (pela quantidade de conteúdos) e a atratividade (pelos conteúdos diversos que apresenta, em particular os que concebeu com recurso à gamificação, realidade virtual, entre outras técnicas).
Mas afinal, quais são as vantagens deste tipo de aprendizagem para colaboradores e empresas? Podemos, desde já, apontar quatro “ganhos”, que se refletem sempre, direta ou indiretamente, nos dois grupos identificados. Por exemplo, a envolvência, ao dar um papel crucial ao formando, devido à maior participação na escolha dos conteúdos tratados, bem como do tempo, modo e espaço para lhes aceder. A motivação e os resultados da formação saem, assim, beneficiados. Mas também a eficácia, pela melhor relação tempo despendido/objetivo, pois concentra-se no que é realmente importante e na sua aplicação, visto poder ser direcionada para as necessidades detetadas e a função desempenhada.
De referir, igualmente, a atratividade, pois, para além do já referido aumento da intervenção do formando, também o uso da tecnologia contribui para que a aprendizagem seja mais aliciante, já que imprime um caráter lúdico a diversas atividades. E, por fim, a versatilidade, isto é, a possibilidade de a aprendizagem individual mapear competências do ponto de vista organizacional e, quando necessário, proceder a ajustamentos ou alterações mais profundas, que tenham em conta as necessidades da empresa e o perfil e potencial de competências de cada colaborador.
A Inteligência Artificial não é apenas uma facilitadora, mas a grande protagonista nesta revolução educativa. A tecnologia avança e as nossas opções de personalização aumentam, permitindo cada experiência de aprendizagem ser tão única quanto cada indivíduo. Num futuro não muito distante, aprendizagem personalizada não será apenas uma opção, mas a norma, o que permitirá a cada colaborador atingir o seu potencial máximo.
Este é o momento para questionar as velhas normas e explorar a forma como as novas tecnologias podem, não apenas adaptar-se, mas antecipar-se às necessidades únicas de cada talento. O que, ao mesmo tempo, levanta um enorme desafio: num mundo que valoriza a individualidade, como podem as nossas abordagens educativas permanecer uniformes?