Apesar de ainda existir a crença de que as ferramentas tecnológicas eliminarão um grande número de empregos humanos, mais de um em cada dois gestores da indústria de produção (51,3%) acreditam que a mão-de-obra continuará a ser crucial no futuro. Quase um em cada quatro (23,3%) espera que a automatização crie novos empregos e oportunidades de carreira e outros 20,3% pensam que os trabalhadores serão transferidos para novas posições, de acordo com um relatório publicado pela Gi Group Holding, um dos principais prestadores de serviços mundiais para a evolução do Mercado de Trabalho.
O relatório intitulado “Produção – Tendências Globais de RH 2023” é o resultado de um inquérito conduzido pelo Istituto Piepoli, um Instituto de Pesquisa de Marketing independente, a uma amostra de 240 decisores (gestores de RH, gestores de fábrica, gestores de produção) de empresas da indústria de produção. O estudo foi realizado em 6 países (Brasil, China, Alemanha, Itália, Polónia, e Reino Unido). Os resultados foram apoiados por uma análise documental conduzida pela empresa de Gestão de Dados INTWIG.
A automatização, juntamente com a sustentabilidade, é uma das principais tendências que lideram a indústria e contribuem para o seu desenvolvimento. De acordo com o relatório, de facto, 84% das empresas já implementaram ferramentas de transformação digital sendo as mais adotadas o Cloud Computing (27%) e a integração digital (22%), seguidas de perto pelas Big Data – Analytics (20%), Cibersegurança (19%) e, entre outras, a robótica e a inteligência artificial (16%).
Além disso, um em cada cinco inquiridos (22%) acredita que as tecnologias facilitadoras serão implementadas na sua empresa durante os próximos cinco anos, e outros 63% pensam que poderão ser implementadas.
No geral, a automatização é vista como uma oportunidade para as empresas aumentarem a produção e continuarem competitivas e para os trabalhadores melhorarem as suas competências, crescerem profissionalmente e aumentarem os salários.
Contudo, pode representar um risco para os trabalhadores com competências insuficientes ou obsoletas. A este respeito, 33% dos inquiridos mencionam que muitos trabalhadores não possuem atualmente as competências adequadas para novos empregos, o que realça o papel crucial que a formação desempenhará cada vez mais nos próximos anos.
Escassez de mão-de-obra: um desafio crescente numa indústria em rápida evolução
Com 66% das empresas a relatar algum tipo de dificuldade em encontrar trabalhadores especializados, a escassez de trabalhadores é de longe a maior preocupação que a Indústria transformadora está a enfrentar. A escassez geral de mão-de-obra tem várias causas, incluindo uma má perceção da indústria de produção (ainda vista como uma indústria fisicamente exigente onde prevalece a mão-de-obra manual ou pouco qualificada) e uma falta de competências adequadas.
As competências dos candidatos ideais do futuro- Que competências, então, serão cada vez mais procuradas?
A nível de competências técnicas, os especialistas de todo o mundo concordam que será cada vez mais necessário que os trabalhadores com qualificações baixas e médias tenham experiência com ferramentas e maquinaria especializada (68%), bem como formação especializada (65%), enquanto que para os trabalhadores especializados será crucial ter competências digitais e de gestão de projetos (71%) e a capacidade de falar em público (71%).
Quanto às soft skills, os trabalhadores com baixas e médias competências terão de se concentrar na adaptabilidade e flexibilidade (84%) e na capacidade de trabalhar autonomamente (79%), enquanto a capacidade de trabalhar por prioridades (87%), juntamente com a tomada de decisões e a resolução de problemas (81%), será particularmente relevante para os trabalhadores especializados.
O relatório também revela que 85% dos inquiridos acreditam que a procura de perfis profissionais específicos irá mudar profundamente nos próximos anos, à medida que a Produção evolui. No que diz respeito aos trabalhadores com qualificações baixas e médias, as empresas num futuro próximo procurarão principalmente:
- Operadores de Produção
- Operadores de Máquinas
- Operadores e Controladores de Dispositivos.
Enquanto que os papéis especializados mais procurados serão:
- Planeadores de Produção
- Gestores de Garantia de Qualidade
- Gestores de Manutenção.
“Longe de ser apenas um setor fisicamente exigente, a Produção oferece uma vasta gama de oportunidades de carreira tanto para trabalhadores com baixas e médias qualificações como para trabalhadores altamente qualificados. Estamos a caminhar para um futuro em que a formação e a aprendizagem ao longo da vida serão mais importantes do que nunca para ajudar as pessoas a atingir os seus objetivos de vida e carreira e para permitir às empresas ultrapassar a escassez de mão-de-obra e aproveitar as oportunidades da mudança tecnológica“, refere Nuno Cochicho, Business Manager Gi Group.
Neste sentido, o nosso inquérito revelou que cerca de 87% das empresas já planearam formação interna ou externa sobre a utilização e gestão de ferramentas digitais.
Além disso, como a investigação salienta, uma nova mentalidade e a disseminação de competências relacionadas com a STEM entre as mulheres poderá ajudar a tornar esta indústria historicamente dominada por homens mais aberta à diversidade, com 83% dos inquiridos a acreditar que o número de mulheres nas suas empresas irá aumentar ao longo dos próximos 5 anos.
Formação ad-hoc, mais emprego feminino e a adoção de línguas novas e contemporâneas (capazes de tornar o setor mais atrativo) serão três fatores-chave para o futuro desenvolvimento da indústria, num cenário tão disruptivo e em rápida evolução.