A Associação Gallup International (GIA) e da Intercampus a nível nacional, realizou uma análise em 45 países nos vários continentes, entre outubro e dezembro de 2023.
A sondagem global concluiu que apesar de a satisfação nacional com o trabalho ter obtido melhores resultados, Portugal é o 3.º país da Europa mais descontente com a sua situação laboral e o 12.º a nível mundial.
O estudo constatou que 64% dos portugueses inquiridos está satisfeito com o seu trabalho, em contrabalanço com 20% que demonstra estar descontente com a função que desempenha. No que toca à remuneração, 45% dos indivíduos auscultados em Portugal admite estar descontente, enquanto 39% demonstra estar mais satisfeito.
A nível mundial, dois terços (65%) dos trabalhadores estão satisfeitos com o seu emprego e 47% concorda com a remuneração que recebe. As pessoas mais satisfeitas com o seu trabalho encontram-se na Europa, nos EUA, na Ásia Ocidental e na América Latina, onde a percentagem atinge os 70%. Kosovo e Arábia Saudita são os países com mais inquiridos contentes com o seu trabalho (83%), seguindo-se o México (82%), o Equador (81%), a Suécia (79%) e a Geórgia e as Filipinas (78%).
Nos países africanos e asiáticos, são poucas as pessoas que se dizem satisfeitas com o seu trabalho. O país do mundo mais descontente com a sua situação laboral é o Quénia (59%), seguido da Nigéria (36%). Esta lista fica completa com o Iraque e a Sérvia (29%) a ocuparem o terceiro lugar, a Argentina (27%) o quarto, e a Índia e o Paquistão (26%) na quinta posição.
A satisfação com a remuneração apresenta, tradicionalmente, percentagens mais baixas. No entanto, esta não está necessariamente relacionada com a opinião sobre a função. Um trabalhador pode estar satisfeito com um emprego, mas não com o salário, e vice-versa. As sociedades das regiões mais ricas são as que apresentam percentagens mais elevadas de satisfação pessoal com o salário.
Quase metade dos trabalhadores a nível mundial (47%) está satisfeita com a sua remuneração, contrastando com cerca de um terço que discorda. Os países ocidentais, os EUA e a América Latina são os que ocupam os lugares cimeiros nesta categoria. Os países do mundo mais satisfeitos com o vencimento são as Filipinas (71%), o Afeganistão (70%), o Equador (69%), a Arábia Saudita (68%) e o México (67%).
Países de maior dimensão, como a Índia e as regiões de África, voltam a destacar-se com menores percentagens de satisfação com a sua remuneração: o Quénia é o país mais insatisfeito (74%), seguido da Nigéria (56%) e da Argentina (50%). A Síria e a Sérvia ocupam o quarto lugar (49%) e Portugal (45%) é a quinta nação do mundo mais descontente com o salário.
O rendimento e o nível de escolaridade dos indivíduos são os indicadores que mais influenciam as perspetivas. Características demográficas, como o género ou a idade, parecem ter pouco impacto na opinião dos inquiridos em relação ao trabalho ou ao salário. No entanto, o nível de remuneração para os participantes do sexo masculino e para os mais jovens revela-se mais satisfatória do que para os do sexo feminino e das gerações mais velhas.
Inteligência Artificial: entre a ameaça e a oportunidade
A sondagem global da Associação Gallup International (GIA) e da Intercampus em Portugal revelou ainda que a Inteligência Artificial (IA) suscita preocupações a nível mundial. Apesar de 31% dos inquiridos ver mais oportunidades na IA, 38% acredita que esta traga problemas. Uma percentagem significativa, 24%, não se sente suficientemente informada para avaliar os efeitos da IA na humanidade. Os jovens são os mais otimistas e quem vê mais oportunidades na IA. O mesmo sucede com os inquiridos com mais habilitações. Por outro lado, as gerações mais velhas e as menos instruídas estão mais preocupadas.
“A remuneração e as habilitações continuam a ter um grande impacto na forma como os trabalhadores se sentem em relação à função que desempenham, quanto mais instruído ou bem remunerado, maior a satisfação laboral”, afirma diretor geral da Intercampus, António Salvador.
De um modo geral, os países economicamente mais desenvolvidos estão um pouco mais preocupados com os efeitos da Inteligência Artificial no mundo. O resto do mundo vê uma oportunidade, embora o medo das novas tecnologias ainda seja relevante. Globalmente, as percentagens de respostas “Não me sinto suficientemente informado” são significativas – entre 20 e 30%, o que mostra que a ameaça ou a oportunidade ainda não está definida.