A Porto Business School lançou pela primeira vez este novembro do ano passado um novo programa inovador, centrado nas pessoas e na gestão da sua carreira pessoal.
Para além do seu formato flexível – presencial e online – este programa vai incluir sessões de coaching com grandes especialistas de referência. Este programa nasce de uma conjuntura em que agora são as pessoas que gerem as suas próprias carreiras, ao contrário do que antes acontecia, em que a gestão de carreira era muitas vezes assumida pela empresa. E com isto surgem novos desafios.
O infoRH falou com Maria Antónia Cadilhe, diretora dos programas de Career Design e Employee Experience da Porto Business School, para perceber de que modo a formação oferecida pelas escolas de negócio se está a adaptar, cada vez mais, aos desafios humanos e de que forma é que o mesmo pode ser uma mais-valia para os desafios profissionais do presente.
A Porto Business School sentiu que faltava algo deste género e nestes moldes no mercado da formação em Portugal?
É comum ouvir-se que o mundo está a mudar, que o trabalho está a mudar, ficando muitas vezes por referir que as pessoas, independentemente da idade, formação, género ou nacionalidade já estão diferentes e vão continuar a mudar.
Hoje, todos nós valorizamos e procuramos coisas diferentes, na vida pessoal como, naturalmente, no contexto de trabalho. Queremos que a empresa promova o bem-estar, exigimos o respeito pelo nosso tempo para a dimensão pessoal e queremos conhecer o propósito da nossa empresa e da nossa função.
Esta mudança tem um enorme impacto na forma como as empresas e os seus líderes atraem, desenvolvem e retêm talento e representa, também, uma mudança estruturante no modo como, cada um de nós, desenha e redesenha a sua carreira.
Este contexto exige, por isso, o desenvolvimento de competências que permitam dar autonomia a todos os que lidam diariamente com estes desafios, tanto na gestão de outras pessoas, como na gestão do seu próprio desenvolvimento.
Foi este o ponto de partida para o desenvolvimento de dois programas – Career Design e Employee Experience – que, no domínio do “lead yourself” e “lead others” respetivamente, proporcionam uma oportunidade de desenvolvimento única, com recurso a abordagens pedagógicas inovadoras e capazes de conferir maior flexibilidade ao participante.
Como estão estruturados os programas?
Apesar de serem diferentes no propósito, estando, como referi, o Career Design mais focado no domínio do “lead yourself” e o Employee Experience do “lead others”, ambos consideram no seu desenho metodologias que têm por objetivo conferir mais autonomia/flexibilidade ao participante no planeamento do seu percurso formativo. No caso do Career Design, por exemplo, os participantes podem optar por fazer o itinerário completo considerando uma componente individual ou, em alternativa, podem optar apenas pelas sessões coletivas. Deste modo, respeitamos a singularidade de cada participante, damos-lhe um papel ativo na decisão e, independentemente do caminho que escolher, tem sempre assegurado o acesso a um output relevante para o seu desenvolvimento.
Falando especificamente de cada um dos programas, o Career Design parte da provocação – “are you leading your life?” e é um programa dirigido a profissionais de diferentes funções, backgrounds académicos e gerações que tenham por objetivo adquirir competências para assumir a liderança de uma gestão ativa da sua carreira. Pode revelar-se também interessante para profissionais de gestão de pessoas e líderes de empresas que tenham por objetivo adquirir competências que lhes permitam apoiar outros no processo de gestão ativa de carreiras.
O Career Design parte do princípio de que a carreira está a ser abalada na sua estrutura, evoluindo de modelos em que as pessoas aprendiam para adquirir competências para uma carreira, para a carreira passar a ser ela própria uma aprendizagem. O programa considera também que passamos de uma gestão de carreira que era assumida pela empresa, para um modelo em que a liderança da mesma é assumida pelo próprio indivíduo – que, muitas vezes, conclui não estar preparado para o fazer.
Esta mudança pressupõe desenvolvimento integrado de competências específicas, como são exemplo o Learning in Life & How to Be a Better Learner, Problem Solving & Communication ou a Technology Design & Programming, que são abordadas durante o programa por um corpo docente diverso e muito experiente, e que, no final, permitirão aos participantes construir e reconstruir percursos ao longo da sua vida profissional e pessoal.
No que diz respeito ao Employee Experience, a questão de base é “are you engaging your people?” e os destinatários são os profissionais de Gestão de Pessoas/Recursos Humanos, das áreas de desenvolvimento e operacionais que tenham por missão desenhar e implementar políticas, modelos e práticas de gestão de pessoas.
Tendo por base as metodologias de customer experience, o propósito deste programa é provocar e capacitar quem tem a responsabilidade de gerir e desenvolver pessoas, evoluindo para um modelo de intervenção, em que os colaboradores são ouvidos de forma contínua e envolvidos na construção das soluções. O corpo docente é particularmente diverso e acompanhará os participantes na gestão das suas pessoas ao longo do ciclo de vida na empresa, ou seja, do recrutamento à reforma, conferindo a cada um destes momentos a sustentação teórica, partilha de bons exemplos e aplicação prática.
Destaco ainda o formato de talks que o programa tem na sua estrutura, pelo facto de serem abordadas temáticas muito atuais por docentes e profissionais, como são exemplo o Purpose and Belonging, Diversity and Inclusion, Health & Wellbeing, em que os participantes têm a possibilidade de convidar líderes das suas empresas a participar.
De que forma as pessoas, já no mercado de trabalho e com carreiras iniciadas, poderão beneficiar destes programas para evoluírem profissionalmente?
No contexto em que vivemos, é importante que todos nós, independentemente da formação, geração ou experiência, sejamos autónomos na construção e reconstrução de possíveis percursos profissionais e pessoais ao longo da nossa vida. Ter essa competência desenvolvida contribui de uma forma muito efetiva para o lifelong employability.
O Career Design e o Employee Experience contribuem para atingir esse objetivo de forma sustentada, na medida em que atuam a dois níveis complementares: individual – para que todos, com e sem experiência, possam aprender a assumir um papel ativo no desenho do seu percurso; e organizacional – apoiando as empresas a criar contextos que potenciem o engagement e crescimento das pessoas aos vários níveis da empresa.
Existe alguma flexibilidade ao nível do programa, de forma a que este se adeque aos interesses e necessidades dos profissionais?
Ambos os programas consideram iniciativas que atribuem um papel ativo ao participante na construção do seu percurso profissional, designadamente na escolha das matérias que vai aprofundar ou nas pessoas que vai convidar a participar consigo, em determinados momentos do programa. Adicionalmente, a existência de um digital learning center baseado no learninghubz e customizado a cada um dos programas, permite conferir a cada participante uma enorme autonomia na escolha dos temas de maior interesse, ao mesmo tempo que aumenta, de forma muito significativa, a flexibilidade para customizar a aprendizagem aos locais e momentos da sua preferência.
Quais são as vossas expetativas, em termos de resposta do mercado a estes programas?
Partimos para o desenho destes programas com uma forte convicção da relevância do contributo de ambos para o desenvolvimento de profissionais em contextos de mudança. Temos consciência que são diferentes da oferta formativa convencional, mas também sabemos que é uma tendência que as melhores escolas de negócios internacionais começaram a seguir. São dois programas que desafiam empresas e profissionais e serem mais autónomos no desenvolvimento, desafio esse que, pela sua relevância, resultará certamente numa resposta positiva por parte do mercado.