A Didaskalia – empresa dedicada a levar o teatro às empresas – lançou em janeiro um programa de desenvolvimento de competências de liderança. Oito semanas de uma experiência imersiva, na qual os líderes…passam a liderados. Para conhecer melhor a empresa, a RHmagazine entrevistou Sandra Pinheiro, playwritter/facilitador na Didaskalia.
Em que irá consistir o programa de desenvolvimento de competências de liderança, previsto para o início do próximo ano?
Trata-se de uma oficina de teatro, com duração de dois meses, em que o objetivo é ajudar os líderes a fomentar a criatividade nas suas equipas. Vamos reunir um conjunto de cerca de 12 pessoas de diferentes empresas, com responsabilidades de liderança, e, durante oito sessões (uma por semana), estas irão montar um espetáculo de teatro, onde vão ser lideradas por um encenador.
No final de cada sessão será feito o paralelismo entre os temas abordados e a função dos líderes, debatendo-se a forma de aplicar a aprendizagem aos desafios que estes enfrentam nas suas equipas. Por exemplo, numa das sessões iremos trabalhar as questões relacionadas com a voz, fazendo a analogia com a voz dos colaboradores dentro das equipas: como con- seguir que a voz (i.e., a presença) de determinada pessoa, independentemente do seu papel, sobressaia.
Por que decidiram dedicar um programa especificamente aos líderes e às suas competências?
Deveu-se, sobretudo, aos pedidos de alguns clientes, que gostariam de desenvolver algumas competências de comunicação em liderança, através do teatro. No entanto, pareceu-nos redutor estarmos apenas a trabalhar competências isoladas, não mostrando o poder transformador que o teatro pode ter. Quando falamos de motivação das equipas, de estímulo à autonomia e à criatividade e, até, de retenção dos talentos, podemos aprender muito, enquanto líderes, com a forma como certos projetos teatrais são liderados.
Que skills são essas que necessitam de ser trabalhadas e nas quais vão focar o programa?
Desde logo, a capacidade de os líderes comunicarem a sua visão, de forma a que os outros consigam dela partilhar. Depois, a capacidade de reconhecer, aproveitar e estimular o talento de cada colaborador. Também as competências de comunicação, como a expressividade, modulação de voz, postura e a escuta são determinantes, quer para interpretar o papel de líder, quer para conseguir estar em sintonia com o resto da equipa, intervindo no momento certo. Em termos de gestão de equipas, importa referir, ainda, a organização do trabalho, a gestão dos conflitos e a comunicação motivadora.
É importante que quem se inscreva tenha a noção de que vai ser ator e criador de um espetáculo de teatro, e deve ter um compromisso de tempo e disponibilidade
Que passos deverão seguir aqueles que queiram participar no programa?
Basta enviar um e-mail a demonstrar vontade em participar. No entanto, antes disso, eu diria que há dois pressupostos fundamentais: estarem certos de que querem passar por este processo, em que não vai existir um curso estruturado com conteúdos pedagógicos – a aprendizagem é feita pela experiência e é importante que quem se inscreva tenha a noção de que vai ser ator e criador de um espetáculo de teatro; terem um compromisso de tempo e disponibilidade.
A Didaskalia tem vindo a apostar nos programas de team building. O que pode esperar um potencial cliente de um team building vosso?

Os participantes podem esperar um dia de superação, uma vez que, em conjunto com os colegas, têm de criar, num curto espaço de tempo, uma cena teatral que possa ser apresentada ao público.
Como as cenas são sempre cómicas, são momentos de muita diversão! E sem se aperceberem, fortalecem a confiança, a partilha, a criatividade e criam momentos e histórias em equipa.
A Sandra lançou, recentemente, o livro “Storyselling – A arte e a técnica de usar a narrativa para influenciar os outros”. Do que trata?

Eu gosto de chamar a este livro um manual. Foi sendo escrito ao longo de vários anos, à medida que eu ia fazendo workshops de storytelling, e a partir de notas e materiais pedagógicos que partilhava com os participantes. Quando dei conta, tinha muitos conteúdos que precisavam de ser organizados e que entroncavam no storytelling. Então, decidi reunir tudo num único manual, editado pela Didaskalia.
O livro está dividido em duas partes: a primeira agrega um conjunto de histórias e informações que ajudam a entender o que é o storytelling, por que razão funciona e de que forma e em que momentos podemos usá-lo em contexto profissional; na segunda, partilho um pouco do meu know-how enquanto dramaturga, para ajudar o leitor a organizar as histórias de forma a atingir o seu propósito.
Entrevista publicada na edição 143 da RHmagazine, referente aos meses de novembro/dezembro 2022