Autor: Sérgio Cardoso, Chief Education Officer do Doutor Finanças.
A construção diária de uma empresa que se quer sólida, obriga à árdua tarefa de estar sempre atento e dar resposta aos mais diversos desafios que os colaboradores vão enfrentando. A gestão de proximidade tem destas coisas, podemos intervir aos primeiros sinais de alerta na tão desejada tríade do equilíbrio: corpo, mente e carteira.
Será que entre estes vértices algum lhe parece desgarrado? Bom, se o bem-estar dos colaboradores não está no pódio das suas prioridades, é tempo de rever os planos. É fundamental avaliar os seus níveis de ansiedade financeira. Quem sabe se não estão a ter impacto na produtividade, no compromisso ou na fidelização de talento.
Qualquer uma destas áreas é um alvo fácil em cenários de desequilíbrio, mas, a produtividade assume outros contornos. À semelhança do que acontece no pilar da literacia financeira, também nesta matéria de produtividade temos lugar cativo na cauda europeia, segundo dados do Eurostat.
As razões que justificam os problemas de produtividade são diversas e com graus de profundidade distintos. Até porque sabemos que o problema não está no ADN português, porque os relatos de quem trabalha fora de Portugal provam que os portugueses são produtivos.
E ainda que sejam muitas as causas, há algumas conclusões que já permitem termos visibilidade sobre os temas que podemos adereçar.
Três horas por semana a resolver problemas financeiros
Sabia que os colaboradores usam, em média, três horas por semana, no seu horário de trabalho, para resolver problemas financeiros pessoais? São três horas de desconcentração e ansiedade. Os dados da PwC, que publicou estudos sobre o impacto da saúde financeira na vida dos trabalhadores, mostram mesmo que 76% das pessoas com dificuldades financeiras assumem ter problemas de produtividade.
Aliás, os números do “Employee Financial Wellness Survey” de 2023, da PwC, vão mais além e mostram que 57% dos colaboradores elege as questões financeiras como uma das principais causas de stress na sua vida. Além disso, mais de um terço dos colaboradores sob esta pressão, admite procurar novas oportunidades de emprego.
Os problemas financeiros dos seus colaboradores são mais do que um problema pessoal. A empresa pode estar com um problema sério de produtividade e de rotatividade.
Apostar no bem-estar financeiro das nossas pessoas é garantir o sucesso individual e a sustentabilidade da organização.
E como pode ajudar? Dotando as pessoas da mais eficaz e poderosa ferramenta: o conhecimento. As finanças pessoais nada têm de ser um bicho papão, e não exigem um doutoramento em Matemática Aplicada.
As finanças pessoais são, essencialmente, comportamentos. É tempo de acabar com o tabu, o dinheiro não tem de ser vil. As boas práticas abrem, mesmo, caminho a uma relação equilibrada, libertando-nos para sermos as nossas melhores versões, tanto a nível pessoal como a nível profissional.