Arrancou no dia 5 de junho o projeto-piloto da semana de quatro dias promovido pelo Governo, para testar a viabilidade da semana de quatro dias. No total, vão ser abrangidas 39 empresas e 1.000 colaboradores. A Crioestaminal, a Onya Health e a Evolve são, para já, as três organizações que já confirmaram publicamente a sua participação.
“O processo da experiência piloto iniciou-se entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023 com sessões de esclarecimento com as empresas interessadas. Foram as empresas que quiseram saber mais sobre o projeto, refletiram, e decidiram testar a semana de quatro dias. Agora, já na terceira fase, vamos conduzir a avaliação dos efeitos desta prática de gestão. Decorre entre junho e novembro e continuaremos disponíveis para responder a questões que possam surgir, com sessões individuais às empresas”, explica Pedro Gomes e Rita Fontinha, coordenadores do projeto-piloto da semana de quatro dias.
Pedro Gomes e Rita Fontinha responderam à RHmagazine, falando um pouco sobre o desenvolvimento do projeto-piloto até ao momento e as expectativas para os próximos meses.
Quantas empresas escolheram para integrar o projeto?
O processo da experiência piloto iniciou-se entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023 com sessões de esclarecimento com as empresas interessadas. Foram as empresas que quiseram saber mais sobre o projeto, refletiram, e decidiram testar a semana de quatro dias.

Na segunda fase do projeto-piloto, entre março e maio, as empresas destacaram uma equipa para prepararem a fase de teste. Esta preparação incluía a definição da nova semana de trabalho, a definição e medição do sucesso, a análise de cenários e a estratégia de comunicação. Ao longo destes três meses, a equipa de coordenação realizou várias sessões de formação e forneceu materiais para explicar como outras empresas preparam o teste da semana dos 4 dias.
Agora, já na terceira fase, vamos conduzir a avaliação dos efeitos desta prática de gestão. Decorre entre junho e novembro e continuaremos disponíveis para responder a questões que possam surgir, com sessões individuais às empresas.
O projeto conta com 39 empresas: 27 empresas começam em junho, e vão-se juntar a 12 empresas que já adotaram a semana de quatro dias ao longo do último ano. No total, cerca de 1000 trabalhadores.
Todas elas fizeram um trabalho de preparação extraordinário. Estas empresas não têm medo de experimentar novas formas de organização do trabalho, e têm um espírito inovador. Independentemente do que resultar desta experiência, Portugal deve ter orgulho nestas empresas.
Foi um número de acordo com as vossas expectativas?
O nosso número compara-se ao dos estudos-piloto nos países anglo-saxónicos que contaram com 20 a 35 empresas. Apenas o piloto do Reino Unido contou com 61, mas estamos a falar de uma economia 10 vezes maior.
O nosso objetivo, definido num primeiro documento apresentado aos parceiros sociais, foi muito claro – o objetivo não é “implementar a semana de quatro dias” ou “chegar ao maior número de empresas, ou trabalhadores”. Estabelecemos mesmo um número máximo de empresas – 40. O nosso objetivo é estudar como pode ser implementada e avaliar bem os seus efeitos.
Para nós, muito mais importante que o número, é a diversidade de setores. Temos uma creche, um centro social, um centro de investigação, um banco de células estaminais, o sector social, indústria e comércio. Todos eles assumiram a filosofia do projeto, mas as soluções concretas foram todas diferentes e adaptadas às realidades de cada uma.
Como correu a preparação\formação ministrada pela consultoria internacional 4 Day Week Global, juntos das empresas? Que feedback receberam?

A 4 Day Week Global é uma associação sem-fins lucrativos que já apoiou mais de 1000 empresas a reduzir a semana de trabalho. Enquadra-se perfeitamente na nossa filosofia de trabalhar nas mudanças de processos internos das empresas para conseguir aumentar a produtividade nos dias trabalhados, de modo a permitir a semana de quatro dias mantendo ou aumentando a competitividade da empresa.
Para além das sessões de formação, umas em inglês, mas a maioria em Português, a 4 Day Week Global oferece duas plataformas com muitos recursos, sessões regulares com empresas que já adotaram a semana de quatro dias, e permitem uma partilha de experiências entre as empresas.
Que expectativas têm para o período experimental em si, que decorrerá entre junho e novembro?
Ao longo da segunda fase, pedimos às empresas para esboçar mudanças de processos, que permitissem o aumento da produtividade nos outros dias: desde a redução do tempo de reuniões, melhor uso da tecnologia, criação de blocos de trabalho, ou mudança da cultura da organização. Agora é uma fase onde as empresas vão testar essas mudanças, e perceber o que funciona. Para este processo é necessário um esforço conjunto entre empresas e trabalhadores.
Quais serão os próximos passos a seguir a este estágio? Qual será o próximo objetivo?
No início do próximo ano, teremos os primeiros resultados deste piloto e que, naturalmente, serão futuramente apresentados. As empresas participantes farão um balanço, e nós também. Esperamos que esses balanços, possam informar e ajudar as várias forças da nossa sociedade a posicionar-se em relação à semana de quatro dias.