As empresas da Bolsa nacional voltaram a somar lucros no primeiro semestre de 2024, batendo o recorde pelo terceiro ano consecutivo. A Bolsa de Lisboa, segundo apurado pelo Jornal Expresso, acumulou um ganho de 8% este ano. A liderar as subidas está a Galp, enquanto o lado das quedas está marcado pela Jerónimo Martins.
Segundo o Jornal Expresso, as empresas que já apresentaram os resultados do primeiro semestre somaram 3.015 milhões de euros. Este valor representa um aumento de 27,5% face ao período homólogo. Realizados os cálculos, as 13 cotadas do PSI lucraram cerca de 17.000.000€ por dia, no primeiro semestre de 2024. Estão excluídas das contas a Mota-Engil e a Ibersol, que apresentarão resultados mais tarde.
Os resultados da EDP Renováveis e da Altri mais que duplicaram face ao período homólogo, segundo apurado pelo Jornal Expresso. O aumento dos lucros não se aplicou a todas as empresas, contudo, as quedas não foram significativas no global.
Paulo Rosa, economista do Banco Carregosa, confessou ao Jornal Expresso: “De um modo geral, os resultados das empresas portuguesas do PSI foram positivos, suportando os ganhos do PSI desde o início do ano.”
As empresas mais impactantes
A subida de 8% em 2024 ficou marcada pelos valores apresentados pela Galp. O Jornal Expresso teve acesso às estimativas da Bloomberg e divulgou que a petrolífera as ultrapassou em 35%. Lucrou mais 23%, estabilizou as receitas e o EBITDA (resultado antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações) e diminuiu a dívida em 15%.
Segundo o Jornal Expresso, a Jerónimo Martins foi a empresa que mais surpreendeu pela negativa, com resultados abaixo das estimativas da Bloomberg em 4%. O lucro caiu em 29% e a dívida aumentou em 39%. Contudo, o EBITDA melhorou em 4% e as receitas em 12%.
Paulo Rosa continuou as declarações ao Jornal Expresso: “A Jerónimo Martins e os CTT [surpreenderam] pela negativa. A Jerónimo Martins a antever um segundo semestre difícil, devendo manter-se forte pressão sobre as margens, e os CTT a apresentarem um aumento de custos que redundaram numa queda substancial do lucro.”
No primeiro semestre de 2024, segundo apurado pelo Jornal Expresso, as empresas da Bolsa nacional aumentaram as receitas para 44.000 milhões de euros. A subida foi de 3,2%, com destaque para Altri e Navigator e para Jerónimo Martins e Sonae.
O preço do papel nos mercados influenciou os resultados das papeleiras. Segundo o Jornal Expresso, a Altri verificou o “forte dinamismo na procura por fibras celulósicas, em especial nos mercados da Europa e da América do Norte.” A Navigator, por outro lado, reiterou o máximo histórico do preço do papel.
Os resultados para além dos lucros
Também a dívida das empresas aumentou, conforme apurado pelo Jornal Expresso. Em junho, o resultado foi superior ao do período homólogo em 19%, atingindo os 37.000 milhões de euros. A deterioração da alavancagem foi detetada pela subida para 2,4 vezes do rácio que mede a relação entre a dívida líquida anual e o EBITDA. Este valor era de 1,9 vezes em 2023 e próximo das 4 em 2011, ano da troika.
A EDP e a EDP Renováveis detêm mais de um terço dos lucros totais registados pelas empresas da Bolsa, segundo o Jornal Expresso. Lucraram, em conjunto, 972.000.000€, tendo como justificação da subida homóloga a venda de ativos. A EDP subiu 74% e a EDP Renováveis subiu 162%, apesar do aumento do preço grossista da eletricidade. A venda de participações em parques eólicos e de centrais solares foi benéfica.
Contudo, segundo apurado pelo Jornal Expresso, a EDP Renováveis teve um impacto negativo de 46.000.000€, devido a projetos em desenvolvimento na Colômbia. O Goldman Sachs prevê a valorização de 30% das ações da empresa no próximo ano.