Susana Silva, Diretora de Pessoas do El Corte Inglés
Quais foram as medidas tomadas no El Corte Inglés devido ao surto da Covid-19?
São muitas e, quase diariamente, vamos somando novas medidas, seja no que diz respeito a equipas, clientes, fornecedores, parceiros, seja para adaptar processos e respostas. Quem pode trabalhar a partir de casa já o faz há cerca de duas semanas. As equipas de logística foram reforçadas e após duas semanas de trabalho, cumprem duas semanas de quarentena. Estamos a evitar o contacto físico com os clientes. Evitamos também assinaturas de documentos e controlamos a identidade de quem recebe compras à distância. Para os colaboradores que se encontram a trabalhar nos Supermercados e nos Armazéns de distribuição, temos implementado medidas que reduzam contacto entre si e com outras pessoas, além do reforço de equipamentos de proteção e higiene. No caso das entregas online, os pagamentos já não se podem fazer no momento da entrega para evitar esse mesmo contacto, o processo de embalamento foi revisto e tem agora acrescidas medidas de higiene e de segurança como, aliás, têm todas as áreas.
O El Corte Inglés em Portugal mantém abertos os supermercados. Como está a ser garantida a segurança dos profissionais?
As equipas de Supermercado foram reforçadas e trabalham quinze dias e depois ficam duas semanas de quarentena. Temos ao dispor dos nossos colaboradores todos os utensílios para a constante higienização das mãos de acordo com o que é recomendado pela DGS. A entrada de clientes do Supermercado também é feita de forma controlada, com menos pessoas por metro quadrado do que o habitual , para evitar ao máximo o contacto entre clientes e colaboradores. Todos os dias temos que nos adaptar às situações que a realidade nos exige. E tem sido um esforço de todos, um trabalho de equipa.
Como estão a dar resposta ao aumento da procura no online? Têm o número de pessoas necessárias nesta área?
Os pedidos online aumentaram exponencialmente nas últimas semanas e também este trabalho tem sido feito com o esforço, graças à dedicação e trabalho de equipa. Foi imperativo reforçar as equipas com colaboradores de outras áreas, designadamente no picking (a escolha no supermercado dos pedidos online). Como temos a loja fechada, foi-nos possível reorganizar as equipas de forma a colmatar as necessidades de cada área.
Como DRH, como está a encarar toda esta situação na sua empresa e quais são as suas principais preocupações neste momento?
As principais preocupações são com as pessoas. Em primeiro lugar com a sua segurança e com a possibilidade de as dotar de todas as ferramentas de que necessitam. Depois a preocupação é, naturalmente, garantir que conseguimos manter os postos de trabalho. A nossa empresa tem feito, ao longo dos nos, um enorme esforço de formação e de criação de uma cultura de excelência e de serviço cuja manutenção depende deste quadro de pessoal que temos e que valorizamos tanto. As nossas pessoas, os nossos especialistas garantem-nos a nossa principal diferenciação no mercado, tudo faremos para as manter.
Já sentem algum impacto no negócio?
Como não? Os nossos Grandes Armazéns estão quase completamente fechados com exceção do supermercado, do espaço saúde e de algumas pequenas áreas consideradas necessárias. O impacto no negócio é tremendo, sobretudo se pensarmos na quantidade de custos fixos que tem uma estrutura como a nossa.
Como estão a procurar minimizar esse impacto?
Temos procurado reforçar a loja on-line e estamos a usar alguns dos expedientes que foram criados na sequência do estado de emergência para podermos fazer face a alguns dos custos fixos.
Os colaboradores estão preocupados com o futuro? Os postos de trabalho até ao momento estão assegurados? Pensam avançar para lay-off ou outro tipo de decisão?
Estamos numa fase da crise em que não creio que alguém se atreva a fazer previsões de futuro. Não sabemos quando nem em que termos poderemos recuperar a nossa atividade. Não sabemos se esta crise vai passar de vez, ou se passa esta onda e virá outra logo depois do verão. O nosso objetivo é, como lhe referi, assegurar os postos de trabalho, para isso temos de garantir a sobrevivência da empresa e o lay-off é uma medida que nos ajuda a garantir a sua manutenção pelo que sim, iremos utilizá-la nos casos em que se aplique.