POR: Pedro Duarte Santos, Principal de Search & Talent Advisory da Neves de Almeida – Search & Talent Advisory
No cenário atual, marcado por mudanças rápidas e complexidade crescente, muito alavancada por uma pandemia, a liderança está a passar por uma profunda transformação. Já não basta ao gestor ser apenas um especialista técnico ou um bom estratega. A nova exigência é ser, antes de tudo, humano. Neste contexto, a inteligência emocional, não sendo nenhuma novidade, emerge como uma competência essencial para o sucesso dos líderes do futuro.
Recordo-me de há cerca de 15 anos ler o livro do Daniel Goleman, Os Novos Líderes, onde apresentava uma nova perspetiva sobre a liderança eficaz, centrada na inteligência emocional. Referia que os líderes verdadeiramente eficazes não se destacam apenas pelas suas capacidades cognitivas, mas sobretudo pela sua habilidade de compreender e gerir as emoções – tanto as próprias como as dos outros.
A inteligência emocional é composta por cinco pilares fundamentais: autoconsciência, autorregulação, motivação, empatia e habilidades sociais. Estas competências, segundo Goleman, são cruciais para criar ambientes de trabalho mais colaborativos, saudáveis e produtivos. Um líder emocionalmente inteligente sabe escutar, valoriza a equipa, inspira confiança e consegue gerir conflitos com sensibilidade.
Além disso, Goleman defende que existem diferentes estilos de liderança emocional – como o visionário, o orientador, o conciliador, entre outros – e que os melhores líderes sabem adaptar o seu estilo às necessidades do momento. Esta flexibilidade emocional é cada vez mais vital num mundo onde os desafios são imprevisíveis (como um apagão) e exigem respostas empáticas e ágeis.
Avaliar a inteligência emocional num processo de recrutamento é uma competência cada vez mais solicitada, para garantir que os líderes selecionados têm não só competências técnicas, mas também a capacidade de gerir pessoas, construir confiança e lidar com a complexidade emocional do cargo, tendo, por vezes de liderar pessoas de novas gerações. Da mesma forma, os candidatos estão cada vez mais
exigentes nesta competência, sendo particularmente notória entre as novas gerações, mas não só. Candidatos séniores, que já passaram por várias organizações, valorizam profundamente a qualidade das relações humanas no trabalho. Estão atentos à forma como um líder comunica, à sua capacidade de gerir conflitos e de demonstrar empatia.
O futuro da liderança está, portanto, na capacidade dos gestores de se reinventarem. Ser líder, hoje, é saber construir relações humanas significativas, fomentar o bem-estar organizacional e liderar pelo exemplo emocional. A inteligência emocional deixou de ser um complemento – é agora uma competência central e estratégica.
Aproveite e leia já as últimas edições da RHmagazine AQUI