O negócio nasceu quando ainda nem se falava em digital, onde apenas tiravam pequenos apontamentos digitais. Atualmente a empatia é aquilo que os move. A ComOn reinventou-se devido a uma adaptação aos mercados. Sendo assim o Inforh entrevistou o CEO da ComOn, Ricardo Pereira e o CMO, Filipe Macedo, para perceber como têm sido o recrutamento e a motivação de novos e velhos talentos face a uma experiência digital cada vez mais saliente nos dias que correm.
Qual o conceito da ComOn?
Filipe Macedo(FM): A ComOn é uma agência de user marketing, que quer pôr as marcas a acompanhar o passo dos utilizadores. O nosso modelo de agência é simples: Empatia + Propósito + Solução = Significado
Estamos cá para ajudar as marcas a colocarem-se com maior rigor nos sapatos de quem as usa. Acreditamos que a empatia, essa capacidade de nos colocarmos nos sapatos de outra pessoa, é o primeiro passo para acrescentar relevância, propósito e significado às marcas. As marcas com futuro são as que entendem o comportamento humano e a maneira como as pessoas se relacionam com os seus produtos e serviços. Marcas que caminham com as pessoas e não o contrário. Outro aspeto diferenciador é o facto de na ComOn não haver um departamento criativo. Para nós, a criatividade não é um departamento, é um processo onde há espaço para todos. Na agência, a criatividade tem de ser transversal a todos os perfis e a todas as funções.
Que reestruturações passou a empresa a nível de pessoas?
Ricardo Pereira(RP): A ComOn sempre cresceu alicerçada no recrutamento interno e na reciclagem das pessoas. Acreditamos que é na continuidade das relações que se gera mais valor. Somos digitais, e isso significa que somos ágeis, mantemos-nos esponjas e sabemos reinventarmos-nos frequentemente. Os departamentos são fundidos e criados novos e inventadas novas funções. Para o crescimento mais acelerado que temos tido, necessitámos de adquirir mais competências e mais capacidade. Isso foi conseguido através de reciclagens e formação interna, mas também de recrutamento cirúrgico, em sequência de namoros longos, que nos davam o conforto que mais que um bom profissional, estávamos a reforçar-nos com uma excelente pessoa.

Que competências são necessárias para “calçar o vosso par de sapatos”?
RP: Acima de tudo as softskills. Todas as competências atitudinais são as mais estruturantes. As restantes é mais fácil de nós conseguirmos passar e adquirir. Privilegiamos a qualidade humana ao brilhantismo profissional. Vão existir momentos menos bons certamente em qualquer contexto empresarial, e se não houver essa tal qualidade humana e comunicação, os problemas são mais difíceis de resolver.
Sente dificuldade em recrutar? Quais as maiores lacunas do talentos de hoje?
RP: Temos conseguido muito sucesso no recrutamento, pois temo-lo como um processo contínuo e constante. Estamos sempre a conhecer novos talentos e a atualizar uma shortlist de bons reforços para cada perfil desejado. Existem efetivamente alguma escassez em determinados perfis, sendo que muitas vezes temos que ser nós a formar e criar de raiz profissionais em determinadas competências que não estejam disponíveis no mercado, como são os casos de: data scientists, creative technologists ou growth hackers.
Nos casos em que a pressão é alta e os prazos são apertados: Como motiva os colaboradores?
RP: Responsabilidade, responsabilização, visibilidade e espaço. Os “ComOnianos” apropriam-se dos desafios e sentem-nos como seus, para o bem e para o mal. Dão o seu melhor e orgulham-se do resultado do seu trabalho, que contribuem para a sua marca pessoal no mercado. A realização destes, depende destes momentos e do espaço que sentem para aprender, errar e brilhar.
A ComOn tem um espaço Hood. Porquê a aposta neste espaço?
FM: Mais do que as novas instalações da ComOn, o Hood é o bairro do grupo, a forma que tem de abrir as portas ao mercado e a todos os que partilham da sua visão. O Hood é mais uma materialização do nosso modo de estar: assente numa estrutura modular, pode ser escalado e movido. Totalmente camaleónico, reflete valores do grupo como agilidade, mobilidade e partilha. Ao contrário do que costuma acontecer – as pessoas escolhem os escritórios já construídos que mais se adaptam a si – no caso da ComOn, foi o inverso. O Hood alberga a totalidade das unidades do ComOn Group, de que faz parte a agência, mas é objetivo torná-lo, também, uma unidade de negócio potenciadora de valor. Com o lançamento do Hood, pretende-se criar um hub criativo não só de novos talentos, como de novos projetos, não necessariamente ComOn.
Que mais valias tem este tipo de espaço na produtividade e bem estar dos colaboradores?
FM: Apesar de recente, as mais valias de ter um espaço assim já se começam a revelar. Primeiro temos um espaço pensado de raiz para facilitar o nosso processo de trabalhar e que estimula a experimentação, co- criação e partilha. Os efeitos já se vêm na qualidade do trabalho e nos novos clientes conquistados. Para além desta mais valia, já começaram a surgir várias iniciativas organicamente como: torneiros de ping-pong, game night às quartas-feiras, jogos de basket, almoços de sushi, sessões de yoga e mindfulness, festas after-work, entre outros momentos espontâneos destes.
Por fim, é importante referir também, que a partilha de conhecimento é fundamental para a ComOn e por isso há uma regra de ouro na agência: cada “ComOniano” precisa de ter, pelo menos, uma ação de formação por semana. Para passar da teoria à prática, na ComOn foram implementadas as Friday Schools. Um dia por semana, há uma sessão de formação de cada departamento. Todos são livres de assistir à formação que quiserem, sendo que no caso do seu departamento, têm mesmo de comparecer. Técnicos ou inspiradores, e com durações variáveis, os temas podem ser sugeridos por todos.
Consideram-se um dos melhores sítios para trabalhar?
RP: O melhor! Temos a perfeita consciência que não somos a Google, Apple ou Facebook, e também não queremos ser. Somos a ComOn, onde as pessoas sentem-se felizes e que se podem realizar profissional e pessoalmente. Tentamos sempre o melhor equilíbrio entre a competência e apetência individual, e as necessidades da ComOn e do mercado. Existem espaços e momentos para tudo. E mesmo nos momentos menos bons, conseguimos construir em conjunto e criar valor para o mercado, mas também para nós, seja coletiva ou individualmente.
Quais os planos para o futuro? Pretendem contratar?
RP: Vamos continuar a crescer, mas mantendo a nossa prioridade: as pessoas. Não queremos mudar o mindset nem o ADN, mas certamente queremos continuar a mudar processos, estrutura, competências e âmbito, assim faça sentido para o mercado… e para nós.
“Pode não ser um excelente profissional à partida,
não pode é não ser uma excelente pessoa”
– um dos lemas da ComOn –