As transformações são uma forte preocupação para os colaboradores. A frequência e complexidade das mutações ao nível mundial faz com que várias organizações tenham de arranjar formas de priorizar o desenvolvimento das competências dos colaboradores.
Sejam elas tecnológicas ou sociais, estas preocupações estão a ser percecionadas pelos DRH como tendo um impacto importante no desenvolvimento das competências dos seus colaboradores.
E os mesmos revelaram recentemente estarem preocupados com esta tendência. Para fazer face a estas transformações, 57% dos gestores de RH tencionam apoiar os seus colaboradores na atualização das suas competências (63% em Portugal), nomeadamente digitais, e 56% pretendem recrutar novos perfis (58% em Portugal).
Estes são os dados mais recentes do Estudo Internacional Cegos 2023, “Transformations, Skills and Learning”. O estudo analisou quatro variáveis: as principais questões prioritárias de transformação que afetam as competências de acordo com os profissionais de RH e de Aprendizagem e Desenvolvimento; as principais perturbações emergentes (como a inteligência artificial) e o seu impacto na formação; a visão que os colaboradores têm da sua empregabilidade; e as suas preocupações em termos de desenvolvimento de competências.
O inquérito 2023 foi realizado em junho e julho de 2023 em nove países da Europa (França, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha), da Ásia (Singapura) e da América Latina (Brasil, México, Chile). Nesta edição, foram inquiridos 5.048 colaboradores (dos quais 504 em Portugal) e 488 Diretores ou Responsáveis de Recursos Humanos / Diretores ou Responsáveis de Formação (24 em Portugal) – cuja designação neste documento, por economia semântica, será DRH -, todos eles a trabalhar em organizações do setor privado e público com 50 ou mais colaboradores.
A um nível macroambiental, a Cegoc observou que os resultados do estudo indicam que os colaboradores e os Recursos Humanos centram-se no desenvolvimento de competências para enfrentar os principais desafios da transformação organizacional.
“Os DRH identificam a inteligência artificial e os dados, mas também novas formas de trabalhar, como os principais desafios de transformação (48% no total e 29% em Portugal, o país onde este valor é mais baixo)”, explica a Cegoc no estudo.
74% dos colaboradores internacionais (75% em Portugal) pensam que os atuais desafios de transformação (tecnológicos, ambientais, sociais…) irão alterar o conteúdo do seu trabalho e 30% receiam mesmo ver o seu emprego desaparecer (32% em Portugal).
“De acordo com os RH, 18% dos postos de trabalho na sua organização estão em risco de obsolescência de competências nos próximos três anos (Portugal regista o valor é mais alto: 26%)”, acrescenta a Cegoc no mesmo documento.
Além destas transformações, apenas uma minoria (8%) dos gestores de RH internacionais identificam a transição ecológica como uma questão fundamental para apoiar e desenvolver competências na sua organização.
Ao mesmo tempo, 59% dos colaboradores dos nove países concordariam em financiar parte dos seus custos de formação (55% em Portugal).
Relativamente à uma mudança de carreira, a maioria (85%) dos colaboradores internacionais afirmam que considerariam uma mudança completa de carreira se esta fosse mais significativa (94% em Portugal, país onde, a par do Chile, essa predisposição é maior).
Benoit Felix, Chairman do Grupo Cegos, acredita que a formação não é apenas um fator essencial de competitividade. Felix entende que, ao nível individual, é também um excelente instrumento de integração profissional e de inclusão social, permitindo a cada um encontrar o seu lugar no mundo emergente do trabalho e da sociedade.
“Embora os colaboradores estejam genuinamente preocupados com o impacto destas mudanças nos seus empregos, estão também altamente motivados para aprender e receber formação. Por seu lado, os departamentos de RH dizem estar prontos para apoiar o desenvolvimento de competências e adaptar a sua estratégia de formação para oferecer experiências de aprendizagem mais individualizadas e no local de trabalho”, revela Benoit Felix, Chairman do Grupo Cegos.
Os desafios de formação de hoje e de amanhã
Numa análise focada aos colaboradores, no local de trabalho, o estudo da Cegoc também analisou os desafios de formação no presente e no futuro.
De acordo com o Estudo Internacional Cegos 2023, 41% dos DRH consideram difícil fazer corresponder a sua oferta de formação às necessidades de competências da sua organização (46% em Portugal, o 2.º valor mais alto do estudo).
Já 44% dos colaboradores afirmam que a resposta às suas necessidades de formação chega frequentemente tarde (47% em Portugal).
Os colaboradores internacionais esperam sobretudo formação no local de trabalho (51%) e formação interativa/jogável (41%). Em Portugal, no topo das alterações desejadas estão a formação no local de trabalho (53%) e a maior adaptação às necessidades individuais (42%).
“Os DRH gostariam de oferecer percursos de formação mais personalizados (47%), com métodos mais variados (41%), preferências acompanhadas em Portugal. De facto, 74% deles planeiam utilizar a inteligência artificial para individualizar os cursos (75% em Portugal)”, afirma o estudo.
Internacionalmente, os DRH afirmaram que os cursos de formação do estudo combinarão aprendizagem adaptativa (46%), e-coaching (45%) e a aprendizagem social (41%). Já os DRH em Portugal tencionam utilizar o e-coaching (58%), a aprendizagem adaptativa (50%) e a aprendizagem imersiva (38%).
No que se refere à temática da inteligência artificial generativa, o crescimento é entendido pelo estudo como lento. Ao nível global, apenas 10% dos DRH já utilizaram ferramentas de inteligência artificial generativa como recurso de aprendizagem (13% em Portugal).
Já no caso da utilização dos dados retirados das ações de formação, apenas 25% dos departamentos de RH não os utilizam (34% em Portugal).
O estudo encontra-se disponível para consulta a partir deste link.