Luis Gonzaga, founder da Full Fill, e Lurdes Romeiro Serrão, Head of Academia do Banco Montepio, foram os convidados deste webinar moderado por Cristina Martins de Barros, Founder do IIRH.
Luís Gonzaga começou a sua intervenção convidando os participantes a fazerem um exercício de respiração, em que cada um tinha de analisar a sua respiração durante 60 segundos. De seguida, pediu que escrevessem o que tivessem em pensamento naquele momento. Após o exercício, recomendou que este seja feito todos os dias, uma vez no início e outra no fim, até ao dia em que se reformassem.
O mesmo explica que a finalidade do exercício é ajudar a libertar a mente porque “funciona melhor quando não está tão preenchida”. E é com estas palavras que faz a ligação para o primeiro ponto que ia abordar: mentalidade fixa e mentalidade de crescimento.
Segundo Luís Gonzaga, a mentalidade fixa corresponde ao pensamento de que a pessoa será sempre daquela forma. Esta mentalidade é descrita como o Complexo Gabriela, fazendo menção à telenovela brasileira, em que se ouve no genérico: “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim”.
“Há pessoas que têm este Complexo da Gabriela que lhes faz acreditar que a forma como estão a trabalhar e a forma como são, vai ser sempre assim toda a vida. Isto não corresponde propriamente a verdade”, expõe Luís Gonzaga.
“O nosso cérebro tem esta capacidade, esta plasticidade neuronal que nos permite estar sempre em crescimento, então mesmo que eu tenha sido sempre assim, mas se me mostrarem uma forma diferente de funcionar, trabalhar ou de ser, eu terei a disponibilidade para mudar”, acrescenta.
Produtividade consciente
Passando ao tema principal do webinar, a produtividade consciente, o orador descreve este conceito como o resultado sobre o esforço (sendo esta a definição da palavra produtividade) e o estar alinhado com o propósito maior da organização, considerando o bem-estar de todos os envolvidos.
“Podemos considerar a definição da produtividade consciente como tendo esta consciência do que me faz e o que me permite ser mais produtivo, minimizando o esforço envolvido, estando alinhado com o propósito maior da organização, e também se possível com o meu propósito de vida, cuidando do bem-estar de todas as pessoas envolvidas”, explica.
Para esta definição são considerados quatro princípios, sendo que o primeiro tem a ver com pessoas diferentes.
“Pessoas diferentes pensam, falam, expressam-se, sentem e agem de forma diferente. Pessoas diferentes trabalham melhor de forma diferente. Por isso, aquilo que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra”, expõe o founder da Full Fill.
O segundo princípio é a prevalência da gestão de energia sobre a gestão do tempo. Luís Gonzaga refere que já é habitual associar-se a produtividade a gestão do tempo. Na opinião do mesmo, não é algo que faça sentido visto que “o tempo é um conceito criado por nós, porém, estamos no momento presente”. Ou seja, a gestão do tempo não é algo que se possa realmente gerir, já que não podemos controlar o que se possa passar nas horas seguintes. Luís Gonzaga defende ainda que a gestão do tempo nunca pode prevalecer sobre a gestão de energia, caso contrário a probabilidade de se desenvolver um quadro de burnout é muito maior.
O founder da Full Fill defende que o foco deve estar na gestão de energia, visto que o ser humano não trabalha da mesma forma devido ao seu nível de cansaço. O orador dá o exemplo de que um indivíduo pode executar uma tarefa numa segunda-feira de forma mais eficiente, mas na sexta-feira poderá já não ser assim.
O descanso é o nosso melhor aliado
“Para aumentar a nossa produtividade consciente, por onde devemos começar?”, questionou o Luís Gonzaga aos participantes. Para a surpresa de muitos, a resposta foi “dormir”.
“Dormir é a atividade que tem mais impacto na vossa energia e na qualidade dos resultados que vocês têm. Por isso, dormir bem devia ser a vossa primeira atividade”, afirma o orador. O mesmo acrescenta que também a forma como nos alimentamos, a prática de exercício físico e a ligação com a natureza, também ajudam reforçar a nossa produtividade.
Relativamente ao terceiro princípio, Luís Gonzaga expõe que este rege-se pelo facto de estarmos saudáveis, com energia, alinhados com o propósito da organização e com o nosso propósito, consequentemente iremos produzir mais e melhor, e seremos mais felizes.
O quarto princípio refere-se ao facto de que as pessoas, as empresas e os sistemas estão em constante evolução. Ou seja, é extremamente importante estarmos todos em constante atualização.
“Aquilo que funcionou quer para mim, quer na empresa, quer nas ferramentas, há 10 anos atrás, há cinco anos atrás, há dois anos atrás, agora pode deixar de funcionar”, explica.
Lurdes Romeiro Serrão, Head of Academia Montepio, abordou como é que a questão do bem-estar se faz no dia-a-dia das empresas. A oradora explica que o bem-estar nas empresas está ligado ao bem-estar do colaborador. A mesma defende ainda que para as empresas criarem o bem-estar é necessário ouvir as pessoas para saber o que elas procuram.
“É necessário ouvir os colaboradores para encontrar programas, lugares e iniciativas que possam alinhar com aquilo que é o propósito de cada colaborador, e assim termos uma sintonia entre o colaborador e a empresa para que todos possamos estar mais felizes, mais enquadrados e por isso mais produtivos”, afirma Lurdes Romeiro Serrão.
Os pilares da produtividade consciente
De acordo com o Luís Gonzaga, os pilares da produtividade consciente é constituído por sete áreas: o controlo, a perspetiva, o foco, a comunicação, a colaboração, os sistemas e o bem-estar (sendo que este divide-se no bem-estar físico, mental, emocional, relacional e espiritual).
Para que as pessoas se possam avaliar nestas cinco áreas, o orador convida os participantes a responderem ao questionário desenvolvido pela Full Fill. Após preencherem o questionário, o participantes receberão o relatório da sua avaliação onde constará em que áreas os mesmos se encontram mais desenvolvidos, assim como em que áreas se encontram menos desenvolvidos. Além da avaliação, os participantes também terão acesso a mais de 80 dicas de como desenvolver estes pilares, assim como vídeos e exercícios.
O questionário se encontra disponível em três línguas: português (de Portugal e do Brasil), em inglês e em castelhano. No futuro é esperado que fique disponível em mais línguas.
Produtividade em equipa
Relativamente à produtividade em equipa, Luís Gonzaga expõe que é importante que cada indivíduo esteja a funcionar bem. Explica que o primeiro passo é avaliar cada membro da equipa, desenvolver as competências individuais e analisar se a equipa tem as ferramentas necessárias para comunicar e gerir as tarefas entre si.
Lurdes Romeiro Serrão, Head of Academia Montepio, partilha que quando o membro de uma equipa ganha consciência daquilo que pode ser melhorado, e ao conseguir fazê-lo acaba por levar essas boas práticas para partilhar com os colegas. “Assim começam a dominar outras ferramentas alternativas que funcionam melhor para determinados projetos e pode ser um conjunto delas e não apenas uma, dependendo da circunstância e da situação. Dependendo também do nível de urgência e da necessidade de resposta. Isso acaba por ter um impacto num curto prazo nas equipas”, expõe.
Como utilizar a Inteligência Artificial para melhorar a nossa produtividade?
Quanto ao impacto da Inteligência Artificial na nossa produtividade , Luís Gonzaga defende que é necessário aumentar a consciência de como a pessoa trabalha. A seguir a isto, é necessário perceber se aquela sempre foi a sua forma de trabalhar, ou se há uma forma melhor de o fazer.
“Com a Inteligência Artificial degenerativa, o qe está a acontecer é que conseguimos aumentar drasticamente algumas tarefas que fazemos. E por isso, é necessário que primeiro as pessoas tenham alguma consciência das ferramentas que existem, e ao conhecer essas ferramentas perceber se eu hoje preciso de criar um determinado texto. Será que eu posso utilizar uma ferramenta melhor que me vai auxiliar bastante e acelerar isso?”, expõe Luís Gonzaga. Este refere que faz parte do processo perder algum tempo para aprender a trabalhar com estas novas ferramentas e que é fundamental nos instruírmos nesse sentido.
Por sua vez, Lurdes Romeiro Serrão relata que as novas tecnologias fazem parte do funcionamento do Montepio enquanto organização, e que o objetivo é continuar a explorar formas de tirar partido destas ferramentas.
“Há ganhos consideráveis na produtividade. E mais na produtividade, na questão de ter a consciência de como as coisas estão em cada momento. Um mapeamento de como é que os processos estão. Estamos a falar de muitos processos complexos, simultâneos, com muitas pessoas envolvidas. E a tecnologia vem nos dar uma visão de helicóptero muito ampla, mas também muito afinada em cada momento sem termos necessidade de fazer ponto de situação, três mil emails e mais não sei quantas reuniões. Portanto, aqui a tecnologia é uma grande aliada na gestão destes grandes projetos, sem dúvida”, finaliza.