À medida que os temas associados ao investimento sustentável se tornam mais divulgados, os investidores aumentam a sua atenção nas questões ambientais e o seu foco nas questões sociais, de acordo com as mais recentes conclusões do estudo European Asset Allocation da Mercer. Apesar das questões ambientais permanecerem em destaque no âmbito das preocupações ESG (Environmental, Social and Governance – Ambientais, Sociais e de Governação), os investidores institucionais estão a começar a ampliar o seu foco em fatores sociais (27%), como capital humano e questões de direitos laborais para o próximo ano. Da mesma forma, 24% dos investidores pretendem aumentar a sua atenção nas questões ambientais, como, por exemplo, a biodiversidade.
Segundo Rui Guerra, Partner e Business Leader de Wealth da Mercer Portugal: “Embora estejamos num momento extremamente desafiador para muitos investidores, o período de pandemia viu surgir um aumento de ativos em fundos de investimento sustentáveis em toda a Europa, inclusivamente em Portugal”. Segundo o mesmo, “apesar das questões ambientais continuarem a ser o foco principal, é interessante assistir ao facto de muitos investidores começarem a considerar o impacto social dos seus investimentos. Com a responsabilidade corporativa no topo das agendas, mais empresas querem ter um papel decisivo, apoiando questões como os direitos humanos, a igualdade de remuneração e a igualdade social”.
Ainda de acordo com Rui Guerra: “Podem ser suficientes pequenos passos para melhorar os fatores ESG nas carteiras de ativos dos investidores. A Mercer está a trabalhar com os investidores na identificação dos objetivos que fazem sentido para cada organização em específico e que possam ter um impacto relevante”.
A crescente importância da sustentabilidade reflete-se nos resultados do estudo da Mercer, com um grande aumento de investidores a utilizarem indexação low-carbon ou climática, em comparação com o ano transato (26% vs 6%). O estudo mostra também, que a grande maioria dos investidores europeus integra os fatores ESG em todos os aspetos dos seus processos operativos, incluindo: seleção de gestores (83%), monitorização de investimentos (88%), reporte (79%) e alocação de ativos (64%). Segundo este estudo, os investidores estão a mudar de uma posição mais reativa para uma posição proactiva. Os fatores regulatórios estão a diminuir de importância como um elemento motivador para considerar os riscos ESG (67% mencionaram-no como um fator-chave, face a 85% no ano anterior).
O estudo European Asset Allocation 2021 da Mercer, oferece uma visão abrangente da estratégia de investimento na Europa no sector de pensões, e identifica tendências emergentes no comportamento de cerca de 850 investidores institucionais em 11 países, refletindo ativos totais de aproximadamente um trilião de euros.
De forma mais genérica, o estudo de 2021 da Mercer revela que as alocações a alternativos estão agora quase ao mesmo nível das ações e, para alguns países (Reino Unido eAlemanha), ainda mais elevadas. O afastamento da classe acionista continua entre os investidores do Reino Unido e da Europa (de 22% para 21% de alocação média nas carteiras totais), dado que pretendem diversificar o retorno, reduzir a volatilidade do mercado e proteger face a inflação. Relativamente aos planos de pensões de benefício definido, estes procuram cada vez mais a diversificação através de classes de ativos alternativos (de 18% a 20%), como growth fixed income e private equity. Numa perspetiva de futuro, a maioria dos investidores (53%) pretende rever a sua estratégia de investimento, mandatos de gestão ou governação.
Segundo os dados da Mercer European Asset Allocation Insights deste ano, foram produzidos quatro relatórios, incluindo um dedicado a investimentos sustentáveis.
Pode fazer o download completo dos relatórios aqui
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