As mulheres na liderança trazem ganhos efetivos às organizações. Uma opinião unânime no debate promovido a 26 de maio, pela Abreu Advogados, que reuniu um painel de especialistas de direito, comunicação e recursos humanos, em torno do papel da igualdade de género enquanto geradora de sustentabilidade de negócio para as organizações e instrumento fundamental para a retenção de talento.
Em consonância com os especialistas ouvidos, os participantes, que incluíram elementos das principais sociedades de advogados portuguesas – equipas de comunicação e marketing e de recursos humanos -, apontaram como conclusão principal a necessidade de alterar mentalidades, conceder idênticas oportunidades, e tratar os profissionais pelo seu talento e pela sua competência.
Apresentando o estudo da PwC “Mulheres em Portugal – onde estamos e para onde queremos ir”, Maria Antónia Torres, partner da PwC, foi peremptória afirmando: «Não há mulheres em cargos de relevo, e isto tem de mudar». Acrescentou: «Mais mulheres no mercado de trabalho tem impacto significativo no aumento do PIB». Maria Antónia Torres traçou um retrato das mulheres em Portugal: há segregação ocupacional, com funções só para mulheres e funções só para homens, e há disparidades salariais, com uma diferença significativa entre salários nas mesmas funções para homens e para mulheres, de 15,7%. Na gestão, o cenário é similar, por cada nove membros de conselhos de administração executiva há uma mulher. Além das diferenças no trabalho, também na vida pessoal as mulheres são afetadas, ocupando mais tempo com a casa e com a família.
Luís Gonçalves da Silva, consultor da Abreu Advogados e professor na FDUL, destacou o investimento da Abreu Advogados nestes assuntos, realçando que deve fazer parte da responsabilidade social de todas as empresas a maior conciliação da vida profissional com a pessoal, considerando que esta é uma bandeira desta sociedade de advogados. A Abreu Advogados foi uma das primeiras sociedades a implementar uma política de maternidade e a procurar promover um equilíbrio entre a vida profissional e familiar dos seus colaboradores. Ana Sofia Batista, sócia da Abreu Advogados, destacou a política de responsabilidade social da Abreu: 2001, ano em que foi a primeira sociedade a obter a certificação do Sistema de Gestão da Qualidade, e 2009, momento em que foi a primeira sociedade a lançar um relatório de sustentabilidade.
Sobre o livro “Liderança no feminino – a necessidade de novos paradigmas nas sociedades de advogados portuguesas”, Tatiana Canas – a autora da obra – destacou «a abordagem pioneira da Abreu Advogados no que toca à igualdade». A autora evidenciou: não é só para as mulheres que a igualdade é um tema fundamental, mas também para os homens, «porque vivemos em sociedade e porque este também é um problema económico. Com igualdade há um resultado globalmente positivo para todos».
O debate final, moderado por Eunice Lourenço, editora da Rádio Renascença, pretendeu contribuir de forma pragmática e objectiva para a discussão de modelos de sensibilização apropriados para um futuro enquadramento nas organizações.
Fernando Veiga Gomes, sócio da Abreu Advogados, destacou que esta sociedade tem, a nível dos sócios, cerca de 30% como mulheres, estando esse número a crescer com tendência ao equilíbrio. O sócio da Abreu Advogados mencionou ainda a aposta do escritório na sustentabilidade, onde se incluem as preocupações com o bem-estar dos colaboradores – o último relatório de sustentabilidade, de 2011-2012, situou o índice de satisfação de colaboradores em cerca de 80%.