Mais de metade das pessoas com incapacidade não têm emprego em Portugal. Quem o garante é a Randstad, que desenvolveu um estudo sobre “o papel das pessoas com incapacidade no mercado de trabalho em Portugal”. Em análise, estiveram o perfil sociodemográfico das pessoas com incapacidade em Portugal e comparação europeia, a participação do grupo no mercado de trabalho e os dados sobre o talento das pessoas com incapacidade.
Para concluir o estudo, a Randstad recorreu a dados de instituições como o INE (Instituto Nacional de Estatística) e a Eurostat. Também foi realizado um questionário para averiguar as competências, a formação e a experiência profissional das pessoas com incapacidade.
De entre as 1.060.000 pessoas com incapacidade em todo o mundo, com idades a partir dos 14 anos, 348.300 estão em idade ativa. Assim, a taxa de atividade na população com incapacidade é de 47,6%, enquanto na população sem incapacidade é de 73,1%. A taxa de emprego nas pessoas sem incapacidade é de 67,2% e nas pessoas com incapacidade é de 42,3%. A taxa de desemprego é cerca de 3,3 p.p. mais elevada em pessoas com incapacidade.
A incapacidade de mobilidade é a mais frequente, afetando mais de metade da população com incapacidade (55,9%). Seguem-se as limitações visuais, com prevalência em 32,4% das pessoas com incapacidade, as cognitivas ou de memória, que afetam 31,3%, as auditivas, que afetam 26%, nos cuidados pessoas, que afetam 27,6% e na comunicação, que afetam 14,2%. 84,4% das pessoas com incapacidade são não ativas, sendo que destas, 77,2% estão reformadas.
O emprego das pessoas com incapacidade
São poucas as pessoas com incapacidade que têm emprego, em quase todas as categorias profissionais que requerem maior qualificação. As profissões técnicas e de nível intermédio integram 10,6% da população em geral. Já no caso das pessoas com incapacidade, o emprego nestes cargos é de apenas 7,4%. As atividades intelectuais e científicas acentuam esta diferença, empregando 18,2% da população em geral e apenas 11,1% de pessoas com incapacidade.
A tendência inverte-se em trabalhos não qualificados. A percentagem de pessoas com incapacidade empregadas é superior à das pessoas sem incapacidade. O primeiro caso corresponde a 24,4%, comparando com 15,4% da população em geral empregada nestes cargos.
O questionário realizado pela Randstad em Portugal revelou que 59% das pessoas com incapacidade entrevistadas estão desempregadas. Deste grupo, 62% estão em situação de desemprego de longa duração. De entre os empregados, 44% estão integrados em grandes empresas, desempenhando, principalmente, funções administrativas simples. Seguem-se tarefas técnicas especializadas e tarefas físicas simples. 44% mantêm o mesmo local de trabalho há mais de três anos, mas também há casos que passaram por mudanças recentemente.
Os fatores que motivam a mudança de emprego
De entre as pessoas com incapacidade empregadas, 58% estão disponíveis para novas ofertas, ou à procura de um novo emprego. O principal fator que incentiva a mudança é a busca por um melhor salário. Segue-se a procura por melhores oportunidades de desenvolvimento profissional e por um emprego mais adequado à sua formação.
Por outro lado, o principal fator que retém o talento é a oportunidade de desenvolvimento profissional no local de trabalho atual. Seguem-se o nível de flexibilidade da empresa e a localização próxima de casa. 92% das pessoas entrevistadas considera difícil ou muito difícil encontrar um novo emprego. O principal motivo é a própria incapacidade. Ademais, 77% das pessoas não estão envolvidas em qualquer tipo de formação, o que foi justificado pela falta de condições financeiras, pela dificuldade em encontrar cursos adaptados à sua incapacidade e por problemas de acessibilidade e mobilidade.
Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, referiu: “Esta análise permite-nos perceber que existe ainda uma situação de disparidade no mercado entre pessoas com incapacidade e sem incapacidade. Mas mais do que isso, é importante percebermos de que forma podemos diminuir estas diferenças, quais são as motivações e expectativas desta fatia de pessoas que tem maior dificuldade em encontrar emprego e criar estratégias para colmatar este desafio.”
De entre as pessoas entrevistadas, 40% têm uma incapacidade relacionada com a mobilidade, 13% com a cognição ou memória, 10% com a visão e 7% com a audição. 42% têm outros tipos de incapacidades, tais como psicossociais ou mentais, doenças crónicas e orgânicas e condições autoimunes e imunológicas e neurológicas. Quanto ao grau de incapacidade, 65% estão condicionados em 60% ou mais. 9% ainda não foram avaliados a este nível.