Investigadores do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, promoveram um inquérito sobre os desafios do teletrabalho no âmbito do projeto Work@Home, que envolveu mais de 25 organizações e 2500 trabalhadores.
A investigadora principal Filipa Sobral deixa as prncipais conclusões e salienta que as grandes particularidades deste estudo “estão no desenho da recolha, que por um lado possibilitou a existência de muitas questões em formato aberto, permitindo aos participantes partilhar as suas experiências; e por outro lado, termos um inquérito específico para as chefias e outro para os trabalhadores sem cargos de liderança. Esta diferenciação permitiu apurar os desafios que cada grupo de trabalhadores enfrentou, tendo em consideração, nas chefias, a sua responsabilidade de gerir e motivar equipas neste formato de trabalho.” Foi ainda frisada pela investigadora, “a importância das parcerias criadas com as empresas que colaboraram no estudo e que mediante os resultados apresentados ponderam a implementação de medidas concretas.”
O estudo recolheu 2757 respostas válidas de 831 chefias e1926 elementos de equipas com 46 anos de média.
Considerações Finais:
· Amostra global: 2757 trabalhadores (831 dos quais chefias) que à data de resposta ao questionário se encontravam maioritariamente em regime de teletrabalho (69%) ou em regime misto (23%);
· 23% com pelo menos 1 criança em casa durante o confinamento. No entanto, utilizam estratégias que parecem ajudar na conciliação, como: ter um espaço de trabalho próprio em casa;
· 67% refere que trabalha mais horas no regime de teletrabalho por comparação ao regime presencial
· As chefias valorizam sobretudo a comunicação, flexibilidade horária, autonomia no trabalho e o acompanhamento mais diário dos colaboradores. Por seu turno, os colaboradores reconhecem também que estas estratégias facilitam a sua adaptação ao teletrabalho;
· De uma forma geral, os colaboradores percecionam que as chefias se importam com as pessoas que estão na sua equipa (e questionam e procuram resolver os obstáculos dos trabalhadores) e lhe atribuem autonomia para realizar o seu trabalho;
· Quando questionadas as chefias sobre que estratégias gostariam de reforçar, referem a necessidade de aumentar ainda mais o acompanhamento dos colaboradores e proporcionar momentos de convívio informais que reforcem o seu bem-estar;
· Estas estratégias poderão ser relevantes de colocar em prática, sobretudo no sentido de diminuir o sentimento de isolamento que os colaboradores parecem estar a sentir e que, com a continuidade de trabalho neste regime, poderá tender a aumentar.
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