A Fundação Calouste Gulbenkian recebeu a 8ª Conferência Económica Franco-Portuguesa que voltou a reunir presencialmente os presentes no certame.
A disrupção tecnológica, a transformação do mercado de trabalho e os desafios do recrutamento e retenção de talentos estiveram no centro da discussão numa manhã voltada para a importância da criação de sinergias entre o mercado de trabalho português e francês.
Tal como identificou Carlos Moedas, Presidente da Câmara de Lisboa, 2004 marcou o ponto de viragem no investimento de empresas estrangeiras em Portugal, em especial das empresas francesas.
A “proximidade histórica entre o povo português e francês”, como referiu Hélène Farnaud-Defromont, Embaixadora de França em Portugal, permitiu que aos dias de hoje França seja o principal empregador estrangeiro em em Portugal.
Para Carlos Moedas, tal acontece, também, por o país ser possuidor de uma cultura atrativa. “As grandes empresas instalam-se [em Portugal] por causa do nosso talento”, disse.
O Presidente da Câmara de Lisboa identificou Lisboa também como a Capital da cultura e inovação mas advertiu que, apesar destes dois pilares serem extremamente importantes para a captação de investimento das empresas estrangeiras, não podem em momento nenhum deixar de estar acompanhados da preocupação com as pessoas.
Pessoas no centro do debate
As pessoas são, de facto, o principal ativo das empresas e foi com base nesta premissa que a Conferência promoveu a mesa redonda “Como desenvolver as competências e reter os talentos? Quais as alavancas?”, que contou com a presença de Cristina Martins de Barros (IIRH-Instituto de Informação em Recursos Humanos), Séverine Boutel (Nhood), Fabrice Carre (STEF), Sébastien Haquette (Cofidis) e Etienne Huret (Natixis).
Na mesma, estiveram em discussão as principais dificuldades na hora de atrair e reter talento e quais as estratégias que as empresas devem adotar.
O fio condutor da mesa redonda foi o da formação. Etienne Huret e Séverine Boutel deram o exemplo do que a Natixis e a Nhood estão a fazer, respetivamente, neste campo. Enfatizaram a importância de os colaboradores serem ouvidos, de forma a que as empresas sejam capazes de responder às suas necessidades, alavancar as suas competências e, assim, colmatar também dentro da empresa a falta de colaboradores especializados em certas áreas.
Segundo o moderador desta mesa redonda, Pierre Debourdeau, Vice-presidente dos Conselheiros do Comércio Externo de França em Portugal, estamos perante “uma disrupção tão grande como a Revolução Industrial” e a digitalização é também, algo que não pode passar despercebido às empresas na hora de recrutar e manter motivos os colaboradores.
Além da transformação digital, a necessidade de uma “transformação das lideranças” foi uma mensagem transversal a todos os participantes na mesa redonda.
Numa mesa redonda moderada por Nathalie Ballan, Secrétaire générale dos Conselheiros do Comércio Externo de França em Portugal, esteve também em debate a preocupação das empresas com políticas de responsabilidade social e respetiva perceção dos colaboradores em relação às mesmas.
Sob mote “Como podem as empresas maximizar o seu impacto social?”, a discussão contou com o contributo de Filipa Pinto Coelho (Joyeux Portugal), Bertrand Fauchet (Movhera), Ana Zita Gomes (ANA Aeroportos), Fabrice Lachize (E. Leclerc Lordelo Guimarães) e Fabrice Ségui (BNP Paribas).
Nesta mesa redonda ficou clara a necessidade das empresas investirem numa maior inclusão e diversidade, bem como em políticas de responsabilidade social, numa altura em que, cada vez mais, os colaboradores procuram um sentido de propósito nas empresas onde trabalham.
Apelo à união do tecido empresarial para mais e melhores condições de trabalho
“O emprego é a cola que nos une”. Foi com esta mensagem que Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social fechou a 8ª Conferência Económica Franco-Portuguesa. De acordo com a Ministra, que utilizou a pandemia como exemplo da resiliência das empresas e da sua capacidade de se reinventarem perante cenários menos prósperos, estamos perante um momento de viragem, em que os colaboradores estão a exigir mais e melhores condições de trabalho.
Para Ana Mendes Godinho é, portanto, imperativo “criar condições para que os jovens portugueses queiram permanecer em Portugal” o que, apelou, só será possível através da união do tecido empresarial.
A reportagem completa da 8ª Conferência Económica Franco-Portuguesa será publicada na edição 145 da RHmagazine, de março/abril.