O setor industrial tem sido palco de mudanças significativas que têm colocado um foco crescente na resiliência das operações e na capacidade de inovação.
Embora ainda existam obstáculos significativos, a aceleração da tecnologia de automação industrial e um foco crescente na sustentabilidade permitem antever um futuro promissor para este setor.
Recentemente, o ManpowerGroup lançou o ManpowerGroup Global Insights – Tendências do Mundo do Trabalho no Sector Industrial que analisa os desafios associados às tendências que já estão a impactar a Indústria e a gestão do talento neste setor. Entre esses desafios, destacam-se a atração de profissionais qualificados capazes de acompanhar a transformação das empresas, bem como a necessidade de upskill e reskill das atuais bases de talento, para que possam acompanhar a rápida evolução de tecnologias e ferramentas de automação cada vez mais complexas.
Competências Técnicas
Tendo em conta as transformações significativas nos processos de fabrico, o chão de fábrica do futuro será mais conectado e automatizado. Isto vai proporcionar oportunidades em funções especializadas que exigirão competências técnicas capazes de suportar a inovação nos métodos de trabalho e no desenvolvimento de novos produtos e serviços.
1. Data Analytics
A recolha de dados automatizada a partir de máquinas conectadas, combinada com os avanços na IA e Machine Learning vão reforçar as capacidades de modelação de dados e de previsão de cenários futuros, transformando muitas das funções ligadas à gestão e planeamento das fábricas e linhas de montagem. No futuro, estes profissionais utilizarão os dados e a análise preditiva para otimizar o planeamento da produção, antecipar e prevenir problemas na cadeia de abastecimentos e identificar oportunidades de melhoria.
2. Melhoria Contínua
A melhoria contínua na indústria transformadora centra-se no aumento da produtividade e da eficiência, na eliminação de desperdícios e no reforço da participação dos trabalhadores e da satisfação dos clientes. É uma mentalidade que deve estar presente desde o chão de fábrica até à equipa de direção, com raízes no princípio japonês do kaizen, que orienta os trabalhadores na realização de ajustes diários incrementais que, cumulativamente, produzem transformações significativas ao longo do tempo.
O objetivo da introdução de tecnologias como a IA, os gémeos digitais, a robótica e a automação é aumentar a eficiência, a qualidade e a flexibilidade. Neste âmbito, a capacidade de avaliar o desempenho e conceber processos de melhoria contínua será fundamental.
3. Adaptação tecnológica
Com a crescente prevalência de inovações como os dispositivos conectados, o cloud computing, a IA avançada ou a impressão 3D no mundo industrial, ter um interesse genuíno nestas áreas permitirá aos profissionais obter uma vantagem distinta sobre aqueles que forem mais lentos em adotá-las.
Compreender a forma como o mundo está a inovar e a utilizar a tecnologia permitirá ganhar importantes insights sobre as operações industriais, e preparar-se para a sua implementação.
Competências Humanas
Apesar dos avanços na automatização, as competências humanas revelam-se cada vez mais valiosas, dotando os indivíduos das capacidades para lidar com os desafios e oportunidades que a Indústria 4.0 apresenta.
1. Pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas
À medida que os contextos de produção se tornam cada vez mais automatizados, as empresas vão necessitar de trabalhadores com a capacidade de identificar ou prever problemas, avaliar cenários e conceber soluções ótimas. Face à evolução tecnológica, os operadores de fábrica, que até agora estavam principalmente especializados em determinadas máquinas ou produtos que lhes eram atribuídos, irão poder trabalhar de forma mais flexível, tirando partido das ferramentas digitais e do suporte da IA para identificar e resolver problemas de forma proativa.
O pensamento crítico permitirá compreender problemas complexos – algo que a IA ainda não consegue fazer na totalidade e com qualidade – permitindo analisar o panorama geral a abordar, avaliar os prós e os contras das diferentes opções e colaborar para identificar soluções eficazes.
2. Flexibilidade
No ambiente dinâmico e em crescente mudança da Indústria, os fabricantes darão prioridade a trabalhadores que possuam adaptabilidade, curiosidade e sede de novos conhecimentos, em detrimento de especialistas limitados a máquinas ou processos específicos.
As empresas deste setor precisam de procurar novas vias para se desenvolver e de trabalhadores que estejam prontos para adquirir rapidamente novas competências, melhorar as suas qualificações e ganhar novos conhecimentos. A formação e o upskilling dos trabalhadores serão fundamentais para colmatar o desencontro entre as necessidades das empresas e as bases de competências disponíveis, e as empresas terão de promover uma cultura de aprendizagem contínua para ajudar os seus trabalhadores a adaptarem-se eficazmente a estas mudanças.
3. Apetência para a inovação
A tomada de decisões será cada vez menos reservada exclusivamente aos responsáveis pelos cargos de liderança, sendo partilhada com os trabalhadores da linha da frente que, através do seu conhecimento e aprendizagens, podem contribuir na otimização e transformação contínuas da produção.
Num ambiente industrial em transformação, a apetência para a inovação não só impulsiona a criatividade e a eficiência, como também estimula a adaptação às mudanças e promove o crescimento organizacional.
Em resposta às significativas mudanças na economia global, a transformação do negócio é hoje uma prioridade fundamental para os líderes do setor industrial, que procuram estar na vanguarda da transformação verde, da transformação digital e da inovação humana. Os empregadores que conseguirem comunicar eficazmente esta evolução certamente ganharão uma vantagem competitiva na atração do talento necessário para construir o futuro da Indústria.